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Por uma nova Federação Portuguesa de Xadrez – Carta Aberta ao Eng. Jorge Antão

Thursday, April 22nd, 2010

 

Senhor Eng. Jorge Antão,

Não obstante o associar ao excelente projecto de xadrez em que está envolvido, não tenho o prazer de o conhecer pessoalmente.

Não será, por isso, que deixarei de lhe dirigir as linhas seguintes. Hesitei em fazê-lo, para evitar ser mal interpretado. Mas a consciência sobrepôs-se. Tenho por adquirido que na situação inversa não deixaria de fazer o mesmo.

É-me dado saber da sua disponibilidade para presidir à FPX e do seu interesse em conhecer o que se passa actualmente no xadrez: as suas dificuldades, os seus problemas e os seus casos.

Caso venha a exercer o cargo convém saber com o que conta de imediato.

Duas ordens de razões levam-me a escrever-lhe. Sintetizo-as em dois acontecimentos recentes, mas de grande relevância: as palavras do secretário de Estado da Juventude e do Desporto, a propósito da suspensão do estatuto de Utilidade Pública Desportiva e a Declaração de Candidatura a Presidente da FIDE do ex-campeão do mundo, o GM Anatoly Karpov.

Disse o Dr. Laurentino Dias:

«Quem recebe do Estado a utilidade pública desportiva para promover uma modalidade também tem que dar ao Estado o mínimo e o mínimo é cumprir o que a lei determina»

Estas palavras não podiam ser mais adequadas à realidade da FPX, que é grave.

Tomo, por isso, a liberdade de lhe fazer chegar alguma informação que recordará, se, entretanto, esta não lhe tiver sido sonegada ou desvalorizada. O que lhe apresento são factos que podem ser comprovados documentalmente.

 

I. A legalidade na FPX

O acto eleitoral em que foi eleito Presidente da FPX está ferido de ilegalidade por ter sido realizado com a participação de eleitores (delegados) que não tinham capacidade para o fazer.

Por mais de uma vez reclamei a ilegalidade do processo eleitoral. O Presidente da Com. Eleitoral, Fernando Castro e os restantes membros – que não são juristas – não encontraram ilegalidades.  E, no entanto, elas existiram como se provou.

Resolvi, por isso, requerer a impugnação do acto eleitoral perante o Conselho de Justiça que – constituído por juristas – decidiu declarar nulo e de nenhum efeito o acto eleitoral para os delegados dos clubes! Isto é, dezasseis Delegados à Assembleia Geral da FPX estão ilegais e não podiam participar no acto eleitoral que o elegeu a si!

Acresce as reclamações que apresentei aos cadernos eleitorais e ao acto eleitoral dos técnicos, um eufemismo que a FPX utiliza para chamar aos treinadores, contornando a lei que, de acordo com o regime jurídico respectivo, não existem na FPX. Mais uma vez, a Com. Eleitoral não reconhece a existência de quaisquer ilegalidades na eleição dos representantes dos técnicos. E, no entanto, mais uma vez, elas existiram, como se provou.

O Conselho de Justiça decidiu suspender os efeitos do acto eleitoral dos técnicos até a FPX informar se os eleitores são treinadores! E nós sabemos que não são, não é assim? Falta-lhes a cédula.

No final do processo, sob proposta do novo Pres. da Mesa da Ass. Geral, Tiago Pinho, também ele ilegalmente eleito, a Com. Eleitoral na pessoa do seu presidente foi premiada com um louvor.

Permita-me a transcrição deste excelente e elucidativo naco de prosa: «Por este motivo… os delegados empossados à Assembleia Geral da FPX reconhecem e dão público testemunho da grande capacidade de trabalho, elevado grau de competência e alto sentido de responsabilidade… demonstrou na presidência…» – o qual foi aprovado por unanimidade e aclamação dos presentes  (mesmo por aqueles que não deviam lá estar!). O Presidente da Mesa da Ass. Geral, que é jurista e os delegados presentes sabiam o que estavam a aprovar? É assim na actual FPX.

Considerando ilegal a norma estatutária que aceitava a existência de técnicos, requeri ao Procurador da República a análise da situação  e este informou-me ter notificado a FPX para rectificar os Estatutos para alterar o termo “técnicos” para treinadores, impossibilitando que os delegados, indevidamente eleitos, possam ocupar um lugar na Assembleia Geral da FPX.

