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«Portugal precisa absolutamente de uma geopolítica desportiva» por Mário Bacelar Begonha

Wednesday, November 10th, 2010

O sociólogo Mário Bacelar Begonha, apresenta-nos mais uma das suas excelentes crónicas com que brinda os seus leitores no jornal Diário de Notícias. A estrutura desportiva de um país, deve começar enquadrada na política educativa nacional e ter o apoio das estruturas políticas e desportivas locais que possam suportar determinada modalidade desportiva. Só assim será sustentável uma verdadeira estrutura desportiva.

A Estrutura desportiva de um País

Um país deve conter uma nação e para poder exercer a sua soberania precisa de território, da população  e de uma Governo, são os chamados «fins de conservação» de um Estado.

É evidente que uma nação é um conjunto de indivíduos com um passado e presente comuns e com vontade e determinação para terem um futuro também comum.

Somos apologistas de que a circunstância Estado deve estar ao serviço da circunstância cidadão e não ao contrário como, aliás, ensinou e explicou o prof. Adriano Moreira, por isso a organização do território deve obedecer e estar subordinada aos interesses dos cidadãos, sem esquecer as suas necessidades e, nesse sentido, à Administração Regional e Local cabe-lhes a tarefa concorrer com o seu trabalho e estudo, para uma distribuição justa e equitativa dos recursos nacionais que desta forma racionalizam e rentabilizam a riqueza nacional, ajudando a distribuir aquilo a que Tinbergan chamou de “Felicidade Nacional Bruta”.

Portugal precisa absolutamente de uma geopolítica desportiva ou seja, cada região do país tem as suas características e as suas especificidades em função do terreno, do clima, do rendimento de que a região pode dispor, que condicionam os chamados recursos humanos e materiais e ainda das características tradicionais e culturais (de cada região) que ficam naturalmente mais receptivas à prática de certas modalidades desportivas que outras.

É evidente que é utópico fazer esqui de neve no Algarve.

As assimetrias que se verificam no territórionacional, no seu todo, contribuem para o enriquecimento cultural do País, mas se não forem corrigidas no plano material contribuem certamente para a sua desgraça, através da pobreza, a desertificação humana, que, pelo abandono das novas gerações, condena certas regiões a serem apagadas do mapa do País.

O planeamento da actividade física escolar, a quem alguns ainda chamam de educação física, deve ser elaborado por cada região, levando em linha de conta as grandes orientações (gerais) do Plano Educativo Nacional, mas com grande autonomia, por parte das regiões, que dessa forma garantem, aos da terra, a sua colocação laboral, já que esses agentes têm uma preparação específica adaptada, e necessária, à região, tornando os forasteiros dos concursos nacionais, elementos intrusos incapazes de se aculturarem à religião, em autêntico inadaptados.

É evidente que tudo isto implica um Plano Estratégico para a Educação Nacional e é isso que se espera de quem tem a inteligência de ter escolhido a democracia e a coragem para abraçar o socialismo (a social-democracia).

Então comecem a trabalhar nesse sentido, e acreditem que terão um grande apoio por parte do poder local…

… E não tenham medo de perder o poder, fazendo o que está certo, porque desta forma ganham o País.

Artigo lido na edição impressa do Diário de Notícias.


(Sublinhados da responsabilidade de Ala de Rei).

«Portugal precisa absolutamente de uma geopolítica desportiva» por Mário Bacelar Begonha

Wednesday, November 10th, 2010

O sociólogo Mário Bacelar Begonha, apresenta-nos mais uma das suas excelentes crónicas com que brinda os seus leitores no jornal Diário de Notícias. A estrutura desportiva de um país, deve começar enquadrada na política educativa nacional e ter o apoio das estruturas políticas e desportivas locais que possam suportar determinada modalidade desportiva. Só assim será sustentável uma verdadeira estrutura desportiva.

A Estrutura desportiva de um País

Um país deve conter uma nação e para poder exercer a sua soberania precisa de território, da população  e de uma Governo, são os chamados «fins de conservação» de um Estado.

É evidente que uma nação é um conjunto de indivíduos com um passado e presente comuns e com vontade e determinação para terem um futuro também comum.

