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Posts Tagged ‘Dos jornais’

“Linguagem virtual” atrofia o cérebro

Thursday, December 9th, 2010

Editorial de Isabel Stilwell no jornal Destak

Quantas vezes é que já foi tentado (e cedeu) a mandar uma SMS sobre um assunto delicado só porque não se sente com coragem de ver o impacto daquilo que tem a dizer na cara da outra pessoa?

E quantas vezes é que leu as palavras de um e-mail como um insulto, para depois descobrir que quem lhas escreveu “estava a brincar”? Apesar dos “lols” e dos “smiles” que se podem introduzir, a verdade é que a comunicação escrita é muito mais pobre, porque lhe falta as expressões do rosto e o tom da voz. Mas como é mais rápida e simples, e evita (ou adia) chatisses, tendemos a usá-la cada vez mais, para angústia dos especialistas em comunicação, que a consideram uma das responsáveis pelo decréscimo na empatia, qualidade que funciona como cola das nossas relações sociais.

Aliás, um indica que os estudantes universitários registavam em 2009 menos 40% de empatia do que em 1997. As cobaias tinham de responder a perguntas sobre a sua preocupação com os menos afortunados e ainda a questões em que lhes era pedido que se colocassem no lugar do outro. Para explicar este decréscimo, os investigadores apontaram a crescente falta de treino nas relações interpessoais “ao vivo”.

Dan Hill, um especialista de comunicação citado pela PT, lembra que conversar é uma aprendizagem complexa, que envolve saber interpretar as expressões faciais de quem temos à frente. «Os seres humanos têm mais músculos faciais do que qualquer outra espécie no planeta (43) e o nosso cérebro está preparado para ler todas elas. Metade do cérebro tem como função processar informação visual.»

É o que fazemos, diz, sempre que dedilhamos SMS ou consultamos mails, enquanto falam connosco. Para além de má-educação e sinal de desinteresse, estamos a deixar atrofiar uma das maiores capacidades que os nossos antepassados nos deixaram em herança.


(Sublinhados da responsabilidade de Ala de Rei)

O GM Alik Gershon bate o recorde mundial com uma simultânea de 523 tabuleiros

Saturday, October 23rd, 2010
O GM Alik Gershon venceu 86% das 523 partidas contra jogadores amadores na praça Yithzak Rabin

Um grande mestre de xadrez israelense entrou para o livro dos recordes nesta sexta-feira ao disputar o maior número de partidas de xadrez simultâneas, superando a marca que pertencia a um enxadrista do Irão, inimigo declarado de Israel.


Continua na revista Veja.

O GM Alik Gershon bate o recorde mundial com uma simultânea de 523 tabuleiros

Saturday, October 23rd, 2010
O GM Alik Gershon venceu 86% das 523 partidas contra jogadores amadores na praça Yithzak Rabin

Um grande mestre de xadrez israelense entrou para o livro dos recordes nesta sexta-feira ao disputar o maior número de partidas de xadrez simultâneas, superando a marca que pertencia a um enxadrista do Irão, inimigo declarado de Israel.


Continua na revista Veja.

«Nunca se deve dar o poder a um tipo porreiro»

Monday, October 4th, 2010

No início, ninguém dá nada por eles. Mas, pouco apouco, vão conseguindo afirmar o seu espaço. Não se lhes conhece nada de significativo, mas começa a dizer-se deles que são tipos porreiros. Geralmente estes tipos porreiros interessam-se por assuntos também eles porreiros e que dão notícias porreiras. Note-se que, na política, os tipos porreiros muito frequentemente não têm qualquer opinião sobre as matérias em causa mas porreiramente percebem o que está a dar e por aí vão com vista à consolidação da sua imagem como os mais porreiros entre os porreiros. Ser considerado porreiro é uma espécie de plebiscito da popularidade. Por isso não há coisa mais perigosa do que um tipo porreiro com poder.

(…)

E foi assim, de porreirismo em porreirismo, caímos neste atoleiros cheio de gajos porreiros.