A FPX foi notificada pelo Procurador da República em 21 de Dezembro – há quatro meses – para alterar os estatutos, mas ainda não encontrou disponibilidade para fazer a aprovação nas Assembleias Gerais de Fevereiro e agora em Abril!

A situação é de tal modo grave que, não obstante, cerca de metade (19 em 40) dos delegados à Assembleia Geral não poderem ser considerados eleitos, pelas razões expostas – ilegalidade na eleição - o Pres. da Mesa da Assembleia Geral, Fernando Castro, não viu irregularidades e convocou os delegados “eleitos” para a tomada de posse.

A FPX escondeu – a decisão não consta das Decisões do C.D. e C.J. disponibilizadas - a informação da impugnação e a decisão do Conselho de Justiça aos xadrezistas cerca de um mês e mesmo assim, ainda hoje ninguém sabe onde está disponível esta decisão do CJ, não obstante, nos termos legais, as federações desportivas deverem publicitar através da respectiva página na Internet as decisões integrais dos órgãos jurisdicionais e a respectiva fundamentação (artº 8º, b), do regime jurídico das federações desportivas).

Para acabar de vez com os incómodos recursos, um habilidoso delegado (eleito por um acto eleitoral considerado nulo, logo, um delegado sem competência para tal) sugeriu e o Presidente da Mesa da Ass. Geral (também ilegalmente eleito) propôs, e ambos votaram, a alteração estatutária para que o Conselho de Justiça deixasse de ter competência para decidir as impugnações relativas a actos praticados no âmbito do processo eleitoral.

O órgão máximo da FPX – a Assembleia Geral – viola e convive com a violação das disposições legais, estatutárias e regulamentares.

Foi nesta Assembleia Geral que foi eleito Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Tiago Brandão de Pinho, o jurista que não encontra ilegalidades no processo da sua eleição, nem antes nem depois da decisão do Conselho de Justiça da FPX.

A democracia e a transparência da FPX no seu melhor!

Mais, o incumprimento das decisões do Conselho de Justiça da FPX, nos termos do Regulamento de Disciplina, são consideradas «infracções muito graves» (artº 14º) e a que correspondem, no mínimo, a sanção de «repreensão registada» (artº 20º, a). Mas isto, ao zeloso jurista que preside à Mesa da Ass. Geral da FPX,  é coisa despicienda.

Todos os sócios têm o dever de cumprir os estatutos e regulamentos da FPX, mas alguns quando detêm cargos nos órgãos sociais federativos, sentem-se desonerados dessas obrigações legais. Ou desconhecem as suas obrigações legais, estatutárias e regulamentares?

Desde 27 de Novembro de 2009 – há seis meses! – data da decisão do Conselho de Justiça, que os órgãos sociais da FPX, em especial, o Presidente e a Direcção ignoram tal decisão, o que constitui uma conduta reiterada de incumprimentos estatutário e regulamentar, passível de responsabilidade civil e disciplinar.

Procurador-Geral da República e o Presidente do IDP não podem deixar de tomar conhecimento e proceder em conformidade para que a legalidade seja reposta na FPX. (Aliás, já fui informado da melhor forma de fazer chegar junto da Procuradoria um dossiê sobre os factos que pretenda requerer a intervenção do Sr. Procurador). 

Quanto às alterações ao Quadro Competitivo do Nacional por Equipas nem é bom falar, atenta a forma como foi pensado, discutido e aprovado – um golpe!

Em plena Assembleia Geral de 25/11/2007, quando se entrou no ponto da ordem de trabalhos, o Pres. da Mesa da Ass. Geral, Fernando Castro, diz que «não tinha recebido nenhuma proposta de alteração de qualquer articulado», mas o Pres. da AX Porto, fez aparecer do nada, não uma, não duas, não três, mas cinco propostas de um novo Quadro Competitivo e a Ass. Geral aprovou uma delas - a que está em vigor - por 23 em 45 votos dos presentes de um universo de 87 votos possíveis! A Assembleia Geral aprovou uma proposta que desconhecia que existia!