Somos apologistas de que a circunstância Estado deve estar ao serviço da circunstância cidadão e não ao contrário como, aliás, ensinou e explicou o prof. Adriano Moreira, por isso a organização do território deve obedecer e estar subordinada aos interesses dos cidadãos, sem esquecer as suas necessidades e, nesse sentido, à Administração Regional e Local cabe-lhes a tarefa concorrer com o seu trabalho e estudo, para uma distribuição justa e equitativa dos recursos nacionais que desta forma racionalizam e rentabilizam a riqueza nacional, ajudando a distribuir aquilo a que Tinbergan chamou de “Felicidade Nacional Bruta”.

Portugal precisa absolutamente de uma geopolítica desportiva ou seja, cada região do país tem as suas características e as suas especificidades em função do terreno, do clima, do rendimento de que a região pode dispor, que condicionam os chamados recursos humanos e materiais e ainda das características tradicionais e culturais (de cada região) que ficam naturalmente mais receptivas à prática de certas modalidades desportivas que outras.

É evidente que é utópico fazer esqui de neve no Algarve.

As assimetrias que se verificam no territórionacional, no seu todo, contribuem para o enriquecimento cultural do País, mas se não forem corrigidas no plano material contribuem certamente para a sua desgraça, através da pobreza, a desertificação humana, que, pelo abandono das novas gerações, condena certas regiões a serem apagadas do mapa do País.

O planeamento da actividade física escolar, a quem alguns ainda chamam de educação física, deve ser elaborado por cada região, levando em linha de conta as grandes orientações (gerais) do Plano Educativo Nacional, mas com grande autonomia, por parte das regiões, que dessa forma garantem, aos da terra, a sua colocação laboral, já que esses agentes têm uma preparação específica adaptada, e necessária, à região, tornando os forasteiros dos concursos nacionais, elementos intrusos incapazes de se aculturarem à religião, em autêntico inadaptados.

É evidente que tudo isto implica um Plano Estratégico para a Educação Nacional e é isso que se espera de quem tem a inteligência de ter escolhido a democracia e a coragem para abraçar o socialismo (a social-democracia).

Então comecem a trabalhar nesse sentido, e acreditem que terão um grande apoio por parte do poder local…

… E não tenham medo de perder o poder, fazendo o que está certo, porque desta forma ganham o País.

Artigo lido na edição impressa do Diário de Notícias.


(Sublinhados da responsabilidade de Ala de Rei).

«Uma selecção nacional não pode ser uma concentração de mercenários que só querem ser portugueses como porta de entrada na Comunidade Europeia» (Dr Mário Bacelar Begonha)

Wednesday, April 14th, 2010

O sociólogo Mário Bacelar Begonha publicou hoje, no DN, um artigo de opinião O “valor” da nacionalidade. Não podia estar mais de acordo com ele e resumo o seu texto com a citação escolhida pelo DN para ilustrar o artigo – «Não se ‘compra’ a nacionalidade como se compram batatas».

 

O “valor” da nacionalidade

Ensinava-se na OPAN (Organização Política e Administrativa da Nação) que a soberania residia na Nação e que esta era o conjunto dos cidadãos. Renan vai mais longe e explica melhor, dizendo que «Nação é um conjunto de pessoas com um passado comum, com um presente comum e com aspirações comuns para o futuro». Malraux acrescentou-lhe com uma comunidade de sonhos para o futuro»»…

Ora, parece que é um valor inestimável, a nacionalidade, motivo de orgulho e de honra, mas são certamente “estados de alma” que só são possíveis para quem foi imbuído da cultura da Nação, desde tenra idade e que por isso está disposto a fazer sacrifícios, se para tanto for necessário, como defender o País contra qualquer invasor, para além de qualquer serviço cívico, inclusive, o desempenho de cargos políticos, por isso mesmo mal remunerados.

Para quem entende a nacionalidade como uma “coisa” quase sagrada, torna-se difícil compreender e aceitar, que seja susceptível de ser traficada num “mercado” e que alguém possa vir a lucrar nesses negócio, como intermediário.

Mas… fontes da Polícia Judiciária publicadas em jornais diários têm desmascarado “redes” que se dedicam a esse “negócio”…

Só que não nos parece assunto que possa ser discutido por uma instituição de utilidade pública, como é uma federação desportiva, e muito menos que façam diligências nesse sentido, mesmo partindo do princípio, óbvio, de que não terão qualquer vantagem material com o assunto.