Toda esta gente é paga com o nosso dinheiro. Não lhes pedimos que façam muito. Nem sequer lhes pedimos que façam bem. Mas acho que temos o direito de lhes exigir que se portem com o mínimo de dignidade. Um titular de cargos políticos ou públicos pode ter cometido actos menos transparentes. Pode ser incompetente. Pode até ser ignorante e parcial. De tudo isto já tivemos. Aquilo para que não estávamos preparados era para esta espécie de escala. Como se esta gente não conseguisse perceber que o país é muito mais importante que o seu egozinho. Infelizmente para nós, os gajos porreiros nunca despegam.

Helena Matos, Nunca se deve dar poder a um tipo porreiro, Público, 2 Abril 2009

Este é um excerto de um artigo publicado no Público de hoje. A jornalista e investigadora está a falar, neste artigo, de um político que nos governa, mas poderia estar a falar de um director de uma qualquer federação desportiva do nosso país. De uma qualquer disse eu, incluindo a FPX ou a AX Lisboa.

O artigo é muito mais interessante e mordaz para esta tragicomédia nacional que se tem traduzido os nossos dirigentes políticos e desportivos, quando não são eles mesmos políticos e desportivos, como é exemplo, o Deputado da Assembleia da República e Presidente da Liga de Futebol Profissional. É a já nossa conhecida fórmula dois em um. Pode não ser económica mas deve ser eficaz.

O facto de se exercerem cargos a título gracioso, isenta alguém da irresponsabilidade, quando ela exista ou seja manifesta ou mesmo da incompetência, quando esta esteja à vista de todos e provoque danos ou sofrimento alheio? A gratuitidade é justificação para a asneira ou para benefício em causa própria?


Este texto e os meus comentários já foram publicados em Ala de Rei em Abril de 2009 (Os sublinhados são da responsabilidade de Ala de Rei)

Futebol e xadrez ou sobre o FC Porto e Bobby Fischer…

Wednesday, September 15th, 2010

Recebi este estranho alerta do Google


FC Porto volta à segunda prova da UEFA após o título
Público.pt
O norte-americano Bobby Fischer recusou defender o título de campeão mundial de
xadrez em 1975, mas mesmo assim auto-intitulava-se campeão, já que,


Mas, clicando na ligação aparece-nos este artigo Filipe Escobar de Lima, jornalista do Público

Os portistas defrontam amanhã no Estádio do Dragão o Rapid de Viena na Liga Europa

O norte-americano Bobby Fischer recusou defender o título de campeão mundial de xadrez em 1975, mas mesmo assim auto-intitulava-se campeão, já que, não jogando, ninguém o podia derrotar. Este é o cenário que o Rapid de Viena vai enfrentar amanhã à noite no Dragão: à letra, o FC Porto é o campeão da Taça UEFA (agora chamada Liga Europa), pois volta a esta competição depois de a ter conquistado em 2003.

Em 1992, Fischer voltou a disputar um encontro contra o russo Boris Spassky. Mesmo estando vinte anos afastado, enquanto Spassky permaneceu activo durante todo este tempo, Fischer venceu com relativa facilidade, introduzindo até diversas novidades teóricas no jogo. Os portistas estiveram fora desta prova durante sete anos – passaram a ser presença constante na Liga dos Campeões, conquistando-a mesmo em 2004 – mas um ano menos bom no campeonato da época passada atirou os “dragões” para a segunda prova mais importante da UEFA.

É com este espírito que a equipa de Villas-Boas vai defrontar o Rapid de Viena. E a história também não é simpática para a equipa austríaca, que chega a Portugal na ressaca de uma derrota em casa para a Liga, frente ao Áustria de Viena (0-1). Foi Linz, ex-jogador do Boavista e do Sp. Braga, quem marcou o golo. Ele, que esteve muito perto de assinar pelo FC Porto, antes do Europeu de 2008, mas problemas entre portistas e bracarenses impediram o negócio, “apesar de estar tudo acertado com Antero [Henrique]“, confidenciou o avançado.
(…)

Lido no Público.

É incrível e é verdade. No futebol é assim!

