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Archive for the ‘Entrevista’ Category

«É o fim do xadrez clássico tal como o conhecemos (e eu sinto-me bem)» Alexander Grischuk

Tuesday, June 21st, 2011

O excelente sítio Chess in Translation (notícias e entrevistas do xadrez russo em inglês) publicou a tradução em inglês da entrevista com o GM Alexander Grischuk concedeu a Evgeny Surov da Chess-News.

 

Alexander Grischuk foi o foco da controvérsia durante os recentes Matchs de Candidatos. Na sua caminhada para a final, onde não venceu qualquer partida clássica e, por vezes, concordando em rápidos empates com as brancas, parecia destacar problemas com o formato. Grischuk, no entanto, acolheu os tempos difíceis para o xadrez clássico.

Grischuk conversava com Evgeny Surov da Chess News e apresentou uma refrescante e honesta avaliação do seu desempenho em Kazan e, ao mesmo tempo, dava a sua opinião sobre a esmagadora percentagem de empates nas partidas KO. Como Gelfand disse na sua própria entrevista com Surov:

«Tenho um grande respeito pela sua opinião. Sasha [Greischuk] sempre se destacou por expressar a sua opinião com absoluta sinceridade e grande clareza.»

A frase sobre o “enterro do xadrez clássico” foi proferida por Grischuk na conferência de imprensa depois de Vladimir Kramnik ter obtido um empate sem esforço com as pretas na terceira partida do seu match em Kazan.
Eis um pequeno excerto da entrevista de Grischuk a Surov:
(…) expressou um pensamento interessante ao considerar o seu desempenho em Kazan não ter sido muito bem sucedido, por não ter conseguido ganhar uma única partida clássica. Correcto? 

Eu tenho as partidas clássicas na mente. Como pode falar de sucesso se não ganhei uma única partida em catorze? Mas, por outro lado, desde o início que não me incomodei, em especial. Era-me indiferente como ganhei o match – em Armageddon ou 3-0 na parte clássica. O principal era ganhar o match. Mas se você olhar para ele exactamente do ponto de vista do xadrez clássico, então eu não mostrei nada de especial aqui.

A entrevista, extensa mas interessantes, em inglês, pode ser lida em Chess in Translation.

Excelente entrevista de Garry Kasparov a Carlos Vaz Marques do programa ‘Pessoal e Transmissível’ da TSF

Wednesday, April 27th, 2011

 

O ex-campeão do mundo de xadrez, o grande mestre russo Garry Kasparov concedeu uma entrevista a Carlos Vaz Marques, do programa ‘Pessoal e Transmissível’ da TSF, a qual foi transmitida 3ª feira, dia 26/4/2011.

Chamo a atenção para esta entrevista, uma das mais interessantes de Kasparov, onde abordou os mais diversos assuntos, em que o xadrez e a política foram os mais questionados.

Ouvir a entrevista de Garry Kasparov

 

Algumas ideias chaves da entrevista:

«Na Rússia não não lutamos para ganhar eleições, lutamos pra ter eleições»

«No xadrez e na política, a minha experiência domina a minha maneira de tomar decisões»

«O mecanismo da análise das nossas decisões é sempre o mesmo, o processo é o mesmo»

«A estratégia de sobrevivência em termos tácticos é a melhor decisão»

 

Próximo livro de Kasparov, O Mundo dos falsos valores (sobre a crise global e as razões por trás dela)

Entrevista a Garry Kasparov

Tuesday, March 22nd, 2011
A Google entrevista Garry Kasparov em 3/11/2010...





« Garry Kasparov was the highest-rated chess player in the world for over twenty years and is widely considered the greatest chess player that ever lived. On Thursday, 10th March, 2005 Kasparov announced his retirement from competitive chess. He remains the highest-rated player in the history of the game and the only true icon in a sport with over 100 million players. He was the first player to break through the "four minute mile" of chess, a rating over 2800. He remains the only player who topped the 2850 mark. His 2851 ELO rating is still an all-time record.

