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Archive for the ‘Artigos’ Category

«Como analisar uma partida de xadrez» por Natalia Pogonina

Thursday, August 5th, 2010

O sítio Chess.com divulga o artigo da GMF Natalia Pogonina, How to Analyse Chess Games, do qual me permiti traduzir para melhor conhecimento daqueles menos familiarizados com o inglês.

O título além de sugestivo é claro e acessível, dispensando mais palavras. Não obstante Natalia Pogonina ser apenas grande mestre feminina, tem vindo a divulgar alguns textos muito interessantes para um xadrezista de clube, como se diz no nosso meio.

Fico a aguardar comentários no blogue sobre a importância de divulgação e tradução de artigos como este.

Uma das maneiras mais eficicazes de melhorar no xadrez é analisar os nossos próprios jogos. O lendário campeão mundial de xadrez Botvinnik salientou a importância desta actividade e desafiou os mestres a publicarem análises das suas partidas nos meios de comunicação. Acredito que a maioria dos leitores concordará comigo que estudando os nossos erros é mais importante do que nos determos sobre as falhas de outras pessoas. Existe apenas um pequeno problema: a maioria dos xadrezistas não tem ideia de como fazê-lo.

Ok, terminou mais uma ronda. Está cansado e preocupado com a próxima partida, então por que está preocupado em analisar a derrota de hoje? Ah, desculpe, ganhou mesmo? Uma partida ganha é ganha, por que se preocupa com ela? Parece engraçado, mas muitos xadrezistas agem desta forma.

Uma segunda opção generalizada está longe também de ser perfeita: após o final do torneio os jogadores ligam os computadores, identificam rapidamente os erros e substituem-nos (usando a barra de espaços) pelo lance “correcto” e rapidamente criam a árvore de aberturas (os lances duvidosos são substituídos pelas linhas do livro mais popular). Um quarto de hora e está feito! Todavia, esta abordagem dificilmente consegue algum efeito.

Se a descrição acima se encaixa mais ou menos a si, devia perguntar: qual é a maneira correcta de analisar partidas? Vamos falar sobre isso detalhadamente:


1. Logo após o jogo terminar deve anotar os pensamentos que teve durante a partida. Isso ajuda mais tarde a compreender a natureza dos seus erros. Por exemplo, anotar: «Eu queria colocar o cavalo em f5, mas tive receio do lance g5 das pretas». Ou, «Eu acreditava que essa troca conduzisse a uma estrutura de peões favorável, por isso quis trocar todas as peças e ganhar o final». Nesta fase não há necessidade de utilizar programas de análise de partidas. É claro, se alguém encontrar aí um buraco, pode ser forçado a corrigir as suas aberturas. Deixe o seu treinador/segundo (se o tiver) fazê-lo ou reveja você próprio a variante, mas não alimente o seu assistente de computador com toda a partida.


2. Assim que tiver tempo livre (depois do torneio), deveria lembrar-se o que aconteceu no tabuleiro. As suas anotações serão úteis neste momento. Agora terá a oportunidade de corrigir suas decisões e tentar perceber onde errou. Tente analisar a partida lance por lance e encontrar refutações tácticas, os erros posicionais, planos correctos, etc. Anote novamente a partida usando uma cor diferente, isto é,  usando uma cor diferente, por exemplo, «Eu queria colocar o cavalo em f5, mas tive receio do lance g5 das pretas». «Acho que deveria ter feito isso de qualquer maneira uma vez que g5 vai para h4 com boas hipóteses de ataque para as brancas».


3. Quando terminar, finalmente pode levar ir buscar o seu programa de análises de partidas para a ajuda. Dê uma vista e olhos nos erros que cometeu antes e durante a sua análise em casa. Preste atenção especial às posições onde não conseguir encontrar a solução correcta, após duas tentativas. Por exemplo, se cometeu um grande disparate, as hipóteses são que vai ser capaz de encontrar o lance correto em casa. No entanto, se a natureza do seu erro foi mais profunda, por exemplo, não entender uma certa posição no meio-jogo ou não saber lidar com finais, as hipóteses é que vá enfrentar problemas, desembaraçando-se ainda durante o post-mortem. Neste caso, o seu PC ou o treinador podem revelar-se extremamente úteis.