Saturday, August 28th, 2010

I. Suspensão à portuguesa

Carlos Queiroz ainda, neste momento, o seleccionador nacional de futebol da FPF, o qual se encontra já ou em vias de suspensão daquelas funções durante os próximos jogos oficiais da selecção nacional. Será, para o feito substituído, pelo seleccionador-adjunto Oliveira.

No entanto, foi Carlos Queiroz quem fez a convocatória para o primeiro encontro oficial de apuramento para o Euro 2012 e por correio.

Afinal Carlos Queiroz “é seleccionador” e está suspenso de acompanhar a equipa na competição, mas não está suspenso de seleccionar. Afinal está suspenso de quê, de seleccionar ou treinar?

II. Feriados à brasileira

O calendário internacional de qualificação para o Campeonto da Europa2012, a disputar na Ucrânia e Polónia., sofreu uma pequena revolução. As datas estão definidas há alguns meses, mas só agora, com o aproximar dos primeiros jogos, o assunto ganha relevância.

A mudança tem a ver com os novos dias da semana que foram atribuídos aos jogos de selecção: terças e sextas-feias, no lugar das até aqui habituais quartas-feiras e sábados. Uma alteração que se se deve à pressão feita pelos clubes, no sentido de ‘resgatarem’ os seus jogadores um dia mas cedo do que era habitual, após as jornadas duplas de selecção.

O Congresso brasileiro está a debater a possibilidade de declarar feriados nos dias dos jogos da selecção ‘canarinha’ no Mundial de 2014, prova que terá lugar no Brasil. «Seria sinal de unidade», disse o deputado Felipe Bornier.

(Lido em Correio da Manhã)

É incrível e é verdade. No futebol é assim! Se moda pega por cá

«Viswanathan Anand – A Índia delira por causa do seu campeão mundial e por causa do jogo de xadrez»

Saturday, August 21st, 2010

Viswanathan Anand deu uma simultânea de 30 tabuleiros numa escola indiana em Julho 2010


Em exclusivo nacional, o ionline publicou hoje o artigo de Vikas Bajaj do The New York Times sobre o actual campeão do mundo, o grande mestre indiano Viswanathan Anand, recebido na Índia como «herói nacional».


As raparigas reunidas no auditório da escola, num sábado recente, estavam radiantes de orgulho e nervosas com a expectativa. Em breve iriam conhecer a estrela dos seus sonhos: Viswanathan Anand.

«Quero ser o próximo Vishy”», declara Chetna Karnani, 16 anos, referindo-se a Anand pela sua alcunha. «Pratico quatro horas por dia.» Anand não é nenhum galã de Bollywood ou um cantor pop. O ídolo que fez delirar as raparigas é um despretensioso campeão de xadrez de óculos com 40 anos.

Anand, que deteve o título mundial durante três anos, parece ter merecido a fama que a Índia reserva habitualmente para as estrelas de cinema, jogadores de críquete e políticos. As raparigas vieram à escola num sábado na esperança de jogar uma partida com ele.

Quando chega com um séquito de quatro guarda-costas para o proteger da multidão, as alunas, fascinadas, procuram timidamente, obter o seu autógrafo e assaltam-no com perguntas acerca da sua última partida para o título, contra o búlgaro Veselin Topalov.

Os historiadores dizem que o xadrez tem as suas raízes nos antigos jogos indianos de chaturanga e shatranj, antes muito populares na Índia. Porém, o xadrez nunca conquistou a Índia moderna. Anand é o primeiro indiano a alguma vez ter ganho o título mundial.

No entanto, o êxito de Anand – foi campeão mundial júnior aos 17 anos e conquistou o seu primeiro título mundial aos 31 anos – criou uma vaga de entusiasmo pelo jogo. Amit Varma, um popular bloguista indiano, compara o seu impacto com os muitos adeptos que Bobby Fisher obteve para o xadrez nos Estados Unidos quando derrotou o grande mestre russo Boris Spassky em 1972. «Enquanto escrevo estas palavras, no dia a seguir à sua vitória, os jornais e os canais de televisão não param de falar nele», escreveu Varma depois da recente vitória de Anand sobre Topalov, numa coluna no Yahoo! Índia. «O xadrez, de forma surpreendente, pode estar a caminho de tornar-se num desporto de multidões na Índia.»

