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Archive for the ‘Artigos’ Category

“O que têm as mulheres de tão específico?” Dra Katia Runio

Friday, April 22nd, 2011

Artigo da Dra Katia Rubio no Blog da Katia Rubio:


O que têm as mulheres de tão específico?

Ouço com certa freqüência essa pergunta. Além de ter que conviver com piadas desagradáveis do tipo que fomos feitas a partir de um pedaço da costela de Adão, ou que somos uma caixa preta como disse Freud ou ainda que somos sensíveis dos nervos, como sugeriu Pierre de Coubertin.

Independente dos argumentos o que podemos observar é que ao longo de alguns séculos as mulheres buscaram de diferentes formas, com mais ou menos sucesso, firmar sua identidade. No âmbito esportivo isso se deu a duras penas. Na Antiguidade a exclusão feminina era justificada pelo não exercício da cidadania. No final do século XIX, a condição de coadjuvantes era justificada pela fragilidade física e emocional.

No entanto, o que se observou ao longo do século XX foi a crescente participação feminina não apenas no ambiente competitivo, mas também em terrenos consagrados como masculinos, fossem eles no campo da gestão ou na condição de técnicas.

As mulheres atletas brasileiras apresentam uma trajetória de lutas e conquistas, embora bastante distinta das norte-americanas ou européias. Um fato que me chamou a atenção, e provocou um projeto de pesquisa, foi o início da participação feminina brasileira em Jogos Olímpicos se dar em 1932 e, no entanto, as primeiras medalhas serem conquistadas apenas em 1996. Os resultados da pesquisa apontam várias questões e dentre elas está a falta de cuidado específico com as atletas.
Diante desses dados e buscando entender que a saúde da mulher merece cuidados específicos foi criado o Ambulatório da Mulher Atleta no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo com a coordenação do Prof. Dr. Paulo Margarido, chefe da Ginecologia do HU e minha. A idéia surgiu de nossas preocupações com atletas que vínhamos atendendo e apresentavam demandas específicas e que escapavam às avaliações habituais. Atletas com variações de humor em função de variação hormonal podem ver todo o esforço de 4 anos de trabalho, um ciclo olímpico, se perder. Sabe-se que a incidência de fraturas por stress em mulheres atletas é muito maior que em homens e isso também parece estar relacionado com a variação hormonal. Essas e tantas outras inferências nos mobilizaram a oferecer um serviço que pudesse contribuir para a carreira de mulheres atletas, não apenas para os próximos Jogos Panamericanos ou os Jogos Olímpicos de 2012 e 2016, mas pensando principalmente nas muitas gerações que ainda virão e que poderão ser respeitadas na sua singularidade, como atletas, como mulheres e como cidadãs.

“O que têm as mulheres de tão específico?” Dra Katia Runio

Friday, April 22nd, 2011

Artigo da Dra Katia Rubio no Blog da Katia Rubio:


O que têm as mulheres de tão específico?

Ouço com certa freqüência essa pergunta. Além de ter que conviver com piadas desagradáveis do tipo que fomos feitas a partir de um pedaço da costela de Adão, ou que somos uma caixa preta como disse Freud ou ainda que somos sensíveis dos nervos, como sugeriu Pierre de Coubertin.

Independente dos argumentos o que podemos observar é que ao longo de alguns séculos as mulheres buscaram de diferentes formas, com mais ou menos sucesso, firmar sua identidade. No âmbito esportivo isso se deu a duras penas. Na Antiguidade a exclusão feminina era justificada pelo não exercício da cidadania. No final do século XIX, a condição de coadjuvantes era justificada pela fragilidade física e emocional.

No entanto, o que se observou ao longo do século XX foi a crescente participação feminina não apenas no ambiente competitivo, mas também em terrenos consagrados como masculinos, fossem eles no campo da gestão ou na condição de técnicas.