4. Depois de rever a partida e anotações utilizando um programa de análise de partidas, preste atenção especial aos momentos chave da partida. Memorize os princípios associados, isto é, «em tal final de torres os peões devem estar colocados assim» ou «nesta abertura, o bispo de casas brancas não deve ser trocado uma vez que a sua conservação é essencial para proteger as casas brancas na aa de dama». Ou «em tais estruturas um peão isolado pode vir a ser uma força e não uma fraqueza». O mesmo se aplica à sua árvore de aberturas – fazer as alterações apropriadas.


Na última vez vimos uma partida do torneio Mulhouse 2010-GM que eu deveria ter vencido, mas perdi. Agora é a situação contrária: eu estava totalmente perdida, mas consegui reagir e acabei por agarrar o ponto todo. Aqui está como continuou:

Wirig, A. (2491) vs. Pogonina, N. (2501)

Mulhouse 2010 – GM | Round 5.4| ECO: D30 | 0-1

Ver a partida

Tendo enfrentado sérios problemas na abertura, eu tinha que analisar a partida com cuidado para me certificar de que não voltará a acontecer. Além disso, graças à análise, actualizei os meus conhecimentos de finais de Torre e Dama contra Torre. Isto é benéfico para um jogador de xadrez melhorar.

P.S. Uma advertência clássica: Percebo muito bem que para muitas pessoas o xadrez é um jogo praticado por diversão, por isso não estou a dizer que todos devem seguir os passos descritos anteriormente. No entanto, para as pessoas que levam a sério o xadrez e ou estabelecem objectivos ambiciosos, este processo é quase sempre um dever fazer.

Ler o artigo de Natalia Pogonina em  Chess.com.

(Sublinhados da responsabilidade de Ala de Rei)

“A Batalha dos Cérebros” artigo da Time, 31 Julho 1972

Saturday, June 5th, 2010

Pessoa amiga, mas que escolheu o anonimato, fez-me chegar este artigo publicado na revista norte-americana Time, de 31 de Julho de 1972, onde aparecia o artigo Batalha de cérebros (Battle of the brains), a luta entre o Cavaleiro Errante o o Rei.

A capa da Time é bastante famosa e encontra-se com facilidade na internet, mas o artigo nem por isso. Agora, as coisas estão facilitadas, já este artigo com cerca de 4o anos está à disposição de todos em Time online.

A terminar, os meus sinceros agradecimentos a este anónimo amigo. E já agora, sempre que encontrar preciosidades, não hesite, a minha caixa de correio electrónico está à sua disposição.

Uma reflexão sobre o twitter e a sua utilidade prática

Friday, June 4th, 2010

Uma das grandes vantagens do twitter é receber as mensagens que alguém emite. Quando sabemos escolher os remetentes podemos aceder a muita (e, por vezes preciosa), informação que de outra forma não saberíamos sequer que foi disponibilizada.

A maior desvantagem poderá (é concerteza), acumular remetentes (informadores), o que sendo interessante acumular informação, coloca-nos numa situação perigosa e desnecessária: ter uma quantidade de informação “não tratada” – e se não está tratada é uma inutilidade – pelo tempo que perdemos a ler para encontrar algo que valha a pena.

Qual a solução? Uma situação de equilíbrio. Ter discernimento nas opções a efectuar. Se não tenho muito tempo não vale a pena recolher muitos remetentes. Porque vou ter que ler (caso contrário, o efeito útil perde-se) tudo, enquanto com menos tempo, menor necessidade tenho da quantidade de informação.

Assim, quem aceder ao @AladeRei, por exemplo, poderá conferir, que recebo informações de poucos remetentes (que disponibilizam o que bem entendem) mas leio tudo o que é escrito. Nada me incomoda que sejam bem menos de uma dúzia de “fornecedores” de notícias, mas está lá muito o que de essencial existe no xadrez actual – é preciso não esquecermos que nem todo têm twitter, preferindo apostar noutro modelo do tipo FaceBook, uma ferramenta menos eficaz, porventura.

Por outro lado, não estou preocupado com quem me procura e lê, mas não deixa de ser curioso que os leitores fiéis estão lá com uma regularidade impressionante, o que demonstra que quem me escolheu ler não o terá feito por acaso e não perde tempo com desnecessidades.