No passado dia 20 de Fevereiro, fez um ano que requeri diversos documentos administrativos. Nem de livre vontade, nem pressionada pela Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos, a FPX, nas pessoas do Presidente e Vice-Presidente, respectivamente, António Bravo e Rui Henriques, disponibilizou a esmagadora maioria dos documentos.

O acto eleitoral para os representantes dos clubes decorrido no dia 25 de Outubro p.p., foi declarado nulo e de nenhum efeito. Do ponto de vista do direito, este acto eleitoral não existiu e terá de ser, por isso, repetido.

Assim, e em resumo, a ilegalidade na FPX é uma prática comum a que se juntam outros casos de denúncias de situações menos claras no cumprimento da lei e regulamentos na FPX.

Se forem levadas a sério as declarações do Dr. Laurentino Dias, também a FPX se encontra em condições de poder vir a perder o estatuto de Utilidade Pública Desportiva, como admite o Prof. José Manuel Meirim, em artigo recentemente publicado.

Sr. Eng. Jorge Antão, encontro-me disponível para aprofundar as questões aqui abordadas ou outras que tenha interesse em conhecer ou esclarecer, tanto quanto a distância que nos separa o permita.

 

II. Uma nova FPX?

Parafraseando a declaração de candidatura do GM Anatoly Karpov à presidência da FIDE, também por cá, são exigíveis alterações estruturais e comportamentais para uma nova FPX.

Será exigível um novo rumo, uma nova actuação, que sintetizo nesta mão-cheia:

  • Um novo rumo com uma nova liderança;
  • Apoio nacional em todos os níveis;
  • Acabar com a crise com um regresso às origens da FPX;
  • Transformar o xadrez num desporto moderno (e profissional);
  • Capacidade para unir e mobilizar a comunidade. 

Nestes termos, a FPX é reformável?

A FPX está debilitada e continuará a degradar-se se a seriedade e a credibilidade forem constantemente postas em causa com o reiterado incumprimento das disposições legais, estatutárias e regulamentares.

A FPX existe como associação desportiva para promover o xadrez, realizar competições federadas e apoiar a alta competição. A FPX  não pode e não deve substituir-se ao Min. Educação, quanto ao xadrez escolar,  dispendendo verbas com treinadoresno xadrez jovem quando o não faz com os jogadores com estatuto de alta competição – não são os seus objectivos nem os seus fins.

O apoio ao desenvolvimento regional é nulo. Onde está a verba da cativação obrigatória, nos termos estatutários, para este fim?

A falta de seriedade e transparência na elaboração dos orçamentos federativos é outro aspecto muito importante que não pode ser ignorado. Como se justifica a existência de sucessivos orçamentos rectificativos? Os orçamentos são aprovados às cegas, com receio que o IDP anule ou reduza o subsídio estatal?

A arbitragem não está autonomizada na federação, continuando, no essencial, a ser a direcção a decidir a nomeação de árbitros alguns acumulando com cargos associativos. Há anos que as competições nacionais de clubes (II e III div.) são efectuadas por “árbitros distritais”, muitos deles sem a devida preparação técnica.

A escolha de monitores ou “treinadores” é feita sem regras nem concurso aberto aos interessados, devidamente publicitados, continuando a escolher-se por conhecimentos ou amizades.

As Assembleias Gerais não têm as actas aprovadas, assinadas e publicadas em tempo oportuno. E, no entanto, aparecem resumos(?) oficiosos publicados na net, pelo Presidente da Mesa da Ass. Geral. Neste momento não se sabe onde estão as actas (o que foi discutido e aprovado por quem e como), desde, pelo menos, 26 de Julho de 2009!

As Assembleias Gerais são convocadas mas os documentos a discutir e aprovar não são disponibilizados publicamente nem distribuídos aos delegados a tempo. Os documentos de Prestação de Contas, a aprovar  na Assembleia Geral convocada para 24 de Abril p.f., não estão disponibilizados no sítio oficial da FPX a menos de 44 horas da reunião! [Actualização: às 15.05h de 23.4.2010 ainda não estavam publicadas no sítio da FPX]

Os titulares dos órgãos sociais da FPX acumulam cargos na federação e nas associações, por vezes nos clubes e ainda alguns deles exercem, em simultâneo, a arbitragem. Um descontrolo total ou a tentativa de controlar?