As mulheres atletas brasileiras apresentam uma trajetória de lutas e conquistas, embora bastante distinta das norte-americanas ou européias. Um fato que me chamou a atenção, e provocou um projeto de pesquisa, foi o início da participação feminina brasileira em Jogos Olímpicos se dar em 1932 e, no entanto, as primeiras medalhas serem conquistadas apenas em 1996. Os resultados da pesquisa apontam várias questões e dentre elas está a falta de cuidado específico com as atletas.
Diante desses dados e buscando entender que a saúde da mulher merece cuidados específicos foi criado o Ambulatório da Mulher Atleta no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo com a coordenação do Prof. Dr. Paulo Margarido, chefe da Ginecologia do HU e minha. A idéia surgiu de nossas preocupações com atletas que vínhamos atendendo e apresentavam demandas específicas e que escapavam às avaliações habituais. Atletas com variações de humor em função de variação hormonal podem ver todo o esforço de 4 anos de trabalho, um ciclo olímpico, se perder. Sabe-se que a incidência de fraturas por stress em mulheres atletas é muito maior que em homens e isso também parece estar relacionado com a variação hormonal. Essas e tantas outras inferências nos mobilizaram a oferecer um serviço que pudesse contribuir para a carreira de mulheres atletas, não apenas para os próximos Jogos Panamericanos ou os Jogos Olímpicos de 2012 e 2016, mas pensando principalmente nas muitas gerações que ainda virão e que poderão ser respeitadas na sua singularidade, como atletas, como mulheres e como cidadãs.

Chess In Hades, by Daniel Willard Fiske

Tuesday, November 2nd, 2010

«O agente da arbitragem: um agente desportivo ou mal necessário» (José Manuel Meirim)

Sunday, October 31st, 2010

Artigo do Prof José Manuel Meirim, O agente da arbitragem: um agente desportivo ou mal necessário, publicado no Público.

Não sei se no futebol o árbitro é desprestigiado ou um mal necessário, pelo menos faz parte do espectáculo e ganha como se fosse um artista do apito, por vezes , com influência na qualidade do espectáculo em que participa.

O mesmo não se passa no xadrez, onde por vezes mais parece um estorvo e é tratado na maior parte das vezes como o polícia ou o bombeiro de serviço, não para cumprir as Regras do Jogo mas para apaziguar ou acabar com os conflitos. O xadrez actual, faz-me lembrar o futebol das divisões inferiores ou distritais há 40 anos, quando não havia árbitros ou faltavam ao jogo ia-se à assistência recrutar disponíveis que muitas das vezes nem as regras do jogo conheciam.

Por mim falo que sou apenas Arbitro Distrital e tenho de arbitrar como se fosse Árbitro Nacional sem título nem reconhecimento oficial. E a FPX que sabe desta vergonhosa situação existente nos clubes e fora deles nunca se preocupou em solucioná-la. Mas, quem já viu empregados de bar a arbitrar, habitua-se a (quase) tudo! A turistas a presidir a associações distritais e a dirigentes federativos a arbitrar!! E as leis? Também como no futebol é para os outros!!!

E árbitros são necessários no xadrez? Pelos vistos não, mas não convém que se saiba…

Agora o artigo do Prof Meirim e que me desculpe estas palavras de uma modalidade que pretende ser considerada menor porque nem a sério se pretende levar, com seriedade e rigor desportivo. E quando estes valores não existem os outros são dispensáveis.

1. No domingo passado adiantei que, se a vida o permitisse, abordaria hoje a temática da legalidade das federações desportivas, em particular daquelas que não titulem o estatuto de utilidade pública desportiva. Mas a vida – não a minha, que não tem especial interesse – desportiva, bem célere, determinou outro caminho. Uma eventual greve de árbitros – que só preocupa a imprensa na exacta medida em que possa afectar as competições de topo e na modalidade desportiva futebol – tornou-se um tema de agenda prioritária.

2. Em Maio passado, em evento que tive a honra de coordenar, promovido pela Câmara Municipal de Chaves (Jornadas de Direito do Desporto: interrogações e respostas) sugeri à Professora Maria José Carvalho que se ocupasse da matéria que dá também título a esta crónica.

