Posts Tagged ‘Xadrez Escolar’
SIC sobre o xadrez nas Escolas
Sunday, January 9th, 2011SIC sobre o xadrez nas Escolas
Sunday, January 9th, 2011«Os básicos», por João Pereira Coutinho
Sunday, January 2nd, 2011
Crónica de João Pereira Coutinho, Os básicos, no Correio da Manhã.
Escrevi há tempos, em plena euforia com os resultados do PISA [Programme for International Student Assessment], que os nossos alunos estavam menos burros, mas continuavam burros. O Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) do Ministério da Educação veio agora confirmá-lo: depois de uma análise exaustiva a 1700 escolas, parece que os alunos do 8º ao 12º ano não sabem raciocinar nem escrever.
Segundo o GAVE, as nossas ‘crianças’ são incapazes de estruturar um texto; explicar um raciocínio com lógica; utilizar linguagem rigorosa; e, Deus meu, utilizar diferentes conceitos da mesma disciplina.
Por ouras palavras: as nossas ‘crianças’ são capazes de exercícios elementares, como acontece cm alguns símios de laboratório; mas o passo final para o conhecimento humano está-lhes interdito. Isto, ao contrário do que aconteceu com o PISA, não mereceu do governo comentário.
O que se compreende: os nossos governantes, a começar pelo chefe da banda, são também um produto do analfabetismo e da lassidão que reinam no sistema de ensino. Confrontados com o relatório do GAVE, o mais certo é não saberem lê-lo ou interpretá-lo.
(Sublinhados da responsabilidade de Ala de Rei)
Ler, a este propósito, o artigo do jornal i, Ministério da Educação:
Estudantes não sabem raciocinar nem escrever.
Hélder Diniz de Sousa, director do GAVE, vem afirmar (Antena 1) que não se trata de não saberem mas de terem mais «fragilidades» ou «dificuldades».
O que pode o xadrez fazer por estes «básicos» no desporto escolar se as nossas crianças e jovens não sabem ou têm grandes dificuldades em raciocinar e escrever?
«Os básicos», por João Pereira Coutinho
Sunday, January 2nd, 2011
Crónica de João Pereira Coutinho, Os básicos, no Correio da Manhã.
Escrevi há tempos, em plena euforia com os resultados do PISA [Programme for International Student Assessment], que os nossos alunos estavam menos burros, mas continuavam burros. O Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) do Ministério da Educação veio agora confirmá-lo: depois de uma análise exaustiva a 1700 escolas, parece que os alunos do 8º ao 12º ano não sabem raciocinar nem escrever.
Segundo o GAVE, as nossas ‘crianças’ são incapazes de estruturar um texto; explicar um raciocínio com lógica; utilizar linguagem rigorosa; e, Deus meu, utilizar diferentes conceitos da mesma disciplina.
Por ouras palavras: as nossas ‘crianças’ são capazes de exercícios elementares, como acontece cm alguns símios de laboratório; mas o passo final para o conhecimento humano está-lhes interdito. Isto, ao contrário do que aconteceu com o PISA, não mereceu do governo comentário.
O que se compreende: os nossos governantes, a começar pelo chefe da banda, são também um produto do analfabetismo e da lassidão que reinam no sistema de ensino. Confrontados com o relatório do GAVE, o mais certo é não saberem lê-lo ou interpretá-lo.
(Sublinhados da responsabilidade de Ala de Rei)
Ler, a este propósito, o artigo do jornal i, Ministério da Educação:
Estudantes não sabem raciocinar nem escrever.
Hélder Diniz de Sousa, director do GAVE, vem afirmar (Antena 1) que não se trata de não saberem mas de terem mais «fragilidades» ou «dificuldades».
O que pode o xadrez fazer por estes «básicos» no desporto escolar se as nossas crianças e jovens não sabem ou têm grandes dificuldades em raciocinar e escrever?