Today this master of strategy applies the insights and unique perspective from his extraordinary chess career to the issues of leadership, logical thinking, strategic thinking, and success on the speakers' circuit and to Russian politics.

Known as an extremely intuitive chess player, Kasparov emphasizes intuition's role in reaching one's full potential as an individual and achieving superior performance as the leader of a group or organization. His contests with the super-computer "Deep Blue" were worldwide headline news and he was at the forefront of innovation in chess for over twenty years. He was at the cutting-edge of research and the battles between humans and computers as far back as 1989. »

by Google

Entrevista a Garry Kasparov

Tuesday, March 22nd, 2011
A Google entrevista Garry Kasparov em 3/11/2010...





« Garry Kasparov was the highest-rated chess player in the world for over twenty years and is widely considered the greatest chess player that ever lived. On Thursday, 10th March, 2005 Kasparov announced his retirement from competitive chess. He remains the highest-rated player in the history of the game and the only true icon in a sport with over 100 million players. He was the first player to break through the "four minute mile" of chess, a rating over 2800. He remains the only player who topped the 2850 mark. His 2851 ELO rating is still an all-time record.

Today this master of strategy applies the insights and unique perspective from his extraordinary chess career to the issues of leadership, logical thinking, strategic thinking, and success on the speakers' circuit and to Russian politics.

Known as an extremely intuitive chess player, Kasparov emphasizes intuition's role in reaching one's full potential as an individual and achieving superior performance as the leader of a group or organization. His contests with the super-computer "Deep Blue" were worldwide headline news and he was at the forefront of innovation in chess for over twenty years. He was at the cutting-edge of research and the battles between humans and computers as far back as 1989. »

by Google

«O uso de substâncias dopantes proibidas não é exclusiva do desporto de alto rendimento… até pela relativa facilidade com que se podem adquirir», José Manuel Constantino

Monday, January 17th, 2011

Excerto da entrevista de José Manuel Constantino ao jornal Público.

O uso de substâncias dopantes proibidas não é exclusiva do desporto de alto rendimento…
Não, nomeadamente através da Internet. Existe ao nível de muitos utilizadores dos ginásios, que querem mudar a sua aparência rapidamente e sem grande esforço. Mas o problema estende-se a toda a sociedade, em geral. Desde os bailarinos, às pessoas das artes e espectáculos, a muitos produtores culturais, aos músicos ou até a homens que, para melhorarem as suas performances sexuais, recorrem a elementos coadjuvantes. Este não é um problema exclusivo do desporto. O que acontece é que pesa sobre a realidade desportiva, por uma visão idealista que foi criada em redor desta actividade, que não se coloca relativamente a outras áreas sociais ou num conjunto de outras profissões que usam, de forma mais ou menos regular, um conjunto de substâncias para potenciarem a sua performance, rendimento e capacidade. Estes comportamentos estão completamente disseminados.

«O uso de substâncias dopantes proibidas não é exclusiva do desporto de alto rendimento… até pela relativa facilidade com que se podem adquirir», José Manuel Constantino

Monday, January 17th, 2011

Excerto da entrevista de José Manuel Constantino ao jornal Público.

O uso de substâncias dopantes proibidas não é exclusiva do desporto de alto rendimento…
Não, nomeadamente através da Internet. Existe ao nível de muitos utilizadores dos ginásios, que querem mudar a sua aparência rapidamente e sem grande esforço. Mas o problema estende-se a toda a sociedade, em geral. Desde os bailarinos, às pessoas das artes e espectáculos, a muitos produtores culturais, aos músicos ou até a homens que, para melhorarem as suas performances sexuais, recorrem a elementos coadjuvantes. Este não é um problema exclusivo do desporto. O que acontece é que pesa sobre a realidade desportiva, por uma visão idealista que foi criada em redor desta actividade, que não se coloca relativamente a outras áreas sociais ou num conjunto de outras profissões que usam, de forma mais ou menos regular, um conjunto de substâncias para potenciarem a sua performance, rendimento e capacidade. Estes comportamentos estão completamente disseminados.