Anand usou a sua fama para promover o jogo na Índia, patrocinando uma rede nacional de clubes de xadrez como o do liceu de Karnani, a Escola Internacional Sadhu Vasvani para Raparigas, no Sul de Deli. Os responsáveis estimam que os clubes, que são administrados por uma empresa de educação indiana, a NIIT, tenham arregimentado 850 mil estudantes.


O artigo continua em ionline. O original em inglês, India swoons ovr its chess champ, and even the game, de Vikas Bajaj foi publicado na edição de 8/8/2010, do The New York Times. Dylan Loeb McClain contribuiu para a elaboração deste artigo do NYT

«O plano de Karpov para uma FIDE mais forte» por Carl Jacobs (Guardian)

Friday, August 13th, 2010

Carl Jacobs publicou no jornal Guardian, das ilhas Trindade e Tobago, o artigo Karpov’s plan for stronger FIDE (O plano de Karpov para uma FIDE mais forte) que apresento traduzido na sua totalidade para português.

É tempo do organismo mundial de xadrez, a FIDE, quebrar a sua “dependência de fontes não confiáveis” e regressar ao tempo em que as maiores empresas competitivamente se ofereciam para investir no xadrez. Esta é uma das mudanças fundamentais a serem promovidas pelo décimo segundo campeão mundial de xadrez Anatoly Karpov na actual campanha para substituir Kirsan Ilyumzhinov como responsável da FIDE nas eleições presidenciais do próximo mês. Como exemplo do que ele significa, Karpov anunciou um  amplo programa de desenvolvimento mundial do xadrez de quatro milhões de dólares no seu primeiro mandato, para as «federações que se debatem com dificuldades em todo o mundo». «Este apoio quatro endosso milhões de dólares vem de interesses comerciais que querem investir no xadrez e que pretendem beneficiar com a forma como o movimento de globalização pode apoiar profissionalmente e promover o jogo», explicou Karpov. «Temos andado a falar com diferentes grupos há meses e queria certificar-me de que tudo estava definido antes de anunciar. Dissemos-lhes que, a partir deste ano, o xadrez iria ser uma grande oportunidade com uma nova administração da FIDE que teria patrocínio comercial sério.»

O ex-campeão mundial disse que o pacote de quatro milhões de dólares não inclui os patrocínios do campeonato do mundo e outros eventos. Pelo contrário,  seria dedicado a «programas para o xadrez jovem e para formar jogadores e no desenvolvimento das federações». Isto, declarou, traria benefícios a longo prazo, a todo o xadrez no mundo. Uma necessidade crítica, disse Karpov, é «alargar dramaticamente a base das receitas de apoio ao xadrez, atraindo os diversos tipos de patrocínio». Mas isto só acontecerá após a mudança da gestão da FIDE, acrescentou. «Os patrocinadores querem lidar com pessoas de comprovada integridade e confiança, que têm a experiência e visão empresarial para oferecer».

As empresas tornam-se patrocinadores porque desejam estar associados ao xadrez. «Durante anos, a FIDE foi conduzida por uma pessoa sobre a qual muito se tem escrito e difundido, quase tudo o que tem prejudicado a imagem do jogo. Não é de surpresa que os patrocinadores se tenham afastado. Devemos melhorar a imagem do xadrez (a nossa ‘marca’) para tornar o xadrez mais atractivo aos patrocinadores», declaram da campanha de Karpov.

Em resumo, o candidato propõe edificar uma nova base financeira para a FIDE, primeiro dirigindo com integridade e através de uma equipa de profissionais especializados sediados nos grandes centros empresariais de todo o mundo. A seguir o seu programa seria: obter o apoio de celebridades da cultura e do entretenimento; criar programas que possam atrair patrocínios empresariais, individuais e estatais como a ligação do xadrez com a educação e a formação; comercializar o desporto profissionalmente; desenvolver joint-ventures com empresas de sucesso; alargar a base dos jogadores e não focar apenas a elite; recuperar as relações adversas entre a FIDE e a maior parte da elite do xadrez; fundar e coordenar missões para fortes mestres e grandes mestres visitarem várias federações proporcionando formação de conhecimentos e de inspiraçãoRetirar dinheiro das federações e redistribuir devolvendo-lhes uma parte para eles não é um modelo de de gestão, afirma a campanha de Karpov.