Seja-nos permitido, aqui e acolá, acompanhar algumas das considerações desse trabalho.

3. As notícias matinais de sexta-feira – só com elas trabalho – davam conta que na vertente fiscal (mas há ainda a questão da segurança social) –, Laurentino Dias anunciou «que já tinha assinado um despacho com o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais no sentido de criar uma bolsa de formação para os árbitros até aos 30 anos e que aufiram até cerca de 2050 euros anuais».

Para o presidente da APAF, O montante é “facilmente atingível”, pelo que não está de acordo.

4. O que está em causa? A Lei nº 67-A/2007, de 31 de Dezembro (Lei do Orçamento do Estado para 2008) trouxe inovações ao regime fiscal de alguns agentes desportivos.

Para os árbitros – mas não só para eles –, tentando responder à «fuga da arbitragem», o artigo 12º, nº 5, alínea b), do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares, passou a estabelecer: o IRS não incide sobre as bolsas de formação desportiva, como tal reconhecidas por despacho do Ministro das Finanças e do membro do Governo que tutela o desporto, atribuídas pela respectiva federação até ao montante máximo anual correspondente a cinco vezes o valor da retribuição mínima mensal garantida.

5. Fazer publicar uma norma no Diário da República a atribuir direitos é como tirar uma fotografia. Bem escolhido o modelo, o resultado é digno de se mostrar e até pode trazer dividendos.

Todavia, passados quase três anos, se a foto permanece inalterada, a realidade modificou-se com naturalidade.
Três anos para elaborar um despacho que concretize parcialmente a norma, são muitos anos.
E, como sempre acontece com os políticos (um mal necessário) e os bombeiros, foi preciso que alguém gritasse: Fogo.

6. Ficam as palavras finais da Maria José Carvalho: «Só antevemos que melhore a evolução quantitativa e qualitativa da arbitragem se for dada maior valorização ao estatuto social e fiscal destes agentes desportivos».

(Sublinhados da responsabilidade de Ala de Rei)

«O agente da arbitragem: um agente desportivo ou mal necessário» (José Manuel Meirim)

Sunday, October 31st, 2010

Artigo do Prof José Manuel Meirim, O agente da arbitragem: um agente desportivo ou mal necessário, publicado no Público.

Não sei se no futebol o árbitro é desprestigiado ou um mal necessário, pelo menos faz parte do espectáculo e ganha como se fosse um artista do apito, por vezes , com influência na qualidade do espectáculo em que participa.

O mesmo não se passa no xadrez, onde por vezes mais parece um estorvo e é tratado na maior parte das vezes como o polícia ou o bombeiro de serviço, não para cumprir as Regras do Jogo mas para apaziguar ou acabar com os conflitos. O xadrez actual, faz-me lembrar o futebol das divisões inferiores ou distritais há 40 anos, quando não havia árbitros ou faltavam ao jogo ia-se à assistência recrutar disponíveis que muitas das vezes nem as regras do jogo conheciam.

Por mim falo que sou apenas Arbitro Distrital e tenho de arbitrar como se fosse Árbitro Nacional sem título nem reconhecimento oficial. E a FPX que sabe desta vergonhosa situação existente nos clubes e fora deles nunca se preocupou em solucioná-la. Mas, quem já viu empregados de bar a arbitrar, habitua-se a (quase) tudo! A turistas a presidir a associações distritais e a dirigentes federativos a arbitrar!! E as leis? Também como no futebol é para os outros!!!

E árbitros são necessários no xadrez? Pelos vistos não, mas não convém que se saiba…

Agora o artigo do Prof Meirim e que me desculpe estas palavras de uma modalidade que pretende ser considerada menor porque nem a sério se pretende levar, com seriedade e rigor desportivo. E quando estes valores não existem os outros são dispensáveis.

1. No domingo passado adiantei que, se a vida o permitisse, abordaria hoje a temática da legalidade das federações desportivas, em particular daquelas que não titulem o estatuto de utilidade pública desportiva. Mas a vida – não a minha, que não tem especial interesse – desportiva, bem célere, determinou outro caminho. Uma eventual greve de árbitros – que só preocupa a imprensa na exacta medida em que possa afectar as competições de topo e na modalidade desportiva futebol – tornou-se um tema de agenda prioritária.