‘Diário de Notícias’ entrevista o presidente da ADoP Agência Antidopagem de Portugal

Friday, January 14th, 2011

O Diário de Notícias entrevistou o Prof. Luis Horta, presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP).

Foi há um ano nomeado presidente da ADoP depois de ter estado à frente do laboratório. Que balanço faz deste período?

Foi importante e positivo. Foi uma tarefa árdua montar toda a estrutura da ADoP, com novas atribuições. Houve uma série de iniciativas que não foram fáceis de implementar, como o sistema de localização dos praticantes desportivos e o passaporte biológico. Além disso teve de se adaptar os regulamentos antidopagem de todas as federações à nova legislação.

A entrevista continua, embora no essencial se refira ao mundo do futebol, atletismo e ciclismo. A segunda parte da entrevista diz respeito à Agência Mundial Antidopagem (AMA) e pode ser lida aqui.

‘Diário de Notícias’ entrevista o presidente da ADoP Agência Antidopagem de Portugal

Friday, January 14th, 2011

O Diário de Notícias entrevistou o Prof. Luis Horta, presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP).

Foi há um ano nomeado presidente da ADoP depois de ter estado à frente do laboratório. Que balanço faz deste período?

Foi importante e positivo. Foi uma tarefa árdua montar toda a estrutura da ADoP, com novas atribuições. Houve uma série de iniciativas que não foram fáceis de implementar, como o sistema de localização dos praticantes desportivos e o passaporte biológico. Além disso teve de se adaptar os regulamentos antidopagem de todas as federações à nova legislação.

A entrevista continua, embora no essencial se refira ao mundo do futebol, atletismo e ciclismo. A segunda parte da entrevista diz respeito à Agência Mundial Antidopagem (AMA) e pode ser lida aqui.

Entrevista de Ketherine Neville sobre ‘O Fogo’

Wednesday, October 6th, 2010

Entrevista com Katherine Neville ao progama Pagina 2 (RTVE)

O Sebastião do desporto português. O indesejado…

Monday, September 13th, 2010

Entrevista concedida pelo sec Estado do Desporto, Laurentino Dias, ao DiárioAsBeiras.pt.


P – Uma revolução em cinco anos…

R – Não sei. Sei que fizemos, em cinco anos, o que as pessoas esperavam há 20 ou 30 anos.


1) O sec Estado do Desporto diz que

«O investimento foi na modernização das Federações Desportivas, dotando-as de meios como sejam o apetrechamento desportivo, a aquisição de equipamento ou mesmo o apoio à contratação de recursos humanos. Este programa permitiu uma melhoria significativa, tanto a nível organizacional como em termos operacionais.»

no xadrez não se nota nenhuma mudança, continuando os mesmos hábitos, comportamentos e vícios.

2) A Federação não consegue gerar receitas próprias dependendo a sua actividade desportiva do subsídio estatal, a informação que presta aos associados é deficiente ou inexistente, não cumpre os estatutos nem a legalidade vigente como p.ex., o regime jurídico dos treinadores, entre outros, nem todos os órgãos sociais funcionam ou cumprem as suas competências, enfim, e o mais que se sabe.

Contam-se pelos dedos as Associações existentes que têm os órgãos sociais completos e que cumpram as suas funções.

Os dirigentes não são mais nem melhores, antes continuam a desaparecer ou a desinteressar-se. Não há nem mais nem melhores torneios, a maioria dosclubes continua sem as estruturas mínimas de funcionamento, desde instalações, equipamento e material, e, sobretudo, capacidade para deslocações aos locais de provas e estadias, quando é o caso.

O xadrez agoniza mas a modalidade está bem e recomenda-se. (A quem?).


3) O sec Estado do Desporto falou em «defesa intransigente da ética».