Quando vejo por aí, alguns indivíduos com centenas de seguidores e até milhares, pergunto-me o que que conseguirão fazer da sua vida quotidiana ou então (se não é para ler tudo) para que coleccionam endereços no twitter.

‘Grandmaster Flash’ A batalha para a presidência da FIDE é sobre xadrez, política ou grandes, grandes egos?

Thursday, May 27th, 2010
Anatoly Karpov, grande mestre de xadrez e ex-campeão mundial de xadrez, encontrou-se em rota de colisão com o Kremlin sobre o futuro do xadrez mundial.

Erguendo-se pela nomeação russa para a Federação Internacional de Xadrez (FIDE), desafiou o actual, o presidente da República da Kalmykia Kirsan Ilyumzhinov e entrou em colisão com o seu aliado o alto funcionário do Kremlin, Arkady Dvorkovich.

O artigo de Roland OliphantGrandemaster Flash, foi publicado em Russia Profiler, continua. Ler mais.

«Uma selecção nacional não pode ser uma concentração de mercenários que só querem ser portugueses como porta de entrada na Comunidade Europeia» (Dr Mário Bacelar Begonha)

Wednesday, April 14th, 2010

O sociólogo Mário Bacelar Begonha publicou hoje, no DN, um artigo de opinião O “valor” da nacionalidade. Não podia estar mais de acordo com ele e resumo o seu texto com a citação escolhida pelo DN para ilustrar o artigo – «Não se ‘compra’ a nacionalidade como se compram batatas».

 

O “valor” da nacionalidade

Ensinava-se na OPAN (Organização Política e Administrativa da Nação) que a soberania residia na Nação e que esta era o conjunto dos cidadãos. Renan vai mais longe e explica melhor, dizendo que «Nação é um conjunto de pessoas com um passado comum, com um presente comum e com aspirações comuns para o futuro». Malraux acrescentou-lhe com uma comunidade de sonhos para o futuro»»…

Ora, parece que é um valor inestimável, a nacionalidade, motivo de orgulho e de honra, mas são certamente “estados de alma” que só são possíveis para quem foi imbuído da cultura da Nação, desde tenra idade e que por isso está disposto a fazer sacrifícios, se para tanto for necessário, como defender o País contra qualquer invasor, para além de qualquer serviço cívico, inclusive, o desempenho de cargos políticos, por isso mesmo mal remunerados.

Para quem entende a nacionalidade como uma “coisa” quase sagrada, torna-se difícil compreender e aceitar, que seja susceptível de ser traficada num “mercado” e que alguém possa vir a lucrar nesses negócio, como intermediário.

Mas… fontes da Polícia Judiciária publicadas em jornais diários têm desmascarado “redes” que se dedicam a esse “negócio”…

Só que não nos parece assunto que possa ser discutido por uma instituição de utilidade pública, como é uma federação desportiva, e muito menos que façam diligências nesse sentido, mesmo partindo do princípio, óbvio, de que não terão qualquer vantagem material com o assunto.

Sabemos que há regras para a atribuição da nacionalidade, mas também pensamos que existem (ou deveriam existir) regras para a retirar a quem, publicamente, a renega ou repudia ou que demonstra, por palavras e acros, não a merecer.

Seria bom que a Federação Portuguesa de Futebol tivesse em atenção e tentasse uma exegese acerca das recentes palavras de José Mourinho referindo-se a jogadores de futebol “nacionalizados” na selecção portuguesa, caso ele fosse seleccionador.

Só demonstra que de facto”ele” é um português de “gema”, ou seja, “o que há de mais puro e genuíno”, isto à letra. E é de facto assim que terá de ser no futuro, sob pena de perdermos a nossa identidade e, por último, o que nos resta da nossa dignidade, que não pode estar “à venda” mesmo que fosse para corrigir o deficit da dívida.

Compreendemos que a culpa das afirmações de Deco (jogador de futebol) não lhe pode ser atribuída na totalidade, já que há pessoas mais responsáveis, portadores de cultura superior e com estatuto, que de facto facilitaram, embora com um objectivo nobre, colocar a selecção a ganhar.

Mas para tudo na vida há limites e não se pode ir ao mercado “comprar” a nacionalidade, como se compram batatas.

Deco fez questão de dizer, no estrangeiro, e por estar interessado em regressar ao Brasil, que «agradecia muito a Portugal o que fez por ele, mas que ele era brasileiro». E como tal  se afirma publicamente. Ora, só esperamos que lhe seja retirada a nacionalidade portuguesa já que ele não “precisa” dela.