O sítio da FPX na Internet é um espaço em que a informação não é clara, directa e acessível, havendo situações em que ou não existe ou não se sabe onde se encontra a informação e documentação que deveria estar à disposição e à vista de todos.

 

III. O dilema a resolver

Uma nova liderança com líderes antigos não reforma coisa alguma. 

As situações descritas mostram a situação actual do xadrez federativo e o essencial da actuação federativa no mandato de 2007-2010. Ou dito de outra forma, ilustram a prestação do ex-Presidente da FPX e seus acompanhantes para o xadrez que temos.

Pensar pior é impossível.

O Presidente da FPX foi nomeado seleccionador nacional nas Olimpíadas de Dresden 2008 e escolheu uma colega de direcção, Maria Armanda Plácido, que era Vice-Presidente, para jogadora suplente que, segundo as suas palavras, «não vai jogar», e por isso, foi nomeada capitã de equipa, aliás, bastante contestada na comunidade xadrezista antes e depois de embarcar para a Alemanha. A culminar foi escolhida Chefe de Delegação.

Os conflitos na comitiva, com a Chefe da Delegação, foram sérios e graves – além disso foram tornados públicos através de cartas das jogadoras da selecção olímpica – mas a Direcção da FPX não lhe encontrou relevância e gravidade para proceder a uma investigação. A impunidade triunfou! Quando não se investiga nem pune em casa tem-se autoridade moral e ética para punir lá fora?

E sobre as Olimpíadas de Khanty Mansiysk de 2010 ainda não se sabe de nada! O Regulamento de Representações Nacionais muito discutido em 2008 continua o mesmo!

Com esta forma de actuação por parte do Presidente da FPX, não se vê, em bom rigor, como será possível apresentar uma confiança séria e duradoura no seio da comunidade xadrezista no futuro como Vice-Presidente. Não se compreende como vai ser possível trabalhar com um dirigente que corporiza grande parte das situações aqui descritas.

O sentimento de indiferença instalou-se. As pessoas afastam-se, a unidade desfaz-se e a família (gens) diminuiu – eis em síntese o mandato do Presidente cessante da FPX. Não acredito na sua reciclagem. Perdeu o seu prazo de validade. O Prof. Olímpio Bento, da Univ. Porto retratou com mestria esta situação.

A FPX não pode ser uma estrutura que permita projectos de poder pessoal ou de grupo, como tem sido evidente neste mandato. O xadrez federativo foi tomado de assalto por uma concepção e métodos que põem em causa a sua própria sobrevivência.

Senhor Eng. Jorge Antão, envolvido nesta amálgama de interesses dificilmente se encontrará em condições de transmitir um “projecto de unidade” tão necessário para poder levar ao xadrez a seriedade e a credibilidade que tanto carece.

O que apresentei foi apenas uma súmula do muito que haverá para conhecer do que publicamente ou não se tem dito e escrito.

Será uma questão de tempo ver para que lado vai partir a corda, se entender, como se espera e deseja, enfrentar os maus hábitos em vigor na FPX e por essa gente na ordem, a começar pelo cumprimento das Leis, dos Estatutos e dos Regulamentos que mandam aplicar aos outros, mesmo quand, porventura, não tenham, como revela o recente caso GCO.

 

IV. O Poder

Perante os factos descritos, não sei, pessoalmente, se ainda mantém a disponibilidade para presidir à FPX.

Uma coisa é certa, há três anos não se conhecia como era o Sr. António Bravo no poder, hoje já não é assim. «É o perfil», repete-me à exaustão um amigo do xadrez que sabe bem do que fala.

Soe dizer-se, «à primeira todos caem, à segunda cai quem quer». Mas, depois não podem vir queixar-se que não sabiam ou não foi avisados.

Eu também fui convidado há três anos pelo Sr. Bravo, mas recusei, e não imaginava o que ainda estava para acontecer!

O Sr. Karpov teve a oportunidade de escolher a pessoa mais qualificada, competente e disponível para o cargo de Vice-Presidente da FIDE, no caso de ser eleito. O Sr. Eng. não terá tido essa opção e recebeu um dirigente reciclado fora do prazo de validade, como diria o Prof. Olímpio Bento.