TVI: Xadrez na Escola de Pedras Salgadas
Wednesday, December 15th, 2010«Abranger o maior número de crianças e jovens a partir dos 5 anos» é o objectivo da Academia de Xadrez de Castelo Branco ao inaugurar um espaço para a prática do xadrez
Thursday, November 11th, 2010Artigo de Artur Jorge no jornal Reconquista sobre a inauguração em Castelo Branco de um espaço destinado à prática do xadrez. Nuno Abreu, um homem da modalidade, alimenta fortes expectativas no projecto.
A Academia de Xadrez de Castelo Branco acaba de inaugurar um espaço para a prática desta modalidade de tabuleiro. Fica situado na Quinta do Dr. Beirão (27, Lj 18; contacto 96 3097432) e é dirigido por Nuno Abreu, um monitor/treinador com larga experiência xadrezista.
Com este projecto, aquele responsável pretende incutir dinâmica de xadrez em várias áreas, desde o ensino da modalidade à prática competitiva. «Queremos abranger o maior número de crianças e jovens, a partir dos 5 anos. Que venham aprender o jogo, progredir e desfrutar de uma actividade que tem benefícios comprovados, ao nível da concentração, criatividade, imaginação, memorização…». Daí, a academia começar logo com um horário alargado: todos os dias a partir das 17.30h e aos sábados de manhã.
Outra vertente de intervenção passa «pelo apoio pedagógico e técnico aos professores dos agrupamentos de Castelo Branco». Neste ponto, Nuno Abreu defende que «o xadrez deveria ser implementado na pré-escola e ser obrigatório desde o 1º ano».
O xadrez já faz parte das actividades extra-curriculares, como opção. Na cidade albicastrense, apenas na Escola Cidade de Castelo Branco é obrigatório para os alunos no 4º ano, segundo adiantou Nuno Abreu.
«As autarquias devem ter um papel importante na divulgação e promoção da modalidade, até porque podem candidatar-se a fundos governamentais destinados a esse fim». É por isso que a Academia de Xadrez de Castelo Branco se mostra aberta para estabelecer protocolos com as várias entidades, desde câmaras, a escolas, clubes e associações. Propõe-se mesmo ir aos espaços escolares.
Integrar a academia custa um valor de cinco euros mensais. O responsável do projecto defende que está na hora de motivar as crianças para o jogo. Nesse sentido, distribuiu cerca de 4 mil folhetos pelos agrupamentos de escolas, «para serem entregues a todos os alunos do 1º e 2º ciclo». Abreu, que já formou campeões distritais de xadrez e uma vice-campeã nacional, pretende solidificar a academia primeiro na sede do concelho, mas não põe de parte a possibilidade de deslocação aos concelhos limítrofes, “para ensinar a jogar”.
(Sublinhados da responsabilidade de Ala de Rei)
«Abranger o maior número de crianças e jovens a partir dos 5 anos» é o objectivo da Academia de Xadrez de Castelo Branco ao inaugurar um espaço para a prática do xadrez
Thursday, November 11th, 2010Artigo de Artur Jorge no jornal Reconquista sobre a inauguração em Castelo Branco de um espaço destinado à prática do xadrez. Nuno Abreu, um homem da modalidade, alimenta fortes expectativas no projecto.
A Academia de Xadrez de Castelo Branco acaba de inaugurar um espaço para a prática desta modalidade de tabuleiro. Fica situado na Quinta do Dr. Beirão (27, Lj 18; contacto 96 3097432) e é dirigido por Nuno Abreu, um monitor/treinador com larga experiência xadrezista.
Com este projecto, aquele responsável pretende incutir dinâmica de xadrez em várias áreas, desde o ensino da modalidade à prática competitiva. «Queremos abranger o maior número de crianças e jovens, a partir dos 5 anos. Que venham aprender o jogo, progredir e desfrutar de uma actividade que tem benefícios comprovados, ao nível da concentração, criatividade, imaginação, memorização…». Daí, a academia começar logo com um horário alargado: todos os dias a partir das 17.30h e aos sábados de manhã.