Em vez disso, o plano é reduzir os impostos e taxas pagas à FIDE e desenvolver programas para prescindir das taxas a certas federações que sofrem de dificuldades financeiras. Além disso, as federações de risco devem ser ajudadas pela FIDE e não punidos. «Nós não dependemos exclusivamente das federações para financiar a FIDE. As políticas do passado ignoraram completamente a ampla divulgação dos patrocínios, reduzindo, assim, drasticamente o rendimento potencial da FIDE», prometeu a campanha de Karpov. Pormenores do “manifesto” apresentado pela equipa de Karpov estão descritos no sítio do ex-campeão mundial. Parece a Double Rooks ["Duas Torres", nome da coluna na jornal]  que as propostas estão efectiva e compreensivelmente destinadas a retirar o jogo de xadrez da estagnação que sofreu nos últimos 15 anos para uma nova era de progressivo em que a administração da modalidade irá recuperar a sua imagem de confiança e ganhar novamente o apoio do mundo inteiro que merece.

Parece duvidoso que a T & T Chess Association tenha feito um cuidadoso estudo comparativo das personalidades e programas que estão por trás das campanhas alegando antes de confiar o seu apoio ao controverso candidato. Embora a associação dificilmente pudesse ter recusado não pudesse ter recusado a oferta de US$ 40.000 de Ilyumzhinov oferecer para sediar a Umada Cup 2010 em Porto Espanha, o seu interesse na futura administração e do progresso do xadrez não devia tê-la tornado uma presa fácil para este óbvio gambito pré-eleitoral. Esta declaração da equipa de Karpov oferece uma conclusão adequada: «Os dirigentes regionais devem dispor de maior autonomia e recursos. Os recursos devem ser fornecidos de forma consistente, em vez de uma vez a cada quatro anos, na véspera das eleições para a FIDE. Práticas anteriores contaminam o processo eleitoral. Por esta razão, nós apoiamos “uma federação, um voto”, como um ingrediente importante nas práticas democráticas da FIDE e como uma garantia de que as federações pequenas e em desenvolvimento tenham uma voz.»

Lido em Guardian.

(Sublinhados da responsabilidade de Ala de Rei)

«O plano de Karpov para uma FIDE mais forte» por Carl Jacobs (Guardian)

Friday, August 13th, 2010

Carl Jacobs publicou no jornal Guardian, das ilhas Trindade e Tobago, o artigo Karpov’s plan for stronger FIDE (O plano de Karpov para uma FIDE mais forte) que apresento traduzido na sua totalidade para português.

É tempo do organismo mundial de xadrez, a FIDE, quebrar a sua “dependência de fontes não confiáveis” e regressar ao tempo em que as maiores empresas competitivamente se ofereciam para investir no xadrez. Esta é uma das mudanças fundamentais a serem promovidas pelo décimo segundo campeão mundial de xadrez Anatoly Karpov na actual campanha para substituir Kirsan Ilyumzhinov como responsável da FIDE nas eleições presidenciais do próximo mês. Como exemplo do que ele significa, Karpov anunciou um  amplo programa de desenvolvimento mundial do xadrez de quatro milhões de dólares no seu primeiro mandato, para as «federações que se debatem com dificuldades em todo o mundo». «Este apoio quatro endosso milhões de dólares vem de interesses comerciais que querem investir no xadrez e que pretendem beneficiar com a forma como o movimento de globalização pode apoiar profissionalmente e promover o jogo», explicou Karpov. «Temos andado a falar com diferentes grupos há meses e queria certificar-me de que tudo estava definido antes de anunciar. Dissemos-lhes que, a partir deste ano, o xadrez iria ser uma grande oportunidade com uma nova administração da FIDE que teria patrocínio comercial sério.»

