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Editorial:
Transcrevo, a meu pedido e autorizado para o efeito, o comentário efectuado pelo António Russo no forum Lusoxadrez.
Embora, o pudesse ter feito decidi manter o texto quase na integra.
As partes destacadas e sublinhadas são da minha autoria.
"Por xequemate, Nov 05-2009 17.04
Tenho 50 anos, e desde os 6 ou 7 anos que tomei contacto com o xadrez e aprendi as regras. Inicialmente, como a maioria, empurrava peças e ganhava quem chegasse ao fim com 1 torre ou dama e conseguia dar mate.
Depois, no ensino secundário, tive a sorte de na escola para onde fui, a saudosa Escola Veiga Beirão, haver um núcleo de xadrez, dirigida por um (na altura) jogador de 2ª s Categorias do Benfica, e aprendi um pouco mais e criei o verdadeiro bichinho do xadrez.
Quando saí da escola, na conclusão do curso, perdi o contacto com o xadrez e só esporadicamente jogava quando me aparecia (muito poucas vezes) quem soubesse jogar.
Passaram cerca de 25 anos.
Não havia net, e perdi o contacto com o jogo, sendo só retomado quando profissionalmente vim para Santarém.
Desde aí, embora não pertencendo por opção a nenhum organismo da FPX não deixei de dar o meu contributo ao xadrez, e garanto que convivo muito bem com a acusação de nada fazer em prol do xadrez.
O 1º contributo foi pessoal.
Foi lutar contra uma família que tinha outras prioridades face às agruras da vida nos anos 60/70 e construí com as minhas mãos o 1º tabuleiro de xadrez.
Peças desenhadas em cartão, bases em rolhas de cortiça e tabuleiro desenhado numa placa de cartão.
Muitos dos que dizem não "ter condições", não sabem o que era jogar xadrez nos anos 60/70!
Mais tarde, quando vim para Santarém, colaborei com o moribundo Grupo de Xadrez de Santarém e fiz milhares de Kms em viatura própria transportando gratuitamente jovens para os Distritais e torneios, coisa de que não me arrependo.
Nunca um escudo ou cêntimo me veio parar ao bolso!
Fiz porque quis e voltaria a fazer.
Quando tive Internet, fiz uma das 1ªas páginas de xadrez em Portugal.
Era uma página que teve alguns prémios internacionais, e que conjuntamente com a saudosa Infoxadrez, a página do MI Luís Santos e a APMX eram visitadas por todos os xadrezistas nacionais, e eram porta de entrada para os estrangeiros.
Chamava-se esse site: António Russo Chess Homepage
(pesquisem no Google que ainda há 2 ou três referências à mesma).
Depois, conjuntamente com outros xadrezistas, explanei uma série de ideias para o xadrez português no extinto Forúm do PDX de Lisboa.
Desde formação de jovens à distância, torneios pela net, etc, tudo propus!
Dado o ambiente tenebroso que esse Forúm tomou, resolvi, conjuntamente com um grande senhor do xadrez Português, o portuense Arlindo Vieira, a que mais tarde se juntou outro grande senhor, António Curado, lançar este forúm onde agora todos têm a liberdade de escrever, criticar, lançar ideias, propostas.
Faço só notar que este forúm é internacionalmente um dos que atingiu maior longevidade.
A maior parte, desaparece um ano ou depois por razões comportamentais.
O Lusoxadrez teve a fundação em 21 de Maio de 2001 no Yahoo http://br.groups.yahoo.com/group/LusoXadrez/ e com maior ou menor dificuldade lá vai sobrevivendo.
Quem em 2001/2002 acompanhou o Lusoxadrez sabe o que este forúm fez pelo xadrez nacional!
O clima de constante guerrilha e ofensas pessoais que se vivia no xadrez nacional foi grandemente atenuado por muito do que se escrevia neste Forúm.
Neste espaço, sempre se promoveu a formação de jovens, mas de uma forma SÉRIA , não mercantilista, e com critérios de exigência!
Neste espaço lançamos as sementes para a existência de torneios de lentas, que praticamente não existiam.
Neste espaço tentamos (com algum êxito) que houvesse fair play entre a comunidade xadrezística.
Se hoje podemos trocar ideias civilizadamente é porque houve quem usasse do seu tempo de lazer para moralizar a forma de comunicação dos xadrezistas.
Alguns dos mais ilustres xadrezistas e amantes do xadrez eram e são Lusoxadrezistas.
Perdemos alguns, como os saudosos Walter Tarira, ou o Mamede Diogo, dois grandes SENHORES do xadrez, como amantes da modalidade.
Fizemos 4 almoços-convívio de Lusoxadrezistas que se fizeram deslocar voluntáriamente de todo o País.