2. Em Maio passado, em evento que tive a honra de coordenar, promovido pela Câmara Municipal de Chaves (Jornadas de Direito do Desporto: interrogações e respostas) sugeri à Professora Maria José Carvalho que se ocupasse da matéria que dá também título a esta crónica.

Seja-nos permitido, aqui e acolá, acompanhar algumas das considerações desse trabalho.

3. As notícias matinais de sexta-feira – só com elas trabalho – davam conta que na vertente fiscal (mas há ainda a questão da segurança social) –, Laurentino Dias anunciou «que já tinha assinado um despacho com o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais no sentido de criar uma bolsa de formação para os árbitros até aos 30 anos e que aufiram até cerca de 2050 euros anuais».

Para o presidente da APAF, O montante é “facilmente atingível”, pelo que não está de acordo.

4. O que está em causa? A Lei nº 67-A/2007, de 31 de Dezembro (Lei do Orçamento do Estado para 2008) trouxe inovações ao regime fiscal de alguns agentes desportivos.

Para os árbitros – mas não só para eles –, tentando responder à «fuga da arbitragem», o artigo 12º, nº 5, alínea b), do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares, passou a estabelecer: o IRS não incide sobre as bolsas de formação desportiva, como tal reconhecidas por despacho do Ministro das Finanças e do membro do Governo que tutela o desporto, atribuídas pela respectiva federação até ao montante máximo anual correspondente a cinco vezes o valor da retribuição mínima mensal garantida.

5. Fazer publicar uma norma no Diário da República a atribuir direitos é como tirar uma fotografia. Bem escolhido o modelo, o resultado é digno de se mostrar e até pode trazer dividendos.

Todavia, passados quase três anos, se a foto permanece inalterada, a realidade modificou-se com naturalidade.
Três anos para elaborar um despacho que concretize parcialmente a norma, são muitos anos.
E, como sempre acontece com os políticos (um mal necessário) e os bombeiros, foi preciso que alguém gritasse: Fogo.

6. Ficam as palavras finais da Maria José Carvalho: «Só antevemos que melhore a evolução quantitativa e qualitativa da arbitragem se for dada maior valorização ao estatuto social e fiscal destes agentes desportivos».

(Sublinhados da responsabilidade de Ala de Rei)

O jogo de xadrez e o ensino da matemática

Wednesday, September 8th, 2010

O Xadrez presta-se, como sabemos, aos mais diversos estudos e investigações académicos; é, aliás, o desporto com mais trabalhos publicados em jornais e revistas científicas prestigiadas.

A exemplo do que tenho feito – divulgar os trabalhos académicos que se vão publicando um pouco por todo o mundo para que a comunidade xadrezista, não apenas saiba por ter ouvido falar, mas que conheça e possa, se assim o entender, ler os estudos – apresento mais um artigo de dois investigadores brasileiros.

O artigo tem a particularidade de se debruçar sobre o ensino da matemática, em especial, o aspecto do desenvolvimento cognitivo no processo educacional da criança. Os autores concluem que «o jogo do xadrez é significativo para o desenvolvimento intelectual da criança, pois é o espaço para a expressão genuína da criança, decorrente da sua relação afectiva com o mundo, as pessoas e os objectos.»

O artigo foi apresentado, no quadro da Pós-Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, ao I Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia (2009).
O artigo está disponível na página da Universidade Tecnológica do Paraná.

«Os Doutores do governo do Futebol» por José Pinto Correia

Wednesday, September 8th, 2010

O Prof José Manuel Meirim publicou em Colectividade Desportiva um texto da autoria de José Pinto Correia. Eis o texto e uma explicação introdutória.

Publica-se um texto que nos foi enviado por José Pinto Correia e que se agradece. A Colectividade Desportiva tem recebido, em número crescente, contributos exteriores aos seus «associados», situação que muito nos agrada.