O ex-campeão mundial disse que o pacote de quatro milhões de dólares não inclui os patrocínios do campeonato do mundo e outros eventos. Pelo contrário,  seria dedicado a «programas para o xadrez jovem e para formar jogadores e no desenvolvimento das federações». Isto, declarou, traria benefícios a longo prazo, a todo o xadrez no mundo. Uma necessidade crítica, disse Karpov, é «alargar dramaticamente a base das receitas de apoio ao xadrez, atraindo os diversos tipos de patrocínio». Mas isto só acontecerá após a mudança da gestão da FIDE, acrescentou. «Os patrocinadores querem lidar com pessoas de comprovada integridade e confiança, que têm a experiência e visão empresarial para oferecer».

As empresas tornam-se patrocinadores porque desejam estar associados ao xadrez. «Durante anos, a FIDE foi conduzida por uma pessoa sobre a qual muito se tem escrito e difundido, quase tudo o que tem prejudicado a imagem do jogo. Não é de surpresa que os patrocinadores se tenham afastado. Devemos melhorar a imagem do xadrez (a nossa ‘marca’) para tornar o xadrez mais atractivo aos patrocinadores», declaram da campanha de Karpov.

Em resumo, o candidato propõe edificar uma nova base financeira para a FIDE, primeiro dirigindo com integridade e através de uma equipa de profissionais especializados sediados nos grandes centros empresariais de todo o mundo. A seguir o seu programa seria: obter o apoio de celebridades da cultura e do entretenimento; criar programas que possam atrair patrocínios empresariais, individuais e estatais como a ligação do xadrez com a educação e a formação; comercializar o desporto profissionalmente; desenvolver joint-ventures com empresas de sucesso; alargar a base dos jogadores e não focar apenas a elite; recuperar as relações adversas entre a FIDE e a maior parte da elite do xadrez; fundar e coordenar missões para fortes mestres e grandes mestres visitarem várias federações proporcionando formação de conhecimentos e de inspiraçãoRetirar dinheiro das federações e redistribuir devolvendo-lhes uma parte para eles não é um modelo de de gestão, afirma a campanha de Karpov.

Em vez disso, o plano é reduzir os impostos e taxas pagas à FIDE e desenvolver programas para prescindir das taxas a certas federações que sofrem de dificuldades financeiras. Além disso, as federações de risco devem ser ajudadas pela FIDE e não punidos. «Nós não dependemos exclusivamente das federações para financiar a FIDE. As políticas do passado ignoraram completamente a ampla divulgação dos patrocínios, reduzindo, assim, drasticamente o rendimento potencial da FIDE», prometeu a campanha de Karpov. Pormenores do “manifesto” apresentado pela equipa de Karpov estão descritos no sítio do ex-campeão mundial. Parece a Double Rooks ["Duas Torres", nome da coluna na jornal]  que as propostas estão efectiva e compreensivelmente destinadas a retirar o jogo de xadrez da estagnação que sofreu nos últimos 15 anos para uma nova era de progressivo em que a administração da modalidade irá recuperar a sua imagem de confiança e ganhar novamente o apoio do mundo inteiro que merece.

Parece duvidoso que a T & T Chess Association tenha feito um cuidadoso estudo comparativo das personalidades e programas que estão por trás das campanhas alegando antes de confiar o seu apoio ao controverso candidato. Embora a associação dificilmente pudesse ter recusado não pudesse ter recusado a oferta de US$ 40.000 de Ilyumzhinov oferecer para sediar a Umada Cup 2010 em Porto Espanha, o seu interesse na futura administração e do progresso do xadrez não devia tê-la tornado uma presa fácil para este óbvio gambito pré-eleitoral. Esta declaração da equipa de Karpov oferece uma conclusão adequada: «Os dirigentes regionais devem dispor de maior autonomia e recursos. Os recursos devem ser fornecidos de forma consistente, em vez de uma vez a cada quatro anos, na véspera das eleições para a FIDE. Práticas anteriores contaminam o processo eleitoral. Por esta razão, nós apoiamos “uma federação, um voto”, como um ingrediente importante nas práticas democráticas da FIDE e como uma garantia de que as federações pequenas e em desenvolvimento tenham uma voz.»

Lido em Guardian.