O clube a que pertenço, foi formado há cerca de uma dezena de anos, e aglutinou os tais jogadores que jogaram na 1ª divisão pelo inactivo Clube Riomaiorense ( na década de 70/80) e alguns (na altura teenagers) jovens do GXS.
Este clube, denominado Casa do Xadrez nunca teve o apoio de ninguém.
Desde o início que assumimos que o clube era propriedade dos seu núcleo fundador, e que jogaria com a "prata da casa". Para isso, e para que não tivéssemos de mendigar verbas ao erário público, cada um de nós contribuiu com uma jóia de 50 € e estabelecemos que pagaríamos 5 euros mês (60 euros/ano). Quantos fazem isso pelo xadrez ? (alguns é ao contrário ainda sacam "algum" )
Somos credores da FPX e não devedores.
Nem nos vamos endividar com "formações" feitas à medida de alguns.
Não temos rabos de palha regulamentares, nem os queremos ter.
Por isso, não queremos subverter o sistema.
Adaptar o clube a um regulamento idiota é fazer parte da idiotice nacional.
Processos menos claros de contornar a lei, não são o combustível com que a CX se alimente.
Somos todos de uma geração em que os valores morais imperam e pautamos o nosso comportamento pela ética desportiva. São esses os valores que transmitimos aos que chegam à posteriori. Não verá um jogador num tabuleiro que não pensemos que representa o melhor da nossa equipa.
Já perdemos por 4-0 algumas vezes, mas nunca nos viram jogar com uma equipa que não fosse a melhor possível!
É isto xadrez de competição!
Recusa-mo-nos a alinhar em palhaçadas!
Não verão nunca um jovem de 6 ou 7 anos que mal saiba mexer as peças apenas para cumprir regulamentos idiotas.
Somos pela competição, com amizade, respeito pelos adversários, educação.
Não se depreenda daqui que somos contra a participação dos jovens.
Os jovens com valor terão sempre lugar na nossa equipa, mas apenas pelo seu valor competitivo.
Quem nos dera ter alguns pelos quais temos o maior respeito pela sua qualidade.
Agora impostos por regulamentos, não é esse o caminho.
Por isso o xadrez é um desporto que é para todos!
Dos 3 ou 4 até aos 100 anos todos o podem e devem praticar, sem reservas!
Mas.. continuando, a Casa do Xadrez encarna aquilo que os verdadeiros xadrezistas pensam ser melhor para a competição.
Por isso, e constantemente recebemos os parabéns!
As equipas que nos visitam não encontram tabuleiros de plástico!
Encontram bons tabuleiros em madeira, mesas com toalhas, cadeiras estofadas, águas, ou seja;
as melhores condições que podemos proporcionar.
Investimos o NOSSO DINHEIRO em criar as melhores condições para a prática do xadrez, e não na contratação de 2 ou 3 vedetas para sermos campeões à força.
Nisso, tive parte activa, assim como a doação ao clube de uma mini-biblioteca de livros e revistas de xadrez, ou o 1º conjunto de 4 tabuleiros que embora de plástico estavam a anos-luz dos que nos costumam apresentar em diversas salas do País.
Outros doaram frigoríficos, Tv, computador, livros, revistas de xadrez, etc.
Quando pudemos, em conjunto, adquirimos aos poucos o material que actualmente nos orgulhamos de apresentar.
Colaborei ainda no layout da página da Associação de Xadrez de Santarém, e sempre este organismo teve nas nossas instalações uma sala para realizar eventos com a dignidade que o xadrez merece.
Fui também um dos co-autores do blog Casa do Xadrez, hoje um dos mais vistos a nível nacional nesta modalidade.
Criei a pedido da Drª Maria Armanda, GRATUITAMENTE o 1º Forúm da FPX, entretanto extinto por não ter participações. (o servidor apaga as páginas se não houver participação em 60 dias! Logo aí se vê o estado do xadrez nacional!)
Propus nesse forúm um equilibrado e competitivo regulamento de competições que decerto serviria para não chegar ao ponto que chegamos, fomentar a competição entre equipas, e assim elevar o nível do xadrez nacional.
A proposta era mesmo nivelar por cima, e abrir a competição a um maior número de equipas.
Preferiram a mediocridade, que já vinha desde o tempo em que resolveram alargar divisões para certas equipas subirem de escalão extra tabuleiro.
Por isso, peço meças à maioria dos "trabalhadores" do xadrez nacional.
Não critico por criticar, nem aterrei agora de Marte.
Sempre reconheci que ser dirigente desportivo é uma tarefa árdua e difícil, que respeito e que não invejo.
Agora a questão é outra!
Se, se pertence a um clube formado numa Escola, com apoios do Agrupamento Escolar, dos professores, possivelmente com algumas verbas transferidas da autarquia, terá certamente um belo futuro, e é de louvar e de apoiar.