A terminar, é óbvio que a actual orientação da FPX está nos limites e qualquer tentativa de fazer regressar o xadrez ao estado anterior deve ser ligado ao nome de alguém que tenha prestígio e conheça a realidade.

Do meu ponto de vista, é necessário mudar a situação, mas esse alguém não é o Presidente António Bravo e seus seguidores. Nunca o farão. Não são alheios ao estado a que o xadrez chegou. São parte do problema em que se encontra a Federação Portuguesa de Xadrez.

Carta Aberta da Associação Académica da Amadora à Federação Portuguesa de Xadrez

Friday, February 26th, 2010
Recebi de Edgar Pereira, coordenador da secção de xadrez da Associação Académica da Amadora o pedido de divulgação pública no blogue da Carta Aberta que dirigiu à FPX .
 
 
 
Carta Aberta à comunidade xadrezística em Portugal,

 

 

À Federação Portuguesa de Xadrez,

 

 

 Olá a todos,

 

Venho por este meio expressar a minha indignação pela decisão expressa nos Regulamentos para as Competições por Equipas 2009-2010 que ditam o facto da Associação Académica da Amadora I jogar a 3ª Divisão.

 

Antes de mais, quero reforçar a ideia que tal decisão foi expressa apenas e só, de forma indirecta, num regulamento de prova. Ou seja, até à data, não tenho conhecimento de nenhuma comunicação endossada à Associação Académica da Amadora revelando qualquer decisão. Ou seja, as coisas são feitas como sendo um dado adquirido sem apelo nem agravo.

 

Independentemente da avaliação e aplicação que façam do Regulamentos de Competições, penso que seria adequado que tais comunicações fossem expressas de forma conveniente e atempada. Se esta é a forma de comunicação permitida – e apenas e só exigida, lamento.

 

Cheguei no final da época passada – desconhecendo até muita coisa – à condição de tentar ajudar a Associação Académica da Amadora ainda a tempo de se tentarem todos os esforços e mais alguns para que fosse possível a participação da equipa na 1ª Divisão. Para isto? A Direcção fez um grande esforço financeiro – em tempos conturbados para ela mesma – de forma a que não se acabasse com o Xadrez, com cerca de € 3.000,00!

 

Pergunto: o “famoso” regulamento serve só posteriormente? Então e o ponto 5, do “tal” Artigo 36º diz: PARA INSCRIÇÃO (…)”. Fico por aqui na citação. Então quer dizer que a inscrição foi permitida ilegalmente, é isso? Ou seja, poderá alguém chegar à conclusão de que foram coniventes, de forma consciente, com uma inscrição ilegal por parte da A. A. Amadora para que existisse um aproveitamento financeiro da participação da mesma e a própria competição não saísse prejudicada? Ainda estava em regime transitório, é isso?!

 

Em Agosto de 2009 estavam à espera de que regime transitório – já depois dos Campeonatos Nacionais de Jovens? Muito suspeito, quando já tantas dúvidas e tanta polémica existia à volta do novo formato da 1ª Divisão! Não? Para finalizar este ponto, recordo até, que muita gente comentava que a 1ª Divisão nem se iria realizar de tal forma que os clubes nem se iriam escrever, apesar de não ter sido isso que aconteceu… então, – e provavelmente porque – todos pensaram como eu: “que seja”, TEMOS que inscrever o clube na competição em causa para que o mesmo não fique EM CAUSA DESPORTIVAMENTE por causa de uma tomada de posição (individual, de quem esteja a dirigir a equipa) – se é que me fiz entender!?

 

A insensatez, vai ao ponto de nem sequer na 2ª Divisão constarmos! Não cumprimos com o ponto 5…desportivamente descemos de Divisão – de forma justa, nada a considerar e… agora 3ª Divisão “com eles”?! Isto é absurdo, para além de insensato e de uma profunda falta de respeito “desportivo-financeira”!

 

Devo acrescentar, que nesta época (2009–2010), a Associação Académica da Amadora teve 2 Campeões Distritais de Lisboa e um Vice-Campeão – sim, porque ainda não entendi que história era essa dos “regionais”, perdoem-me a ignorância – nomeada e respectivamente nos escalões Sub-10, Sub-12 e Sub-14 (Luís Teixeira, Vasco Sousa e João Pedro Meira). Tivemos 7 jovens nos Distritais deste ano e de futuro – porque estamos a apostar na formação – esperamos ter mais.