No xadrez nem se deve saber o que é isso de ética. E, no entanto, A FIDE tem um Código de Ética, mas deve ser só para ler, ou talvez porque não haja uma tradução em português!?.

4) O sec Estado falou em «generalização da prática desportiva».

No xadrez não há nem mais clubes nem praticantes tendo a prática desportiva vindo a decrescer progressivamente. O facto de alargar o xadrez aos mais novos, enquanto estão na escola, não traz mais praticantes para a modalidade a nível federado – é uma ilusão momentânea – porque a seguir à puberdade vão atrás das hormonas e não da competição…

5) O sec Estado afirmou que

Se não tivéssemos feito esta reforma legislativa e esta reorganização do sistema desporto português, pugnando por uma visão de serviço público e pela defesa da ética (…)

O secretário se Estado chama à interferência na organização e funcionamento das associações desportivas de direito privado uma visão de serviço público e todos aceitam passivamente. Não estivessem habituados e dependentes do rendimento mínimo (às vezes máximo) e gostaria de ver se acomodavam desta forma.

Na visão do sec de Estado, um clube, público (onde é que ele estão?) ou privado deve ser constituído e gerido por privados mas com regras e tutela pública. e chama-lhe interesse público!!!

6) O sec Estado afirmou que

o contributo dos clubes e das associações seria engolido pelos interesses económicos e pela subversão que ameaça constantemente os valores sociais do desporto.

Se ainda ninguém viu interesse pelo xadrez quanto mais económicos.

Já estou a ver os empresários dos jogadores de futebol a fazerem fila para assegurar os seus serviços junto dos xadrezistas da selecção olímpica. E mais dois ou três a correrem para comprarem o GX Porto ou o GX Alekhine, para só falar nos dois clubes mais antigos de Portugal.

7) O sec Estado afirma

Sei que fizemos, em cinco anos, o que as pessoas esperavam há 20 ou 30 anos.

O sec Estado comporta-se como se fosse o dono de uma federação de interesses privados. Quando se tem um livro de cheques até os sonhos se podem comprar, mas não é por isso que eles se vão realizar.


Segue-se  a entrevista do secretário de Estado do Desporto.


Cinco anos que mudaram a face do desporto

P – O que mudou, na política desportiva, desde 2005?

R – O que mudou foi o modelo de desenvolvimento desportivo. Apostou-se simultaneamente no desenvolvimento do desporto de alto rendimento e no desporto dito de base, que inclui as apostas no desporto escolar e na generalização da prática desportiva.

P – O fomento do desporto de base é uma aposta ganha?

R – Uma das grandes apostas desde 2005 foi dar prioridade ao desporto na escola. Garante-nos a formação de hábitos de saúde e prática desportiva, que se repercutirão em benefícios relevantes, pessoais e sociais durante toda a vida dos cidadãos. Esta iniciativa teve como alvo o 1.º ciclo do ensino básico com uma taxa de cobertura da actividade física e desportiva a nível nacional de cerca de 97,8%, mesmo tendo um carácter não obrigatório. Também ao nível do desporto escolar que atingiu 1,5 milhões de alunos, cerca de 7.000 escolas e 6.000 professores, números nunca vistos em Portugal.

P – Qual o alcance dos incentivos à segurança das instalações desportivas?

R – Foi uma medida que apoiou um total de 361 clubes e associações desportivas com um investimento total de 4,1 milhões de euros. Uma medida determinante para muitas colectividades e pequenas organizações que tiveram a possibilidade de assegurar melhores condições às populações.

P – Vieram depois os relvados sintéticos

R – É verdade. Quisemos apetrechar todos os municípios que não tinham nenhum grande campo de jogos relvado com um equipamento de primeira necessidade para servir todos os cidadãos. Construímos, em parceria com as autarquias, 82 campos de relva sintética num investimento que atingiu32,7 milhões de euros. Esta medida permitiu corrigir desequilíbrios e injustiças, especialmente no interior do país, garantindo igualdade deoportunidades, designadamente dos mais jovens, no acesso condigno  desportivas.