Outra vertente de intervenção passa «pelo apoio pedagógico e técnico aos professores dos agrupamentos de Castelo Branco». Neste ponto, Nuno Abreu defende que «o xadrez deveria ser implementado na pré-escola e ser obrigatório desde o 1º ano».
O xadrez já faz parte das actividades extra-curriculares, como opção. Na cidade albicastrense, apenas na Escola Cidade de Castelo Branco é obrigatório para os alunos no 4º ano, segundo adiantou Nuno Abreu.
«As autarquias devem ter um papel importante na divulgação e promoção da modalidade, até porque podem candidatar-se a fundos governamentais destinados a esse fim». É por isso que a Academia de Xadrez de Castelo Branco se mostra aberta para estabelecer protocolos com as várias entidades, desde câmaras, a escolas, clubes e associações. Propõe-se mesmo ir aos espaços escolares.
Integrar a academia custa um valor de cinco euros mensais. O responsável do projecto defende que está na hora de motivar as crianças para o jogo. Nesse sentido, distribuiu cerca de 4 mil folhetos pelos agrupamentos de escolas, «para serem entregues a todos os alunos do 1º e 2º ciclo». Abreu, que já formou campeões distritais de xadrez e uma vice-campeã nacional, pretende solidificar a academia primeiro na sede do concelho, mas não põe de parte a possibilidade de deslocação aos concelhos limítrofes, “para ensinar a jogar”.
(Sublinhados da responsabilidade de Ala de Rei)
Não somava 2+2, agora passou a ter 100% a Matemática e a Música e é campeão de xadrez
Friday, October 22nd, 2010Sílvia Caneco, escreveu o artigo Não somava 2+2, agora é campeão de xadrez, publicado hoje no jornal ionline, onde se destaca a importância e os benefícios do xadrez na escola, mesmo que seja uma actividade extra-curricular.

Há cinco anos, Hugo nem conseguia completar um jogo de tabuleiro. Hoje é aluno de 100% a Matemática e a Música
O corpo de Hugo Ferreira está ali sentado mas a cabeça está no xadrez: no programa que vai instalar a casa de um amigo para poderem competir um com o outro. Baloiça-se na cadeira para trás e para a frente e esgaravata o rótulo de uma garrafa de plástico. Não descansa enquanto não lhe retira a última ponta de autocolante. Ao olhá-lo naquela guerra com uma garrafa, que só de olhar cansa, é difícil imaginar como aguenta competições de xadrez que já chegaram a durar quatro horas e 17 minutos.
Aos 11 anos, Hugo ainda pode ser uma criança irrequieta mas o pai, Carlos Ferreira, já não o reconhece. Aos seis, Hugo tinha dificuldade em somar dois mais dois e não conseguia completar um jogo de tabuleiro. Como uma pulga, o seu cérebro saltitava sempre de um lado para o outro. «Num instante estava a jogar, no outro já estava farto», conta o pai. Filho e neto único, «era super-mimado, conflituoso, hiperactivo e não aceitava ”nãos”». O psicólogo deu a receita: uma actividade física para descarregar a energia e uma actividade intelectual para prender a atenção, “como a música”.
Em vez da música, apareceu o xadrez, porque o ATL oferecia a modalidade. Quando o treinador chegou munido de tabuleiros e relógios, os olhos de Hugo fixaram-se como um íman. «Nem sabia o que era o xadrez, só conhecia as cartas, o dominó e as damas, porque o meu avô é campeão», diz Hugo, enquanto enrola o papel desfeito do rótulo como se fizesse bolas com miolo de pão.
Depois da primeira aula, a directora do ATL mandou chamar os pais do Hugo. «Ai, que vem daí bronca», pensaram. «O que é que ele fez agora?» Mas dessa vez não havia queixas. Só um alerta: «Isto pode ser a salvação.» Numa aula de 50 minutos, a criança que antes não conseguia chegar ao fim de um jogo decorou o nome de todas as peças, fixou os movimentos e já queria jogar.