E seria bom, no futuro, que certos dirigentes desportivos tivessem em conta que uma selecção nacional não pode ser uma concentração de mercenários que só querem ser portugueses como porta de entrada na Comunidade Europeia.

No fundo é uma geopolítica desportiva das necessidades, do que se trata. Mas leiam primeiro «… a Fome», de Josué de Castro, para perceberem o contexto destas palavras. «Antes sofria-se, matava-se e morria-se para salvar a alma. Hoje, o homem sofre e faz sofrer, mata e morre, realiza coisas magníficas e coisas horrenda, apenas pêra salvar a pele» (Curzio Malaparte).

Mas não à custa de uma nacionalidade. Com isso não se brinca.

 

(Sublinhados da responsabilidade de Ala de Rei)

«A minha resposta ao paradoxo de Fermi» pelo GM Yasser Seirawan

Friday, April 9th, 2010

Podia ler-se ontem no Chesse Base que

A nossa história do 1º de Abril não foi uma piada: teve um grande, mesmo profundo, eco. O GM Yasser Seirawan enviou-nos algumas ideias sobre o paradoxo de Fermi , enquanto outros leitores nos pediram para divulgar mais artigos com «histórias que abordam as relações do xadrez com outras áreaas da actividade humana». 

 

E publicada um texto do norte-americano Yasser Seirawan, My answer to the Fermi paradox (A minha resposta ao paradoxo de Fermi), no qual o grande-mestre, afirmava, a tíitulo de introdução que

A minha resposta para o paradoxo de Fermi é a simples e óbvia: as sociedades avançadas extraterrestres tornaram-se virtuais. Eles construíram expansivos mundos de estonteante e complexidade beleza. Aprenderam a colocar os corpos em estados criogénicos em máquinas de energia solar para que possam alargar o seu ciclo de vida e evitar lesões, bem como virus. Criaram complexos avatares de si mesmos nos mundos virtuais que eram muito mais resistentes do que os seus próprios corpos.

 

O artigo continua em ChessBase.

O artigo que parece um conto de ficção científica – sê-lo-á para muitas mentes – não destoa muito dos escritos e contos de antecipação científica de Jules Verne, Arthur C. Clarke ou mesmo de Carl Sagan.

O Jogo de Xadrez enquanto metáfora do Direito

Sunday, December 13th, 2009
Artigo de Honório de Medeiros (Mestre em Direito; Professor de Filosofia do Direito da Universidade Potiguar (Unp); Assessor Jurídico do Estado do Rio Grande do Norte; Advogado (Direito Público), publicado no seu blogue pessoal.

 

Suponhamos dois circunstantes que se disponham a jogar uma partida de xadrez. 

Para iniciá-la, deverão estar previamente concordes quanto às regras a serem seguidas. Sabem que descumpri-las é fatal: haverá sanção (no jogo de damas, cartas, ou outro qualquer, as regras surgirão, também, através de acordo preliminar). 

Uma vez iniciada a partida, ela desenvolver-se-á em dois planos: no primeiro, sob a égide de regras que disciplinam o jogo, e que são oriundas de fatores a ele externos, tais como as decisões da Federation Internationale Des Echecs (FIDE), entidade que congrega e ordena a atividade enxadrística em nível internacional ou mesmo o regulamento do torneio do qual estão participando os contendores; no segundo, deverão (ou não) serem observadas, pelos contendores, regras (técnicas) imanentes à própria disputa, ao jogo-em-si, descobertas ao longo do tempo pelos estudiosos para que se obtenha a vitória almejada: noções estratégicas, táticas, questões atinentes às aberturas, defesas, e assim por diante. 

Quanto ao segundo plano pode-se falar em duas realidades distintas: a estática e a dinâmica. A primeira diria respeito à estrutura que a configuração das peças, em determinado momento da partida, origina em termos de vantagem para um ou outro (algo como, numa batalha interrompida, a quantidade de soldados, tanques, armas das quais disporia cada exército); a segunda corresponderia à variáveis puramente abstratas e nos daria uma idéia acerca de quem, por exemplo, detém a iniciativa no jogo (comanda a ordem dos acontecimentos). 

