Excelente o comentário crítico do advogado Luis Cassiano Nevessobre a justiça desportiva, os seus órgãos e critérios de pacotilha que podem aplicar a lei sem fazer justiça, no artigo de opinião que escreveu no Diário de Notícias de hoje.
Escuros túneis da justiça desportiva
O Conselho de Justiça (CJ) modificou a decisão da Comissão de Disciplina (CD), fundamentalmente porque considera que os assistentes de recinto desportivo (ARD) não são intervenientes no jogo com direito de acesso e permanência nos estádios. Na presumida visão do CJ, é mais bem equiparado a um membro do público um ARD cuja natureza e função são omitidas nos regulamentos da Liga, que não é objecto de credenciação específica e cuja função concreta é a de prevenção de comportamentos violentos nas bancadas, concluindo-se assim que nem sequer deve marcar presença em túneis.
A este entendimento escapam dimensões óbvias. É a própria lei que determina a natureza e extensão das actividades do ARD, impondo a sua presença no recinto desportivo, o qual engloba, tragicamente, túneis e outros apêndices estruturais. Por outro lado, pende igualmente sobre o ARD um dever geral de prevenção de distúrbios, enquadrado pelo plano de segurança de cada clube, sendo por isso concebível a sua presença no túnel, não constituindo a presença irregular causa bastante para a perda da sua condição de interveniente no jogo com direito de acesso e permanência no estádio.
Mas as iniquidades da decisão do CJ não se esgotam na deficiente desqualificação dos ARD. Foram apontadas as desproporcionalidades das sanções regulamentares: como poderia um jogador ser suspenso por seis meses a três anos por agredir um ARD, mas “apanhar” apenas alguns jogos por uma agressão a um colega jogador ou a um membro do público? E, conclui-se, mais vale escrever direito por linhas tortas. Estranha técnica jurídica a que evita a aplicação óbvia da norma em nome de um juízo de equidade. Mas, invocando a justiça, onde é que ela reside quando uma agressão a um colega é tratada como se uma decorrência normal do jogo fosse, ou quando uma agressão a um membro do público é sancionada com um mero punhado de jogos?
Hermínio Loureiro demitiu-se porque a justiça desportiva é uma miragem. Os clubes não abdicam do interesse próprio e não respeitam os órgãos que eles próprios elegem, escapando-lhes a noção de interesse comum, que marca a diferença de “futebóis” mais avançados. No único país do mundo onde goal average significa diferença de golos, são longos os túneis a atravessar por uma justiça desportiva pouco autónoma e transparente.
Excelente o comentário crítico do advogado Luis Cassiano Nevessobre a justiça desportiva, os seus órgãos e critérios de pacotilha que podem aplicar a lei sem fazer justiça, no artigo de opinião que escreveu no Diário de Notícias de hoje.
Escuros túneis da justiça desportiva
O Conselho de Justiça (CJ) modificou a decisão da Comissão de Disciplina (CD), fundamentalmente porque considera que os assistentes de recinto desportivo (ARD) não são intervenientes no jogo com direito de acesso e permanência nos estádios. Na presumida visão do CJ, é mais bem equiparado a um membro do público um ARD cuja natureza e função são omitidas nos regulamentos da Liga, que não é objecto de credenciação específica e cuja função concreta é a de prevenção de comportamentos violentos nas bancadas, concluindo-se assim que nem sequer deve marcar presença em túneis.
A este entendimento escapam dimensões óbvias. É a própria lei que determina a natureza e extensão das actividades do ARD, impondo a sua presença no recinto desportivo, o qual engloba, tragicamente, túneis e outros apêndices estruturais. Por outro lado, pende igualmente sobre o ARD um dever geral de prevenção de distúrbios, enquadrado pelo plano de segurança de cada clube, sendo por isso concebível a sua presença no túnel, não constituindo a presença irregular causa bastante para a perda da sua condição de interveniente no jogo com direito de acesso e permanência no estádio.
Mas as iniquidades da decisão do CJ não se esgotam na deficiente desqualificação dos ARD. Foram apontadas as desproporcionalidades das sanções regulamentares: como poderia um jogador ser suspenso por seis meses a três anos por agredir um ARD, mas “apanhar” apenas alguns jogos por uma agressão a um colega jogador ou a um membro do público? E, conclui-se, mais vale escrever direito por linhas tortas. Estranha técnica jurídica a que evita a aplicação óbvia da norma em nome de um juízo de equidade. Mas, invocando a justiça, onde é que ela reside quando uma agressão a um colega é tratada como se uma decorrência normal do jogo fosse, ou quando uma agressão a um membro do público é sancionada com um mero punhado de jogos?
