Artigo do Prof José Meirim, Ganhar, ganhar uma vez mais, ganhar sempre!, no Público, onde aborda, segundo a sua percepção, a falta de interesse da «maioria dos presidentes dos clubes e sociedades desportivas esteja muito empenhada em planos de desenvolvimento, na sustentabilidade do negócio, em ver ao longe…. O que verdadeiramente interessa aos clubes, individualmente considerados, é obter mais receitas e ainda mais receitas, para “adquirir” mais um (sete ou oito) jogador ou rescindir com um treinador.».
1. A Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) apresentou
esta semana um estudo intitulado Competição fora das 4 linhas. Trata-se de uma reflexão estratégica sobre a sustentabilidade do futebol profissional em Portugal, realizada pelo Centro de Estudos em Gestão e Economia da Universidade Católica, do Porto, a pedido da LPFP. Não nos sendo possível, por ora, analisá-lo em toda a sua extensão, fica o registo da sua oportunidade e de alguns ecos noticiosos, como o do aumento do passivo dos clubes e sociedades desportivas (880 milhões de euros, tendo os clubes da I Liga inflacionado em cerca 500 milhões a dependência ao crédito bancário).
O presidente da LPFP terá afirmado: “Tal como o país, o futebol profissional precisa de acordar para a realidade e questionar se este é o caminho que nos garante competitividade e sustentatibilidade. E por muito dura que seja a resposta, ela é clara: não.”
2. Por outro lado, no basquetebol, assistiu-se a um “levantar” dos clubes da Liga e da Proliga exigindo acções concretas por parte da Federação Portuguesa de Basquetebol. Chega-se a falar, de acordo com a imprensa, na “criação de uma Associação de Clubes – um pouco na linha do que já foi a Liga de Clubes de Basquetebol (LCB) -, de forma a defender os seus interesses junto da Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB)”. Redução de custos com a arbitragem, mais transmissões televisivas (procura de receitas), alterações do modelo competitivo, não-aceitação dos valores das taxas de inscrição, melhor marketing e publicidade, são algumas das “reivindicações” dos clubes do basquetebol.
3. Estes dois factos trouxeram-nos à memória registos empíricos do passado e que, ao que parece, se repetem sempre e sempre.Não conhecendo a realidade histórica da LPFP, tive a oportunidade, no entanto, de viver mais de perto as da Liga de Clubes de Basquetebol e da Liga Portuguesa de Andebol (LPA).
Quer uma, quer outra, com significativas diferenças temporais, foram consumidas por uma doença fatal, mesmo que uma, a LPA, tenha “morrido” sem dívidas: o frenesim dos dirigentes dos clubes e das sociedades desportivas em ganharem, ganharem sempre, custe o que custar, mesmo que se ponha em causa qualquer estratégia de desenvolvimento.
4. O mesmo sucede no futebol. Não creio, é a minha percepção, que a maioria dos presidentes dos clubes e sociedades desportivas esteja muito empenhada em planos de desenvolvimento, na sustentabilidade do negócio, em ver ao longe, por mais que seja esse o propósito da LPFP.
O que verdadeiramente interessa aos clubes, individualmente considerados, é obter mais receitas e ainda mais receitas, para “adquirir” mais um (sete ou oito) jogador ou rescindir com um treinador.
Não deve haver muitos dirigentes especialmente interessados em debater planeamento, estratégia, desenvolvimento, sustentabilidade do negócio, de cada um e de todos.
Onde se pode ir buscar mais dinheiro? Essa é a pergunta-chave.
5. Em tempos, um presidente de uma liga profissional confessou-me, amargurado, que convocava reuniões com os clubes para pensar o futuro, “trocar ideias”.
Ninguém as tinha. E o “nosso” presidente lá ficava sozinho a pensar, para si próprio, se valia a pena perder o seu tempo com tais preocupações.
josemeirim@gmail.com
De facto, a percepção de quem segue à distância o futebol e o seu futuro e as suas movimentações quotidianas é realmente esta.
De acordo com o blogue futebolis, É preciso acordar para a realidade e… mudar.