O observador cognoscente pode analisar esse objeto cognoscível (o jogo) de três formas diferentes: na primeira, enquanto não-participante, ao se perguntar acerca da história dessa disputa, as causas do seu surgimento, a psicologia dos participantes e, nesse caso, estará trabalhando enquanto historiador, psicólogo, ou sociólogo. Se o analisa enquanto metáfora da guerra, ou empreende a construção de uma teoria política utilizando a luta, o debate, o jogo como paralelos, desenvolve uma atitude filosófica. 

A terceira forma impõe o raciocínio dedutivo e nos surpreende atuando enquanto participante do jogo, às voltas não somente com aquelas regras impostas de fora para dentro pela FIDE ou Direcção do Torneio, mas, também, com as outras exigidas pela estratégia e tácticas para a obtenção da vitória: aqui é-se um protagonista da cena enxadrística. 

Assim também o é o Direito, do qual o Xadrez pode ser uma metáfora, atento a quanto ele o é da guerra em si. 

‘Desporto’… em Portugal

Thursday, December 10th, 2009

O Sociólogo Mário Bacelar Begonha escreveu hoje no Diário de Notícicas

É dificil, em “Portugal”, falar de “Desporto” quando a maioria traduz tal conceito por futebol (profissional). Trata-se de um “conceito” que numa sociedade desenvolvida significa parte integrante da Educação Física, hoje versus Motricidade Humana que, com o é sabido, engloba ginástica, jogos e desportos. Segundo alguns autores deveria ainda juntar-se a “iniciação desportiva”.

Só que a confusão, e a ausência de conhecimento, levaram o poder político a não perceber que não pode, nem deve, abdicar de uma “Secretaria de Estado do Desporto” integrada no “Ministério da Educação”.

Absurdo dos absurdos é a existência de uma Secretaria do Desporto para o sector profissional. Bastava uma Direcção-Geral dos Espectáculos Desportivos.

Há que destrinçar entre desporto profissional e desporto amador. Por outro lado, há que perceber que a juventude que é “obrigada” à escolaridade até ao 12.º ano deve estar vinculada ao Ministério da Educação.

A educação é um fenómeno global e segundo o “Gestaltismo” o homem é um todo, uno e indivisível. Por isso não existe uma educação do “corpo”, outra do “espírito” e outra da “alma”, o que existe é tão-só “educação”.

E assim sendo, não compreendemos como o poder político ignora tal facto, ou parece ignorar, já que afirma publicamente, a sua grande preocupação com a formação da juventude.

O poder político tem de se preocupar com a sua “eficácia”, pois é a partir dela, ou em resultado dela, que se pode legitimar a sua continuidade na governação da grei.

Ler mais em DN online.

«Os licenciados e as profissões do desporto» pelo professor António Vicente

Wednesday, November 25th, 2009

O professor António Vicente publicou no blogue Artigos de Opinião DespUBI, um artigo relacionado com a profissão de professor do ensino secundário na área do desporto e a publicação do diploma legal que estabelece o regime de acesso e exercício da actividade de treinador de desporto.

 

Os licenciados e as profissões do desporto

Actualmente existem em Portugal 25 cursos no Ensino Superior Público que formam Licenciados na área do Desporto. Desses, 9 são no ensino Universitário (em 7 instituições diferentes) e 16 são no ensino Politécnico (em 12 instituições diferentes).

Temos assim, e só no Ensino Superior Público, um total de 1075 vagas (todas preenchidas este ano lectivo mais uma vez, refira-se) para formar licenciados na área do Desporto (naturalmente prescindimos a referência aos dados do Ensino Superior Privado o que acrescentaria, julgamos, mais algumas centenas de vagas na área).

Em 30 de Março de 2009 entrou em vigor o Decreto-Lei nº 248-A/2008, de 31 de Dezembro, que estabelece o “regime de acesso e exercício da actividade de treinador de desporto”. Este diploma veio regular o acesso à profissão de treinador de desporto dispondo, de uma forma simplificada, que só pode exercer a referida profissão quem possuir uma “cédula de treinador de desporto” cuja obtenção passa a estar dependente do Instituto do Desporto de Portugal, sendo estas reguladas pelas Federações desportivas.