Hermínio Loureiro demitiu-se porque a justiça desportiva é uma miragem. Os clubes não abdicam do interesse próprio e não respeitam os órgãos que eles próprios elegem, escapando-lhes a noção de interesse comum, que marca a diferença de “futebóis” mais avançados. No único país do mundo onde goal average significa diferença de golos, são longos os túneis a atravessar por uma justiça desportiva pouco autónoma e transparente.
Pela importância não podia deixar de divulgar este Apelo ao Xadrez divulgado no blogue Casa do Xadrez.
Sou jogador de xadrez desde 1992, e com muito esforço consegui jogar um Campeonato Nacional de Xadrez de Jovens, só no escalão de S18. Eram tempos diferentes em que os Jovens eram apurados em percentagem ao Campeonato Nacional mais os três melhores Rankings e os Campeões Nacionais e os Campeões Regionais ou Distritais também iam com as despesas pagas.
Passados mais de 10 anos, cada vez há mais jogadores de xadrez e cada vez há mais negócio a rondar esta modalidade, ou seja, como o xadrez “supostamente” dá prejuízo às Associações e Federação mesmo com os Campeonatos Nacionais serem abertos a todos os jovens e há 10 anos eram fechados a quem se apurassem. Ou seja, São mais jovens a jogar os nacionais agora do que anteriormente e basta ter dinheiro para jogar. Não é necessário um jovem esforçar-se, perder as férias do Natal e do Carnaval por gosto ao xadrez, porque no fim se não tiver possibilidades financeiras, mesmo como Campeão Distrital, fica por terra. Que se passa com as Instituições Públicas como Associações e Federação para que não apoiem estes jovens?
Como Pais, deixavam o vosso filho de 6, 7, 8 ou até mesmo de 12 anos à responsabilidade de pessoas desconhecidas ou mesmo conhecidas momentaneamente ou que são ainda jovens e acabam por quererem ir para se divertirem e nas horas do expediente vêm qualquer coisa de xadrez? Este ano, o Campeão Distrital [vai ]pagar 120€ depois de ter abdicado de férias de Natal e Carnaval pagar mais 15€ do que o 6º Classificado, penso que é uma vergonha. Acredito que a Federação não tenha verbas, mas se abdicarem dos jantares [a] que assisti, das deslocações da viatura da FPX para uso de particular [??] de responsáveis e até mesmo uma gestão mais aprofundada das despesas e como já deviam saber, para uma boa gestão é necessário mais entrada do que saída, mas o jovens não podem nem devem entrar nos cortes orçamentais.
Às Associações, caiba o carapuço a quem lhe sirva, pois não posso falar das que não conheço, mas em conjunto com a FPX angariar 157€ e depois prometer prémios no valor que pode chegar ao pago referente à inscrição alojamento e refeições. Espero que tenham noção de que os jovens S16 e S18 são menores de idade e que não podem receber prémios de jogo em dinheiro, isto se tiverem intenção de pagar, pois ainda não pagaram os respectivos prémios do ano transacto. Se quisessem fazer bem as coisas, ou davam aos S08 para cima que também são menores de idade e que os pais têm mais gastos do que um S18 ou então descontem a todos os jogadores porque todos eles são jovens.
Hugo Saraiva, jogador do GD Dias Ferreira, ligado à formação
(apelo referente aos Campeonatos Nacionais de Jovens – Penso que o xadrez está a mudar e não será para melhor)
(Sublinhados da responsabilidade de Ala de Rei).
São cada vez mais as denúncias de situações que põem em causa o xadrez de competição, isto é, federado em Portugal.
É sabido que a actual política federativa está pouco preocupada em fomentar e divulgar o xadrez seja onde for, mas apresentar, mostrar, que anda a fazer alguma coisa, mesmo quando anda a fazer coisa nenhuma.
Alguém na FPX se questionou porque é que os Nacionais de Jovens e Veteranos são jogados com jornadas duplas, isto é, jogar 7 sessões em 5 dias?
Alguém na FPX se questionou o que é que pensam os jovens estudantes a respeito das datas dos Nacionais?
A terminar, porque será que a campeã nacional de sub-20 e bi-campeã nacional feminina não foi defender o título a Torres Vedras?
A Federação Portuguesa de Vela (FPV) convocou para hoje aquela que é já considerada a mais controversa assembleia geral da modalidade das últimas décadas. O que está em causa é o futuro da modalidade, que viu recentemente o Governo suspender o estatuto de utilidade pública, após a FPV, a par da Federação Portuguesa de Futebol – as únicas entre 63 federações desportivas -, não adequar os estatutos ao novo Regime Jurídico das Federações Desportivas. A modalidade vive uma situação que poderá, entre diversos cenários, levar, no limite, à criação de uma nova federação representativa da vela desportiva.