(Sublinhados da responsabilidade de Ala de Rei)

Indignação do marido e sogros pelo valor do dote estropia jovem Parvin Khatun para o resto da vida

Sunday, August 1st, 2010
Com o apoo dos pulsos, Parvin fala ao telemóvel durante o GrameenPhone Special National Chess Tournament realizado no Conselho Nacional do Desporto da Federação de Xadrez do Banglaesh.


Reportagem de Morshed Ali Khan e Anisur Rahman do jornal The Daily Star.


Parvin Khatun, de 25 anos, com ambas as mãos amputadas pelos pulsos e quase cega, chegou à capital para competir na recém realizada GrameenPhone, nona especial do Torneio Nacional de Xadrez, da localidade de Notun Kashba da União do Haripur [Bangladesh], jurisdição da esquadra da polícia de Paba, em Rajshahi.

A sua situação actual foi-lhe infligida por um cruel atentado alegadamente orquestrado pelo marido e sogros, em Outubro de 2000, por causa do dote.

Ela conversou com os correspondentes do The Daily Star, no Conselho Nacional do Desporto da Federação de Xadrez do Bangladesh, na 4ª feira. A ADD [Action on Disability and Development], uma organização não-governamental que trabalha para pessoas deficientes em Rajshahi, patrocinou a sua participação no torneio para pessoas fisicamente desfavorecidas.

Apenas três meses após o casamento de Parvin com Mohammad Alamgir Hossain Tipu, em Abril de 2000, em troca de um dote de Tk 9000 Takas [€ 99,36], 1,25 bhori [1 bhori = 11.684 gramas] de ouro e nove bhoris de prata, ela foi abordada novamente pelo seu marido e sogros para mais.

O seu marido, sogra e cunhada, pressionaram-na a voltar para os seus pais e trazer, pelo menos, mais Tk 5000 ou nove pedaços de estanho ondulado, colocando Parvin, que tinha apenas dezesseis anos na altura, numa situação muito difícil.

Apenas há três meses, o seu pai Mohammad Abdul Alek, trabalhador teve imensas dificuldades para arranjar um dote para o casamento da sua filha.

«Eu não sabia onde o meu pai poderia arranjar a quantia extra. No entanto, fui ter com os meus pais, mas regressei com as mãos vazias dois dias depois», disse Parvin com as lágrimas nos olhos a escorrerem-lhe pelo rosto.

«Sou a filha única com três filhos na família e conseguia sentir a dor dos meus pais e dos meus irmãos, que estavam a sentir-se totalmente desamparados», acrescentou.

Quando Parvin tentou explicar ao seu marido e aos sogros que os seus pais são demasiado pobres para atender ao pedido, toda a família do seu marido ficou furiosa. Começaram a citar, dia e noite, os exemplos de outras famílias da aldeia que tinham recebido grandes dotes.

Um sábado de manhã, em Outubro de 2000, a sogra e a cunhada, pediram-lhe para recolher o feno a partir da colheita de arroz e empilhá-lo em frente da sua casa. Enquanto recolhia o feno, encontrou dois pacotes cuidadosamente embrulhados embaixo.

«A minha sogra e a minha cunhada pediram-me para levar os pacotes para o meu quarto e abri-los. Elas correram para fora da sala e não me lembro de mais nada depois disso», disse Parvin.

Ela foi internada no Hospital Rajshahi Sadar com ferimentos horríveis, tendo os médicos amputado as duas mãos a partir dos pulsos. Perdeu um dos seus olhos e mal pode ver com o outro. Disse que todo o seu corpo tem marcas dos ferimentos.

Como de costume, o caso que se arrastava na esquadra da polícia de Paba, foi arquivado. Num aspecto, o shalish (um tribunal não oficial dos anciãos e outras pesoas influentes da aldeia) resolveu a questão, ordenando ao seu marido e sua família para devolver o montante total do dote que a família Parvin tinha pago no momento do seu casamento e concedeu imunidade à família do marido de qualquer punição.

«Eles devolveram o dote aos meus pais, mas eu fiquei sem nada. Agora, luto para viver como uma pessoa deficiente», disse Parvi soluçando.


Publicado em The Daily Star.

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