Tal significa que, para se poder ser treinador no desporto é necessária uma cédula que depende essencialmente das Federações desportivas, e serão estas a decidir que formações dadas nos cursos superiores permitirão ter equivalência à mesma (aos níveis iniciais, é claro). Estamos assim numa situação onde a experiência desportiva ou umas poucas dezenas de horas de “formação” resultarão numa qualificação superior a um licenciado que trabalhou e estudou mais de 4500 horas na respectiva área.

Este é apenas um exemplo mas poderíamos referir muitos outros na área do Desporto (como os ginásios, as autarquias, o turismo, a fisioterapia, a reabilitação, etc.) em como as licenciaturas em Desporto foram ultrapassadas. Deixaram-se ultrapassar por outras áreas que ocuparam um espaço deixado vago pelos especialistas em Desporto (ou supostos especialistas) ou ficaram até reféns de outras áreas e interesses.

Se não havia grande problema (ou assim se julgava) enquanto existiam muitas profissões da área e muitas vagas que podiam albergar as centenas de licenciados que todos os anos eram formados em Desporto no Ensino Superior, actualmente as implicações têm muito mais impacto.

Ser professor no Ensino da Básico e/ou Secundário é já praticamente impossível e assim continuará, previsivelmente, nos próximos anos (vão ainda existindo algumas vagas nas AEC’s no 1º Ciclo mas por pouco tempo…). No treino agora já não podem entrar, ou então ficam como auxiliares do “treinador à séria”. Na “animação desportiva” não são bem-vindos. Na fisioterapia ou reabilitação há anos que já nem se atrevem a tentar. As alternativas nos últimos anos estavam assim limitadas aos ginásios e clubes desportivos locais, mas sempre trabalhos muito mal remunerados (isto caso fossem remunerados…).
Estamos assim numa situação em que o desemprego dos licenciados em Desporto começa a aumentar significativamente e, pelo contrário, as ofertas na área continuam escassas ou inexistentes.

Este é, assim, um momento de crise em que é preciso agir, em que urge tomar decisões que mudem o rumo desta tendência. Fazer alguma coisa passa, certamente, por actuar ao nível da legislação. Mas passa também e fortemente por definirmos as competências de um licenciado, o conhecimento que deve dominar, as capacidades que deverá ter e, sobretudo, exercer. A mudança, se vamos de facto fazê-la, será feita já sobre uma crise existente. É como fazer a manutenção do navio quando a tempestade já estalou, não é claro a melhor altura, mas antes de irmos ao fundo ainda haverá possibilidades. Há mais de vinte anos que os avisos abundam, mas caíram, como se vê, em saco roto.

Mas também é possível continuar “na desportiva”, sem fazer nada, à espera do “milagre salvador”. Não nos podemos, é esquecer que não fazer nada é uma decisão como outra qualquer, também com consequências e implicações.

Covilhã, 22 de Novembro de 2009

António Vicente

Nota: Os dados apresentados são referentes ao ano lectivo em curso (2009/2010) e estão disponíveis em www.dges.mctes.pt/DGES/pt

«E o campeão é…», artigo de José Manuel Meirim no Público

Thursday, November 12th, 2009

Embora ligeiramente atrasado, divulgo, o artigo que o Prof. José Manuel Meirim, publicou no Público, no passado domingo.

O artigo desta semana versa sobre o futebol, mas a sua real importância reside no facto de se falar de direito no futebol. Claro está que se está a falar do Conselho de Justiça.

O primeiro parágrafo, no entanto, tem uma importância extraordinária. Constitui mais um manifesto contra os tiranetes que se passeiam pelos poderes instituídos. Como dizia o outro, «vocês sabem do que eu estou a falar».

 

1. Este espaço é um exercício de liberdade de expressão. Por isso quem escreve sofre as devidas (?) consequências, e em particular encontra-se sujeito às represálias dos poderes instituídos. Mas a liberdade de expressão envolve ainda danos pessoais. Auto censura-se quem, em nome da amizade, do «conhecimento», ou de outras razões, cala aquilo que, em outras ocasiões, com outros protagonistas, sempre diria. Há que dizer o que tem que ser dito.

2. A semana «futebolística» viu-se abalada com a decisão do Conselho de Justiça (CJ) relativa ao jogo de juniores, entre o Sporting e o Benfica, decisivo para a atribuição do título de campeão nacional da época passada. Foram proferidas declarações eivadas de contra-informação, num primeiro momento, em particular, pelo Benfica. Era claro que a decisão do Acórdão do CJ só tinha uma leitura possível: a atribuição do título ao Sporting.
3. É uma muito má decisão.