Após três falhadas tentativas em assembleia geral para adequar os estatutos da FPV ao novo Regime Jurídico das Federações, os associados representativos da modalidade irão mais uma vez reunir-se hoje no auditório Faculdade de Motricidade Humana (FMH), pelas 20.00, para discutir e votar a proposta da direcção de adaptação dos Estatutos da FPV.
Aliás, a realização desta reunião magna é susceptível de se traduzir numa ilegalidade, em função da pendência da impugnação judicial das deliberações da Assembleia Geral da FPV que decorreu no dia 11 de Dezembro de 2009 e na qual foi aprovado a versão actual do regulamento geral da FPV.
Para promover a participação dos delegados convocados para esta assembleia – representantes de quatro associações regionais (Norte, Centro, Sul e Açores), assim como delegados de clubes (30), praticantes (20), treinadores (8) e juízes (5) – a direcção da FPV decidiu atribuir, pela primeira vez, ajudas custo às deslocações no valor individual de 250 euros.
Entre as propostas de alteração dos estatutos estará uma polémica representatividade para clubes e praticantes na Assembleia Geral da federação; clubes (54 delegados), associações regionais (30), praticantes (15), treinadores (9), juízes e oficiais (9) e associações de classe de vela (3).
José Lima escreveu no blogue em A Mística Azul e Branca um texto onde compara a situação presente, com a entrada em vigor do actual regime jurídico das federações desportivas (aprovado pelo DL 248-A/2008, de 31/12) com o anterior (aprovado pelo DL 144/93, de 26/4).
No essencial, José Lima segue uma linha de raciocínio e citações já apresentada em Ala de Rei, onde não estão esquecidas as contribuições do Prof. José Manuel Meirim e do Dr. Lúcio Correia que são bastante caústicos com a nova legislação e as suas reais intenções – o controlo do movimento associativo, transformando-o num dócil instrumento das políticas governamentais.
Este novo regime, sob a capa aparente da inovação e da modernidade, não é mais do que uma forma de centralizar os poderes nos habituais meios controladores do futebol português, leia-se, nos meandros da capital. O que está em causa é a imposição, por parte do Governo, da entrada em vigor do novo RJFD cujo Decreto-Lei n.º 248-B/2008, de 31 de Dezembro, pouco difere do anterior 144/93, de 26 de Abril, então revogado. Como, por norma, desconfio de tudo que venha do Governo (deste Governo, entenda-se) fui procurar as diferenças entre os dois decretos.
Com este Decreto-Lei há uma reformulação da composição das assembleias, com o estabelecimento do princípio de que os clubes (e suas organizações) devem dispor de 70 por cento dos votos e os agentes desportivos dos restantes 30. A grande diferença é que nesses 70 por cento, as associações – que detinham por si só a maioria em assembleia (55 por cento) – passam a ter 35 por cento de votos, enquanto os restantes 35 vão para a representatividade nos quadros competitivos nacionais.
O Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, com a inabilidade que se lhe reconhece afirmou que «uma federação tem de reflectir nos seus órgãos principais, sobretudo em Assembleia Geral, a importância da base da sua modalidade, os atletas e os clubes». De acordo com o Dr. Laurentino Dias, «esta distribuição» será levada a efeito em nome da chamada «proporcionalidade de representação». Disse ainda que o novo regime «corresponde a um modelo de federação, que deve exprimir de forma transparente e universal o conjunto dos agentes envolvidos, acabando com os votos em catadupa e por representação. Cada cidadão presente nas assembleias gerais terá um voto». (?!?)
Então como é? Proporcionalidade ou representatividade linear? A este propósito, José Manuel Meirim, professor de Direito do Desporto, diz que (o diploma) é «organicamente inconstitucional».
O advogado Dr. Lúcio Correia, também especialista em Direito Desportivo, teme que «talvez estejamos perante uma tentativa de criação de um novo modelo organizativo do futebol e (sempre por arrastamento) tenta-se aplicar o mesmo modelo às restantes modalidades que não detêm semelhante estrutura, nem nele têm condições de se rever».
Parece que o Estado pretende ingerir, ao contrário do que diz a constituição (Artºs 267º, nº 4 e 46º, nº 2) no movimento associativo. Afinal defende-se a liberdade de associação, isto é, de constituição, organização e funcionamento e aceita-se, passivamente, a interferência do Estado com o seu poder de regulamentação?