P – Para além dos sintéticos, há ainda os mini-campos

R – Foi algo que teve grande impacto junto das populações e estimulou aprática desportiva de proximidade, sobretudo em bairros mais carenciados e em pessoas com menos mobilidade. Em quatro anos construímos cerca de 200 mini-campos campos desportivos, em parceria com a Federação Portuguesa de Futebol, num investimento total de 2,6 milhões.

P – Entretanto, houve “mexidas” nas federações

R – O investimento foi na modernização das Federações Desportivas, dotando-as de meios como sejam o apetrechamento desportivo, a aquisição de equipamento ou mesmo o apoio à contratação de recursos humanos. Este programa permitiu uma melhoria significativa, tanto a nível organizacional como em termos operacionais.

P – O senhor assumiu funções na “ressaca” de dois momentos altos do desporto português, o Euro’2004 e os Jogos Olímpicos de Atenas. Quais os pontos marcantes do seu “consulado”?

R – Os pontos altos de um mandato são aqueles em que se conseguem resolver os problemas que ainda não tinham sido resolvidos até ao momento. Essas são as grandes vitórias do interesse público e a maior gratificação que um político pode obter. E no nosso mandato foram muitos os problemas que foram resolvidos.

P – Por exemplo…

R – Por tudo o que já disse. E também pelo aumento e estabilidade do financiamento do sistema desportivo, pela alteração da lei dos jogos sociais; ou pela defesa intransigente da ética, e a aposta sem tréguas na luta contra a dopagem, não permitindo que o desporto seja hipotecado a interesses outros que não sejam o de serviço público e de valor social, aliás como vem consignado no Modelo Europeu do Desporto e no Tratado da União Europeia.

P – Falta falar nos centros de alto rendimento…

R – Essa é a medida mais estruturante para o futuro do desporto portuguêrs. Trata-se de uma rede de 18 centros de alto rendimento, específicos para 21 modalidades desportivas, num investimento total de 66 milhões. Foi a última oportunidade para obter fundos europeus para este fim, depois da forma desorganizada como antes foram investidos milhões em infra-estruturas desportivas hoje desajustadas.

P – Sei que houve resistências à criação desses centros…

R – Os centros não foram uma decisão unilateral do Governo. Auscultámos as autarquias e as federações desportivas. E seguimos as melhores recomendações que nos fizeram chegar quanto aos melhores benefícios que cada localização podia dar em termos de sustentabilidade, e benefício para o desenvolvimento do desporto.

P – Qual a lógica da distribuição geográfica?

R – Foi uma lógica que teve em conta, por um lado, uma distribuição descentralizada pelo país, numa lógica de coesão territorial, e, por outro, a valorização do património do Estado como são os casos dos centros localizados no Jamor – râguebi, golfe, atletismo e ténis – e do de voleibol, que ficará localizado no antigo Centro de Estágios de Lamego.

P – Já há datas para a abertura dos centros que faltam?

R – A rede nacional contará com 18 unidades, espalhadas por todo o país. Para já temos seis em funcionamento, que correspondem a 14 modalidades. Para além das já referidas, há também o ciclismo, esgrima, ginástica, judo e trampolins, aqui perto, em Anadia. Depois, nas Caldas da Rainha há o badminton e a natação é em Rio Maior. Finalmente, este, de Montemor-o-Velho, para canoagem, remo, triatlo e natação de águas abertas. As restantes unidades estão em fase de construção, ou em candidatura. Em 2011, contamos abrir mais oito novos.

P – Como é que vão sobreviver os centros?

R – Os contratos de parceria e cooperação que estiveram na origem das próprias localizações prevêem que o Estado, através do IDP, as federações, as autarquias, as universidades e a própria iniciativa privada garantam a sustentabilidade de cada um, numa lógica de desenvolvimento local.

P – Como assim?