Mas deixemos o nefasto folclore que sempre rodeia estas matérias e vejamos a decisão do CJ, destacando o possível.

O CJ não “gostou” de decidir. Tal é patente nas observações iniciais. Critica a acção policial e a própria Direcção da FPF. Que chatice a força policial não ter agido como devia. Que grande chatice não ter a FPF instado os clubes a repetir o jogo, impedindo que um campeonato fosse decidido na “secretaria”. Com base em que norma, sem atropelo do Regulamento Disciplinar, o poderia ter feito?

Como é possível o CJ ver a sua decisão como um acto de “secretaria”? Não lhe cabe repor a legalidade e impedir que os campeonatos não se ganhem «no terreno» violando as normas?

4. Um sério e bem preocupante erro é a afirmação de que nos encontramos no domínio da responsabilidade objectiva dos clubes, isto é, em breve, não se aplicam os princípios do direito sancionatório público, como o princípio da culpa: ninguém pode ser punido sem ter culpa.

Para o CJ a responsabilidade decorre do risco próprio inerente ao exercício da actividade desportiva. Tipo instalação de gás?

Ora, o Tribunal Constitucional em 1995 (!) firmou o princípio da culpa no domínio da violência dos adeptos quando reportado aos clubes de que são seguidores. Os clubes têm deveres, desde logo o de vigilância, mas ainda o da promoção, junto dos seus adeptos, dos valores da ética desportiva. E isso perdura na lei portuguesa. Mas se o CJ não gosta desta doutrina e lê na lei e nos regulamentos uma responsabilidade objectiva, só lhe resta um caminho, o qual tem sido seguido pelos tribunais franceses e italianos: não aplicar normas que são inconstitucionais e ilegais por violarem esses princípios.

O CJ não existe para aplicar cegamente os regulamentos federativos, mas antes o Direito.

5. Por último, e aqui confessamos que estamos a ir um pouco além do que devíamos (pois todos nós não conhecemos os elementos de prova), uma palavra sobre os factos dados como provados no CJ: quando os adeptos do Benfica passaram por trás de uma das bancadas onde estavam adeptos do Sporting voltaram a acontecer situações de insultos e os primeiros apedrejamentos simultâneos entre adeptos. Ora isto foi antes ou depois da fuga – legítima – para o relvado das pessoas que se encontravam na bancada? Se foi antes faz toda a diferença, pois o CJ entende que foram apedrejamentos simultâneos.Infelizmente (palavras do próprio), os regulamentos obrigavam à instauração de um processo disciplinar no âmbito do qual competia, em exclusivo, aos órgãos jurisdicionais a decisão de mandar ou não repetir a partida (outro chateado com os próprios regulamentos, mas pelo menos, ao contrário do CJ, parece que os conhece).

6. O título deve ser atribuído ex aequo e há dois campeões: o CJ e o Presidente da FPF.

Este, no passado dia 2 (devia estar em Lisboa) fez uma declaração à nação do futebol. Diz ele que quando ocorreu a «coisa» estava fora do país defendendo, no entanto, que se mandasse imediatamente repetir ou continuar o jogo a partir do momento da interrupção. 

“Mais uma vez, uma tomada de decisão célere da FPF, defendida por mim e outras pessoas, esbarrou nos velhos problemas do futebol português. (…) Como se sabe (…) a Direcção que lidero apresentou uma proposta de novos estatutos (…) que poderia abrir caminho a algumas soluções, nomeadamente reforçando os poderes do executivo para tomar medidas céleres e adequadas a várias situações (…)”.

Traduzindo: tivesse eu poder absoluto e isto não tinha chegado ao que chegou, sendo certo que embora esteja consciente dos “velhos problemas” convivo com eles há muito tempo. É uma chatice, ainda por cima quando temos que respeitar normas. É tudo uma enorme chatice. O futebol está cheio de masoquistas. 

Mais palavras para quê?

O Prof. Meirim não podia ser mais claro. Como se vê um artigo sobre o futebol em que personagens principais são o Presidente e o Conselho de Justiça da FPF.

O desporto no seu melhor! 

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