Vamos ver agora quem são os actores desta comédia. Dum lado, o Governo todo-poderoso com a sua mania centralizadora de controlar tudo imagine-se, até ao pormenor, de querer condicionar os estatutos do livre associativismo. Do outro, as Associação e Federações Distritais que, no fundo são quem dá o corpo ao manifesto e representam centenas de milhar de atletas e só querem ver consagrados no novo Regime Jurídico, representatividade nas Assembleias Gerais, eleições pelo método de Hondt e um protocolo entre a Federação e a Liga. No meio disto aparece um nado-morto que dá pelo nome de Conselho Nacional do Desporto, criado pelo Decreto-Lei nº 315/2007, de 18 de Setembro para, presumivelmente, «aconselhar o Governo em matérias relacionadas com o desporto». Para além disto, neste novo regime jurídico, apresenta-se uma nova estrutura que é a liga de futebol não amadora, que não organiza campeonato nenhum, que praticamente não tem funcionários, que se limita a ter nos seus órgãos três comentadores de televisão, os senhores Dias Ferreira, Fernando Seara, e Guilherme Aguiar que representam, como é conhecido a pré-história do nosso futebol e que tem no nove regime, 10 por cento dos votos. Como é possível que um organismo que não organiza campeonatos tenha esta representatividade numa AG? Poderá ser o fim do futebol dito “não profissional” pelo menos é uma grande machadada no sentido do futebol amador desaparecer (o Secretário de Estado de Desporto, Laurentino Dias, já disse que «não permite grandes alterações»), e já que o estado não cumpre as suas funções nem obrigações, dado que é ao estado que compete dar formação, constitucionalmente definido, quem vai substituir o movimento associativo na organização dos campeonatos regionais e distritais de todas as modalidades desportivas?
Foi contra isto que as associações, no seu legítimo direito, votaram contra.
Até para a semana.
Sou jogador de xadrez desde 1992, e com muito esforço consegui jogar um Campeonato Nacional de Xadrez de Jovens, só no escalão de S18. Eram tempos diferentes em que os Jovens eram apurados em percentagem ao Campeonato Nacional mais os três melhores Rankings e os Campeões Nacionais e os Campeões Regionais ou Distritais também iam com as despesas pagas.
Passados mais de 10 anos, cada vez há mais jogadores de xadrez e cada vez há mais negócio a rondar esta modalidade, ou seja, como o xadrez “supostamente” dá prejuízo às Associações e Federação mesmo com os Campeonatos Nacionais serem abertos a todos os jovens e há 10 anos eram fechados a quem se apurassem. Ou seja, São mais jovens a jogar os nacionais agora do que anteriormente e basta ter dinheiro para jogar. Não é necessário um jovem esforçar-se, perder as férias do Natal e do Carnaval por gosto ao xadrez, porque no fim se não tiver possibilidades financeiras, mesmo como Campeão Distrital, fica por terra. Que se passa com as Instituições Públicas como Associações e Federação para que não apoiem estes jovens?
Como Pais, deixavam o vosso filho de 6, 7, 8 ou até mesmo de 12 anos à responsabilidade de pessoas desconhecidas ou mesmo conhecidas momentaneamente ou que são ainda jovens e acabam por quererem ir para se divertirem e nas horas do expediente vêm qualquer coisa de xadrez? Este ano, o Campeão Distrital pagar 120€ depois de ter abdicado de férias de Natal e Carnaval pagar mais 15€ do que o 6º Classificado, penso que é uma vergonha. Acredito que a Federação não tenha verbas, mas se abdicarem dos jantares que assisti, das deslocações da viatura da FPX para uso de particular de responsáveis e até mesmo uma gestão mais aprofundada das despesas e como já deviam saber, para uma boa gestão é necessário mais entrada do que saída, mas o jovens não podem nem devem entrar nos cortes orçamentais.
Às Associações, caiba o carapuço a quem lhe sirva, pois não posso falar das que não conheço, mas em conjunto com a FPX angariar 157€ e depois prometer prémios no valor que pode chegar ao pago referente à inscrição alojamento e refeições. Espero que tenham noção de que os jovens S16 e S18 são menores de idade e que não podem receber prémios de jogo em dinheiro, isto se tiverem intenção de pagar, pois ainda não pagaram os respectivos prémios do ano transacto. Se quisessem fazer bem as coisas, ou davam aos S08 para cima que também são menores de idade e que os pais têm mais gastos do que um S18 ou então descontem a todos os jogadores porque todos eles são jovens.
Hugo Saraiva, jogador do GD Dias Ferreira, ligado à formação (apelo referente aos Campeonatos Nacionais de Jovens -
- Penso que o xadrez está a mudar e não será para melhor)