Por essa razão, a solução técnica encontrada é um dos associados tornar públicos textos que não são da sua autoria.Nada de errado neste procedimento. Todavia, aqui e acolá, não se concorda, nem que seja na generalidade, com o teor desses textos. É hoje o caso. Fala mais alto, no entanto, o valor da liberdade de expressão.

A decisão da ADoP, assinada pelo Professor Doutor Luís Sardinha, hoje finalmente conhecida e que condena o seleccionador nacional a uma pena atenuada de seis meses de suspensão é uma obra magnífica e um monumento clarificador do chamado poder de Estado. Ali se defendem desde a pureza virginal da mãe do Presidente da ADoP, até aos indefesos e aristocráticos caracteres dos digníssimos membros das brigadas anti-dopagem. Para o IDP e o Governo que elabora tal decisão nada pode tocar ou melindrar tanto a santa mãe de Sua excelência o Doutor Luís Horta como também a santíssima paz de espírito e sossego transcendental dos senhores médicos que colhem os líquidos e avaliam escrupulosamente os devidos parâmetros.

Mal, muitíssimo mal mesmo andou aquele indigno treinador, qual membro loquaz de uma ralé reles e desbocada, que usou impropérios e outras manobras vis, muitíssimo impróprias do santuário que é não apenas o futebol profissional português como o templo sacrossanto e as redomas de cristal em que vivem as brigadas doutorais da Autoridade e que dão lustro aos seus também muitíssimo dignos e puritanos dirigentes, o Presidente do IDP e o Secretário de Estado deste “nosso mui luminoso e celestial Governo”.

Tem Sua Senhoria Doutoral, o Professor Luís Sardinha, um especialíssimo cuidado em preservar o bom nome e a dignidade intocável dos homens (não se sabe se também há mulheres na ADoP), alegando e ajuizando contra qualquer palavra mal dita sobre eles e seus mais estimados familiares, ou mesmo contra qualquer incidência que possa minimamente perturbar o seu protocoladíssimo trabalho e tarefas. E para tal julgam o IDP, através da ADoP, e directamente também o Governo e o Senhor Secretário de Estado do Desporto que tutela o Instituto e a ADoP, o seleccionador nacional de futebol a uma pena diferente e seis vezes superior aquela que a justiça desportiva autónoma tinha estabelecido.

E ainda se permite o Doutor Luís Sardinha, insigne catedrático de exercício e saúde de uma instituição de ensino universitário pública, a voluntariosa liberdade de fazer comentários desabonatórios sobre o acórdão proferido pelo órgão jurisdicional eleito da própria Federação Portuguesa de Futebol.
O IDP, e Professor Luís Sardinha, vem agora julgar em causa própria de um organismo que dele faz parte, a ADoP, e o Governo vem também directamente e ainda mais inusitadamente sobrepor a sua “justiça” à da autónoma FPF.

Para além de toda a cândida argumentação e do virtuoso registo de puritanismo do acórdão do IDP, que certamente deve ser nos seus átrios e corredores um templo sacratíssimo de pureza e rectidão, o Governo vem interferir decisivamente na autonomia jurisdicional da FPF e do desporto, ao sobrepor uma sua avaliação jurídica aquela que tinha sido independentemente fixada pela justiça desportiva.

O Tribunal Arbitral do Desporto em Lausanne e a FIFA, por seu intermédio e talvez não apenas (o que se verá lá mais adiante), certamente terão subsequentemente a palavra sobre esta imparidade portuguesa, tanto mais que a fundamentação em casos antecedentes por jurisprudência no próprio acórdão do IDP é inexistente (como consta em discurso directo dos próprios termos da deliberação proferida).