 

Isto não é formar de “papel”! Para “encher chouriços” e cumprir de forma hipócrita com eventuais regulamentos absurdos! E eu só posso falar daquilo que tem passado por mim desde que cheguei ao clube e não para trás. Isso, remeto – eventualmente – para a minha Direcção.

 

Sinto-me obrigado a invocar coisas as quais – como já referi mais do que uma vez – não concordo. Falo portanto, do ponto 7: “Uma equipa que tenha sido promovida à 1ª Divisão ou com direito de permanência, mas não tenha cumprido os requisitos estipulados no ponto 5 deste para inscrição na época seguinte, jogará na 2ª Divisão se cumprir com o estipulado para esta no ponto 6, ou na 3ª Divisão; “Ou”… na 3ª Divisão?

 

Expliquem-me isto. O ponto 6 diz:

Para inscrição de um [um quê? – pergunto eu. Ah, clube!] no Campeonato da 2ª Divisão existem as seguintes condicionantes: participação em campeonatos nacionais, regionais ou distritais de jovens da época anterior de pelo menos 8 jovens diferentes, filiados pelo clube nessa época. A contabilização dos participantes é feita com base nos jogadores que concluíram a prova. (Regime transitório: Época de 2008-09: 0 jovens; época de 2009-10: 4 jovens).

 

Em que época estamos? 2009-2010 ou é impressão minha?!

 

Confesso que todo este assunto me transtorna e neste momento não devo estar a possuir de toda a lucidez possível para avaliar com exactidão estes absurdos pontos deste absurdo regulamento. 

 

Mude-se este Regulamento! Nunca concordei com regras hipócritas que possam ser contornadas de forma leviana e pouco verdadeira. Este regulamento é um exemplo disso. Pelo que me é dado a parecer… 

 

Estamos na Época 2009-2010, ainda não tivemos Nacionais de Jovens, a Associação Académica da Amadora desceu desportivamente à 2ª Divisão e… porque é que não tem direito de constar nela?

 

 

Exorto aos demais clubes e jogadores, pela vossa solidariedade de actuação e opinião pelo que a Associação Académica da Amadora também está e estará disponível para discutir os assuntos de forma séria e verdadeira bem como ajudar ao máximo para que o Xadrez se desenvolva como modalidadee como comunidade, tendo em conta sobretudo, a formação junto dos jovens, no seu desenvolvimento pessoal e desportivo.

 

 

Saudações xadrezísticas,

 

Edgar Álvares Pereira

(Coordenador da Secção de Xadrez da Associação Académica da Amadora)

Carta Aberta ao Presidente da FP Badminton

Tuesday, December 15th, 2009

Transcrevo uma Carta Aberta ao Presidente da FP Badminton dirigida ao Presidente do Instituto do Desporto de Portugal., elucidativa das dúvidas de um desportista e de um cidadão exigente.

Não foi escrita por um filiado da FP Xadrez mas poderia (e deveria) ter sido. Como se vê as questões e os podres são os mesmos.

 

 

Na segunda-feira passada foi enviada uma “carta-aberta” ao Presidente da FPB, a qual até hoje ainda não obteve qualquer resposta por parte do mesmo ou da Federação. No entanto continuo a aguardar o cumprimento legal do Decreto-Lei N.º 248-B/2008…

Entretanto quero tornar público a carta que eu enquanto Cidadão tomei a liberdade de enviar ao Presidente do IDP em 13 de Outubro de 2009, e onde abordo a questão do referido incumprimento legal, pedindo esclarecimentos a algumas situações que podiam eventualmente suscitar dúvidas, quero ainda realçar que nunca fiz qualquer menção ao nome da FPB, nem na carta ao Presidente do IDP, nem nos contactos posteriores…não foi nem é minha intenção causar qualquer prejuízo a minha Federação.
Carta ao IDP
Seiça, 13 de Outubro de 2009

 

Exmo. Senhor Presidente do I.D.P.