Sabemos que há regras para a atribuição da nacionalidade, mas também pensamos que existem (ou deveriam existir) regras para a retirar a quem, publicamente, a renega ou repudia ou que demonstra, por palavras e acros, não a merecer.

Seria bom que a Federação Portuguesa de Futebol tivesse em atenção e tentasse uma exegese acerca das recentes palavras de José Mourinho referindo-se a jogadores de futebol “nacionalizados” na selecção portuguesa, caso ele fosse seleccionador.

Só demonstra que de facto”ele” é um português de “gema”, ou seja, “o que há de mais puro e genuíno”, isto à letra. E é de facto assim que terá de ser no futuro, sob pena de perdermos a nossa identidade e, por último, o que nos resta da nossa dignidade, que não pode estar “à venda” mesmo que fosse para corrigir o deficit da dívida.

Compreendemos que a culpa das afirmações de Deco (jogador de futebol) não lhe pode ser atribuída na totalidade, já que há pessoas mais responsáveis, portadores de cultura superior e com estatuto, que de facto facilitaram, embora com um objectivo nobre, colocar a selecção a ganhar.

Mas para tudo na vida há limites e não se pode ir ao mercado “comprar” a nacionalidade, como se compram batatas.

Deco fez questão de dizer, no estrangeiro, e por estar interessado em regressar ao Brasil, que «agradecia muito a Portugal o que fez por ele, mas que ele era brasileiro». E como tal  se afirma publicamente. Ora, só esperamos que lhe seja retirada a nacionalidade portuguesa já que ele não “precisa” dela.

E seria bom, no futuro, que certos dirigentes desportivos tivessem em conta que uma selecção nacional não pode ser uma concentração de mercenários que só querem ser portugueses como porta de entrada na Comunidade Europeia.

No fundo é uma geopolítica desportiva das necessidades, do que se trata. Mas leiam primeiro «… a Fome», de Josué de Castro, para perceberem o contexto destas palavras. «Antes sofria-se, matava-se e morria-se para salvar a alma. Hoje, o homem sofre e faz sofrer, mata e morre, realiza coisas magníficas e coisas horrenda, apenas pêra salvar a pele» (Curzio Malaparte).

Mas não à custa de uma nacionalidade. Com isso não se brinca.

 

(Sublinhados da responsabilidade de Ala de Rei)

‘Desporto’… em Portugal

Thursday, December 10th, 2009

O Sociólogo Mário Bacelar Begonha escreveu hoje no Diário de Notícicas

É dificil, em “Portugal”, falar de “Desporto” quando a maioria traduz tal conceito por futebol (profissional). Trata-se de um “conceito” que numa sociedade desenvolvida significa parte integrante da Educação Física, hoje versus Motricidade Humana que, com o é sabido, engloba ginástica, jogos e desportos. Segundo alguns autores deveria ainda juntar-se a “iniciação desportiva”.

Só que a confusão, e a ausência de conhecimento, levaram o poder político a não perceber que não pode, nem deve, abdicar de uma “Secretaria de Estado do Desporto” integrada no “Ministério da Educação”.

Absurdo dos absurdos é a existência de uma Secretaria do Desporto para o sector profissional. Bastava uma Direcção-Geral dos Espectáculos Desportivos.

Há que destrinçar entre desporto profissional e desporto amador. Por outro lado, há que perceber que a juventude que é “obrigada” à escolaridade até ao 12.º ano deve estar vinculada ao Ministério da Educação.

A educação é um fenómeno global e segundo o “Gestaltismo” o homem é um todo, uno e indivisível. Por isso não existe uma educação do “corpo”, outra do “espírito” e outra da “alma”, o que existe é tão-só “educação”.

E assim sendo, não compreendemos como o poder político ignora tal facto, ou parece ignorar, já que afirma publicamente, a sua grande preocupação com a formação da juventude.

O poder político tem de se preocupar com a sua “eficácia”, pois é a partir dela, ou em resultado dela, que se pode legitimar a sua continuidade na governação da grei.

Ler mais em DN online.

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