Claro também é que toda esta trama político-jurídica da esfera governamental, aliada à habitualíssima incapacidade, incompetência, indecisão, e o apego aos lugares de praticamente toda esta Direcção da FPF, que lembremos vive no limbo jurídico por desconformidade estatutária há muitos meses, dá a este “Caso Queirós” um cheiro imenso a processo Kafkiano e ao Orwelliano “1984”. Lembraremos que neste último sistema político e governativo passou a imperar uma linguagem nova e asséptica, a “Novilíngua” onde inúmeras palavras antigas eram apagadas ou proscritas, e uma “Polícia do Pensamento” capaz não apenas de evitar a divergência e a dissidência tanto no pensar como na própria linguagem, como também de condenar os homens que pudessem ter um qualquer desses desvios, sobretudo quando estivessem dispostos a aceitar a sua responsabilidade individual pela desconformidade e o destempero. Portugal está pois, com esta magnífica peça acusatória do IDP e do Governo ao treinador Carlos Queirós no mundo das virgens e dos “juízes do tudo e do nada”, com um poder governamental que já nem faz questão ou cerimónia em invadir esferas autónomas e independentes do desporto para dar a cumprir a razão de Estado.

Queirós é nesta “ópera bufa” apenas um pequeno vulto destinado a expiar os pecados de lesa majestades que impropriamente cometeu.

Honra pois aos máximos virtuosos, excelsos e vigilantes Doutores da Secretaria de Estado do Desporto, do IDP, da ADoP, e especialmente à virgem mãe do Doutor Luís Horta que ficará nos anais do desporto português e nos do Tribunal Arbitral do Desporto (e na FIFA, portanto)”.


José Pinto Correia, Mestre em Gestão do Desporto

Disponível em Colectividade Desportiva.

Não concordando com as ideias expandidas neste artigo, não deixo todavia de divulgar uma opinião plural sobre o “caso Carlos Queiroz”. Não fosse com interesse para a questão jurídico-desportiva em causa e porventura passaria despercebido.

Esclarece-se de uma vez por todas que para o blogue Ala de Rei, os insultos ordinários proferidos pelo Sr Carlos Queiroz têm a mesma importância disciplinar e desportiva do que as ordinárias e obscenas palavras proferidas pela vice-presidente da Direcção da Federação Portuguesa de Xadrez e Presidente da Direcção da Associação de Xadrez de Lisboa e Chefe da Delegação de Portugal às Olimpíadas de Xadrez e Congresso da Federação Internacional de Xadrez, Maria Armanda Plácido, proferidas na cidade de Dresden, Alemanha, em 2008.

Se a FPF tem um Madaíl, a FPX tinha e tem um Bravo na Direcção. Mas onde está a diferença? Está no relvado. No dia em que o xadrez se jogar com os pés talvez a força do jogo mude. Com um secretário de Estado do Desporto a assistir.

Até lá… uns divertem-se a brincar ao dirigismo desportivo e a insultar quem lhes desagrada e outros a remar contra a corrente…

Xadrez e Futebol cada vez mais iguais!



«Recent research at Stockholm University shows that equally strong male and female chess players employ different opening strategies» Paper by Swedish researcher Patrik Gränsmark

Thursday, August 12th, 2010

The males tend to play aggressive openings against female opponents of the same playing strength, even if it increases the probability of losing the game. That has to be classified as irrational behavior. Paper by Swedish researcher Patrik Gränsmark.

Read more ChessBase.

Read Paper by Swedish researcher Patrik Gränsmark.

The figure displays how the judges reasoned when labeling an opening as either aggressive or solid.

«Melhorando no Xadrez: o erro crítico a evitar» por Natalia Pogonina

Sunday, August 8th, 2010

O Vice-presidente do Clube de Xadrez de Florianópolis (CXF) e Campeão actual de Florianópolis, Daniel Brandão, informa no seu excelente blogue Xadrez Dojo que traduziu o artigo Getting Better in Chess: The Critical Mistake to Avoid, da grande mestre feminina Natalia Pogonina que esta publicou em Chess.com.

É para esta tradução de Daniel Brandão que publicou no sítio do CXF, que remeto os leitores, permitindo-me transcrever um excerto, a título de introdução.


Para GMs jogar xadrez é como andar de bicicleta. É difícil e não há como descrever em detalhes como se consegue, mas depois de um tempo de prática você fica bastante hábil.