Porém, nem todos têm essas condições!
Não têm professores que encaminhem alunos, tem pessoas que trabalham e residem em Lisboa e só por amor ao xadrez regressam ao fim de semana a Santarém.
Tem pessoas com mais de 50 anos que sempre jogaram xadrez de competição por equipas e que gostariam de poder continuar, enquanto o Alzheimer ou a esclerose os não impedir.
Se esta gente tivesse força para impor regulamentarmente que todas as equipas deveriam apresentar um jogador com mais de 50 anos, qual seria a sua posição?
Não sei se tem, se não tem, na sua equipa pessoas que se integrem nesse perfil, mas qual seria a solução?
Iria ao asilo mais próximo ensinar à pressa os velhotes a mexer as peças para cumprir os regulamentos?
Ou acharia isso (também) uma idiotice e estaria agora a manifestar as suas críticas?
Acho que o exemplo lhe dará que pensar!
Se me dissesem a FPX devia RECOMENDAR a utilização de jovens sub, seria eu o 1º a apoiar, mas impor isso no regulamento?
Só quem olha apenas para o seu próprio umbigo podia ter uma ideia dessas!
E porque não regulamentar que as equipas devem ter um gay, um cigano, um africano, um romeno, uma loira e uma ruiva?
Chama-se a isso usar de BOM SENSO!
Não limitar a participação de ninguém que queira jogar xadrez por equipas.
As equipas devem apresentar os MELHORES e MAIS FORTES jogadores que tiverem, independentemente de serem jovens ou ser o Vicktor Korchnnoi.
Garanto-lhes que se o valoroso jovem Jorge V.Ferreira fosse do n/ clube jogaria a 1ª tabuleiro. Não porque o regulamento o exigia, mas porque o jovem tem inegável valor.
É esta a cultura que defendo!
A do mérito!
Todos têm lugar pelo seu valor e não por imposições administrativas. Isto é xadrez de competição e não xadrez escolar.
Cada "macaco" deve ter o seu galho!
O que já deveria ser feito era quem fez a MERDA, que tivesse tido o bom senso de reconhecer que se tinha enganado e que entre ter um regulamento competitivo, que embora com uma ou outra lacuna funcionava, e um que é quase unanimemente reconhecido que não funciona e que tem contribuído para a degradação do pouco nível que o xadrez nacional ainda tinha.
Mas como é costume, o(s) autor(es) da brilhante ideia preferem afundar o Xadrez Nacional do que admitir que pensando estar a fazer algo de útil, fizeram a maior borrada em décadas de FPX.
Como o Alpiarcense, Dr. João Maria da Costa, 1º presidente da FPX se deve estar a revolver na tumba...
No mínimo impunha-se que quem teve a iniciativa de criar este monstro, tivesse a ombridade de convovar uma Assembleia Geral e propor o retorno à anterior situação.
O xadrez português não se pode dar ao luxo de descartar 8 ou 9 equipas da nossa principal Divisão.
(não foi erro. A 2ª Divisão é a nossa 1ª Divisão NACIONAL)
Sobre o exemplo de abrir outra empresa com outro nome, acho que o exemplo não é muito feliz!
Nenhuma das equipas excluídas FORA do TABULEIRO pretende abrir o que quer que seja. Pretendem apenas que os deixem jogar xadrez por equipas em competição.
Sem batotas, mas sem imposições ridículas!
Agora, se for necessário criar um torneio onde ninguém seja excluído por não ter formação de jovens, acreditem que pode vir a surgir algo.
Alguns dos nossos jogadores são pessoas respeitadas pela comunidade.
São jogadores que se bateram com os melhores jogadores nacionais.
Se perguntarem ao Fernando Silva, ao Galego, ao Dâmaso, ao João Leonardo, ao António Fernandes, ao Júlio Santos, ao Kevin Spraguett, ao Luís Santos, ao Sérgio Rocha ou a outros mestres que jogam há muitos anos quem é o Carlos Nascimento, o Vitor Ferreira ou o Pedro Vinagre decerto lhe saberão dizer quem são pois durante 9 anos foram seus adversários na 1ª Divisão.
Outros, ninguém lhes conhecerá os rostos...
e alguns apenas serão conhecidos pelo mal que fizeram ao xadrez português. Mas, não é irreparável! Basta que a FPX funcione mesmo como um Federação. Porque não delegar a organização dos Nacionais por equipas e individual numa organização privada com a consequente transferência de verbas, com regulamentos próprios e uma estrutura profissional ou semi-profissional ?
Porque não organizar uma competição estilo Poker, que colha a atenção dos "media"?
São ideias como estas que é preciso aportar ao xadrez e não imposições ridículas que só têm afastado os praticantes e amantes de xadrez.