Av. Infante Santo, 76

1399-032 LISBOA

 

Assunto: Decreto-Lei n.º 248-B/2008

 

Exmo. Senhor

Eu Luís Filipe E. Neves sou um cidadão que se interessa pela vida pública nomeadamente no que ao Desporto diz respeito, para além de uma vida activa na prática do mesmo, faço questão de assumir o direito e dever na fiscalização das entidades públicas ou privadas no que concerne ao seu bom funcionamento e correspondente cumprimento da Lei, para que desse modo possam cumprir da melhor maneira os fins para quais existem. Nessa perspectiva não pude de deixar de me congratular pela nova Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto, Decreto-Lei n.º 248-B/2008, que veio na minha opinião clarificar de um modo mais objectivo a democraticidade e transparência que deve ser apanágio do funcionamento das Federações Desportivas, mas que nem sempre era posto em prática pelas respectivas direcções.

No contexto referenciado e perante o Decreto-Lei, no Capítulo I (Disposições gerais), Artigo 8.º, podemos ler:

Publicitações das decisões••1 — As federações desportivas devem publicitar as suas decisões através da disponibilização na respectiva página da Internet de todos os dados relevantes e actualizados relativos à sua actividade, em especial:

a) Dos estatutos e regulamentos, em versão consolidada e actualizada, com menção expressa das deliberações que aprovaram as diferentes redacções das normas neles constantes;

b) As decisões integrais dos órgãos disciplinares ou jurisdicionais e a respectiva fundamentação;

c) Os orçamentos e as contas dos últimos três anos, incluindo os respectivos balanços;

d) Os planos e relatórios de actividades dos últimos três anos;

E é exactamente nas alíneas c) e d), que surgem as questões que gostaria de pôr a V.Exa:

 

1) – Porque motivo existem Federações desportivas com a atribuição do estatuto de utilidade pública desportiva, que ainda não têm publicitado na respectiva página da Internet aquilo que a Lei obriga nas alíneas c) e d)?

 

2) – Será que as Federações Desportivas que ainda não cumpriram com o estipulado na Lei, estão a incorrer num incumprimento a Lei?

 

3) – Quais os passos que eu enquanto cidadão e contribuinte devo encetar no sentido de exigir que a Lei seja cumprida pelas Federações que eu tenha conhecimento de que continuam sem publicitar na sua página da Internet o que a Lei determina?

 

4) – Será que quando a Lei referencia os últimos 3 anos, se está a referir de uma maneira retroactiva aos anos de 2006, 2007 e 2008?

 

Para já são estas as questões que me assaltam e perante as quais eu fico na dúvida de quais as medidas e ou exigências devo tomar perante a Federação Desportiva que na minha opinião se encontra incumpridora, não podendo por esse motivo exercer o meu direito de participação activa na avaliação e fiscalização do trabalho da Direcção da dita Federação Desportiva, essencialmente porque não tenho acesso aos dados que no entender da Lei deviam ser públicos.

Ficando desde já a aguardar pela resposta de V.Exa, apresento os meus sinceros agradecimentos pela atenção que possa dispensar as minhas questões.

Atenciosamente

 

Luís Filipe Encarnação Neves

Carta Aberta a Miguel Pires

Friday, November 6th, 2009

Carta AbertaCaro Miguel Pires,

 

Antes do mais agradeço-lhe o email que teve a amabilidade de me enviar, não obstante, não ter tido oportunidade de o fazer mais cedo.

Não tenho o prazer de o conhecer pessoalmente, mas oportunidade, por certo, não faltarão.

Tal como o Miguel, também eu, me encontro preocupado com o estado do xadrez em Portugal, a nível federativo, associativo e não só. Como vê, não é, como eu não sou, o único. Preocupados com a situação actual seremos muitos. Com a vontade de a mudar é que já somos menos. E, com vontade de mudar verdadeiramente já somos muitos menos.

Não tenho, de momento, a oportunidade requerida para lhe poder responder com rigor e seriedade, às questões que levanta, pelo menos, por agora. Não creio ser o momento oportuno. Apelo, por isso, à sua compreensão.

Creio, contudo, que é sempre importante debater ideias e propostas para, com vontade e seriedade, ultrapassar os diagnósticos por mais negativos que se revelem e a realidade por mais sombria que se apresente.

Se me permite uma pequena observação, as questões que levanta são, de facto, importantes mas estão longe de constituírem as questões principais ou mais relevantes com que o xadrez actualmente se debate.