R – Explico mais concretamente o caso do Ténis, que foi o centro que abriu há mais tempo: a federação já tem uma estrutura técnica liderada pelo João Cunha e Silva, que treina ali os nossos melhores tenistas jovens. Por outro lado, já se realizaram ali várias competições nacionais e internacionais e até já temos vários atletas estrangeiros a estagiar no Jamor, bem como nas Caldas da Rainha, em Anadia, etc. Ao mesmo tempo faz-se a exploração comercial das instalações.

P – O paradigma de fomento do desporto de competição vai continuar a ter os clubes e as associações como eixos fundamentais?

R – Vai continuar a ter os clubes e as associações como factores fundamentais, mas sempre com os atletas em primeiro lugar. E não apenas do desporto de competição. O mundo mudou e a realidade desportiva também. A acção do Governo, a partir de 2005, baseou-se na assumpção de que o desporto passou a ter um significativo impacto na vida dos cidadãos, na economia, na imagem e no prestígio dos países. Não apenas pela oportunidade que dá para se ser saudável e activo, mas também pelas trocas económicas, pelo emprego e pela riqueza que gera. E ainda, por causa da sua dimensão social.

P – Como avalia o trabalho de revisão do edifício legal que tutela o desporto?

R – Os clubes e as associações necessitavam de se enquadrar nesta mudança, para não perderem o valor e o peso que tinham antes. Se não tivéssemos feito esta reforma legislativa e esta reorganização do sistema desporto português, pugnando por uma visão de serviço público e pela defesa da ética, o contributo dos clubes e das associações seria engolido pelos interesses económicos e pela subversão que ameaça constantemente os valores sociais do desporto.

P – Que expectativas tem para o Europeu de Remo, em Montemor-o-Velho?

R – A firme expectativa de um grande sucesso organizativo, não tenho dúvidas. Uma excelente oportunidade para os nossos atletas competirem em casa e a certeza de que Montemor-o-Velho ficará na rota obrigatório do Remo europeu.

P – Como avalia a capacidade instalada, em Montemor e na região envolvente, para receber uma competição desta dimensão?

R – O Campeonato da Europa de Montemor-o-Velho é já o Europeu mais participado da história dos campeonatos da europa de Remo. Temos 34 países, cerca de 700 atletas, o que significa cerca de 1.100 participantes. O eixo urbano Coimbra, Montemor, Figueira dá-nos garantias de capacidade para receber um tão elevado número de participantes e público.

P – Qual a repercussão desta competição na economia da região?

R – Penso que não tem qualquer discussão. Por outro lado Montemor-o-Velho passará a ser passagem obrigatória dos principais países da Europa usufruindo de um local de treino num município e num país que sabem acolher, mas sobretudo, tem condições físicas que conciliadas com as climatéricas, poucos países na Europa podem oferecer.

P – A cooperação com as entidades locais e regionais, nomeadamente, a Câmara de Montemor-o-Velho, tem correspondido às expectativas?

R – Quero deixar aqui uma palavra de profundo reconhecimento a um município, que soube perceber a importância desta infra-estrutura para o seu desenvolvimento e fez este avultado investimento.

P – Até que ponto este investimento mudou a face do concelho de Montemor?

R – A realidade mudou em Montemor-o-Velho. A cidade tem hoje novos residentes em permanência, motivados pela presença desta infra-estrutura, que estudam no concelho, que estudam na Universidade de Coimbra. As federações criaram aqui alojamento para os seus atletas, estruturaram os seus planos de desenvolvimento em função deste equipamento. Montemor-o-Velho tem hoje campeões da Europa e do mundo a viver na sua cidade e isto tem muito valor, o desporto português está progressivamente a deixar de ser só Lisboa e Porto.

P – Uma revolução em cinco anos…

R – Não sei. Sei que fizemos, em cinco anos, o que as pessoas esperavam há 20 ou 30 anos.

(Sublinhados a preto da responsabilidade do Diário As Beiras e a azul de Ala de Rei)

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