Natalia Pogonina


Todos os dias recebo várias mensagens de fãs (obrigado, pessoal!) e muitas delas são dedicadas ao assunto sempre atual “como posso melhorar no xadrez?”. Faço o melhor para oferecer boas orientações para cada um, no entanto há um caso comum que pode ser comentado nessa coluna. Mostrarei uma das mensagens recentes (um pouco editada por questão de discrição):


Gostaria de perguntar sobre como aprender a pensar em xadrez corretamente. Espero que você tenha tempo para responder. Se não tiver, entenderei. Sou um amador e tenho trabalhado muito para melhorar. Na última semana li o livro The Improving Chess Thinker de Dan Heisman. Ele trata do nosso processo de raciocínio no xadrez. Tenho a impressão agora que minha maneira de refletir enquanto jogo não é sempre estruturada e disciplinada como deveria ser. Às vezes movo sem pesar suficientemente as consequências.

Agora minha pergunta é: como você acha que nós (amadores) poderíamos desenvolver uma maneira correta de pensar durante a partida? Você recebeu algum treinamento em relação a isso? Qual seria seu conselho? Espero não lhe tomar tempo com essas questões.

E aqui está a minha resposta (também com algumas edições e acréscimos):

Se você realmente quiser melhorar na prática, não deveria cometer o erro crítico dos amadores. Isto é, acreditar que xadrez necessita de um conhecimento especial, um QI incrível, memória fenomenal, etc. Isso ajuda, mas não é essencial a menos que você queira passar dos 2700 pontos de rating.

WGM Natalia Pogonina  © Mikhail Savinov


Como vi no Chess.com e em outros sites, o problema típico é que muitas pessoas gastam tempo demais lendo livros sobre teoria, meio-jogo, etc. sem jogar com frequência. E aí vem a história clássica:

Quando o campeão mundial Mikhail Tal estava realizando uma simultânea no exterior (fora da União Soviética) pela primeira vez, inicialmente ele ficou bastante receoso. Ele foi até Sosonko e disse algo como: «às vezes perco para amadores soviéticos em simultâneas, mas esses caras parecem verdadeiros profissionais – sabem tanto de teoria quando eu!». Sosonko riu e disse: «relaxe, depois de 15 lances eles começam a jogar por si mesmos…». E, de fato, depois disso vários oponentes perderam em cerca de dez lances, já que eles não sabiam realmente jogar xadrez, apenas memorizaram aberturas…


O artigo de Natalia Pogonina continua aqui.

(Sublinhados da responsabilidade de Ala de Rei).

Agradeço ao Daniel a informação desta tradução no sítio do seu clube e ao quem desejo as maiores felicidades na divulgação do xadrez.

«Uma daquelas coisas que nos distinguem dos Neanderthals»

Saturday, August 7th, 2010

Eis como o Grande Mestre Michal Krasenkow descreve o xadrez nas suas respostas a perguntas dos leitores no sítio Crestbook. Outros tópicos incluem títulos falsos, como a “teorização” do xadrez e os pensamentos de Krasenkow ao emigrar da Rússia para viver na Polónia.

Michal Krasenkow foi o primeiro grande mestre a participar no projecto “Conferências KC” em Crestbook. KC quer dizer KasparovChess, o nome do fórum onde os membros foram convidados a fazer perguntas.

O grande valor da abordagem, além de deixar os fãs do xadrez interagir com GMs de elite, é a visão mais profunda que fornece quer nos jogadores quer no mundo do xadrez. Como as questões são mais universais do que tópicos, o facto de ter aparecido pela primeira vez na Rússia em Setembro de 2009, tem pouca importância, embora seja interessante ver, por exemplo, como os comentários de Krasenkow sobre a imprevisibilidade no topo do xadrez parecem parcialmente desactualizados com o predomínio crescente de Carlsen.

A minha [o autor de Chess in Translation] tradução integral das respostas de Krasenkow pode ser encontrado em Crestbook.

Ler a tradução inglesa em Chess in Translation.

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