Refiro-me, em concreto, ao dirigismo que nos governa. Refiro-me, em primeiro lugar, ao pensamento dominante e, de seguida, às pessoas que o protagonizam, em especial, quando reiteradamente se opõem à mudança.

Como poderá facilmente compreender, não basta mudar as pessoas, pelo menos, no xadrez actual, já não basta. É preciso ir mais longe, nos métodos e nas práticas.

Não podemos ser cândidos, porque a máquina se encarregará de triturar todos os que se lhe oponham. Faço-me entender?

Permita-me um aparte, isto é, uma sugestão de leitura, onde poderá compreender boa parte das ideias que venho defendendo: a conferência do Prof. Olímpio Bento, docente universitário de C. Desp. Ed. Física, da Univ. Porto, deu em Gaia, há meia dúzia de anos, intitulada Do Prazo de Validade no Sistema Desportivo Português, em que publiquei na Ala de Rei alguns excertos bem elucidativos que venho afirmando. Outro documento bem interessante encontrará em Teses para Alterar o Xadrez Nacional que escrevi há algum tempo.

Não discutir as “questões de fundo” é andar entretido a discutir o sexo dos anjos, tal qual aqueles dirigentes bizantinos do passado.

Cada um é livre de discutir o que entender de melhor para a nossa modalidade, mas depois não se queixe de estar a falar para o tabuleiro quando ele há muito que já não tem peças – a partida está a disputar-se noutra sala!

O que não deixa de ser estranho é que não se considere estranho isto: em vez de inquirir as causas e a fonte dos problemas da modalidade – que estão na forma como a FPX está organizada e a funcionar e a ser dirigida há anos – e se opte por atacar quem criticamente aborda e comenta o estado da modalidade e aponta exemplos de irregularidades e ilegalidades que se encontram, note bem, à frente do nariz de cada um. Tem havido no xadrez recente uma espécie de caça ao homem, esteja ele onde estiver, em especial quando escreve num blogue. (não estou a falar a penas de mim). A preocupação primeira não é o conteúdo da situação descrita e denunciada publicamente, mas o artista que ousou pôr cá fora a informação. Vai um exemplo muito elucidativo disto?

A FPX pela pena dos seus dirigentes estava mais preocupada em saber quem era o autor de um email que recebi do que em apurar responsabilidades e punir as infracções a existirem!

Vai um segundo exemplo bem elucidativo disto? Toda a gente sabe que a legalidade não é uma palavra e uma prática muito apreciada para os lados da Rua Francisco Foreiro, e, no entanto, é com uma periodicidade alarmante que se toma conhecimento das reiteradas ilegalidades dos órgãos federativos.

Atente-se apenas o que já aconteceu em pouco de 2 anos – caso GCO/SIR Elvas; caso Olimpíadas de Xadrez em Dresden 2008, este então é um mix com seleccionador nacional, uma capitã de equipa feminina, uma chefe da delegação, um campeão nacional absoluto; o processo eleitoral em curso que acumulou protestos todos resolvidos ilegalmente em duas penadas; e outros episódios com menor visibilidade.

Uma Federação detentora do estatuto de Utilidade Pública Desportiva que vive, no essencial, à custa do erário público, vive como se o dinheiro lhe caísse do céu. Se fosse uma empresa já tinha fechado as portas há anos, porque os bancos já tinham ficado com as chaves. Leiam-se a este propósito os relatórios do Presidente do Conselho Fiscal e do Revisor Oficial de Contas.

Alguém se preocupa em mudar de estilo de vida?

Quando em vez de discutir se ataca e vilipendia o comentário crítico no seio da família do xadrez, como alguns gostam de referir, o que se espera de quem já perdeu ou nunca teve o «amor pelos xadrez»? numa frase bem expressiva que João Cordovil há cerca de 40 anos!

Gostaria de lhe escrever de forma diferente mas, em face do que presencio e do que tenho conhecimento, mas era possível fazê-lo de forma diferente.

Para meu e, possivelmente, também para si, desencanto.

Aceite os meus melhores cumprimentos.

Francisco Vieira 

 

PS- Uma vez que este texto tem importância para ser publicado, tomei a liberdade de lhe escrever em forma de Carta Aberta, o que relevará.

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