O professor leva-o para o Santoantoniense, clube do Barreiro. Com menos de dois anos de treinos é campeão nacional de sub-8 em semi-rápidas. E quando começa a achar que «queria andar mais rápido mas o Catuto (o treinador de xadrez) não deixava» muda-se para o Ferroviários: um clube cheio de bons mestres, mas votado ao abandono desde que o bar da sede, outrora sempre cheio e maior fonte de receitas, se tornou um lugar moribundo debaixo da ponte. Quando nasceu o comboio na ponte, o Barreiro deixou de ser o centro para quem seguia para o Algarve e a sede do Ferroviários transformou-se num pavilhão-fantasma num sítio semidesértico.
Depois da vitória no campeonato nacional, faltava o campeonato europeu, em Mureck, na Áustria. O ordenado baixo do pai e o desemprego da mãe não davam para pagar inscrições, viagens e estada. Hugo inscreveu-se na rede The Star Tracker. Tiago Forjaz, um dos fundadores da rede global de talentos portugueses, ofereceu 57 milhas do seu cartão da TAP, dois membros ofereceram dinheiro. Chegado à Áustria, depois de andar de «bicicleta só com o pai”» porque «a mãe não sabe mas foi lá dar sorte e arranjar a roupa para dois trapalhões», conquistou o 20º lugar.
A escola soviética
Andrey Ferents é o treinador de Hugo e mestre internacional de xadrez. Licenciado em Psicologia na Ucrânia, chegou a Portugal há sete anos depois de um amigo lhe dizer que o xadrez lhe poderia dar emprego num país em que havia falta de mestres. Se tinha 29 anos e jogava xadrez há 24, “por que não?”. Dá aulas de xadrez no Sporting e é treinador e jogador pelo Ferroviários, onde já formou cinco campeões distritais e dois campeões nacionais. No primeiro ano a ensinar no clube do Barreiro, juntamente com outro mestre ucraniano, levou a equipa a subir à primeira divisão; no ano passado, num campeonato em que «quase metade dos jogadores são estrangeiros pagos para esse efeito», transformou-os em vice-campeões. A escola de Kasparov, explica, «Não acho que seja melhor. Venho é de um país que é uma escola no xadrez. As técnicas de ensino são outras, à moda soviética», justifica o mestre, esmagando as bochechas com os pulsos.
Hugo já jogou com raparigas que «não são mais espertas nem menos espertas» e até já piscou o olho a uma do Porto. Com o pai “já perdeu a piada” porque ganha sempre. Na escola, passou a ser aluno de 100% a Matemática e a Música. «Está menos distraído e já aguenta esperar», afiança o pai. Já sabe esperar até na baliza do Barreirense, quando «antes era uma barata tonta» e «achava muito giro jogar à bola, mas numa lógica de ”a bola é minha”». Na escola, «como ninguém lá sabe o que é isso», diz que “ninguém acredita” que é bom no xadrez. Antes de esborrachar a garrafa, remata: «Devem achar que sou convencido.»
Mais um artigo interessante e revelador das potencialidades do xadrez na escola, seja como actividade extra-curricular ou integrado na estrutura curricular de ensino.
Fazem mais pela divulgação e promoção de xadrez artigos e reportagens como esta do que proclamações de intenções sobre as virtudes e benefícios da modalidade que ninguém percebe porque depois não são propostos ou implementados pelos seus defensores.
Indo mais longe, são, porventura, exemplos com estes, que o ionline apresenta, que permitem depois que certas entidades, com responsabilidades no xadrez federado e não só, encontrem as ‘facilidades’ – muitas das vezes desperdiçadas pela incapacidade ou desinteresse em sustentar projectos que não visem a promoção ou vantagem pessoal ou o lucro imediatos – para que o xadrez apareça como que caído do céu em certas escola e colégios.
Não somava 2+2, agora passou a ter 100% a Matemática e a Música e é campeão de xadrez
Friday, October 22nd, 2010Sílvia Caneco, escreveu o artigo Não somava 2+2, agora é campeão de xadrez, publicado hoje no jornal ionline, onde se destaca a importância e os benefícios do xadrez na escola, mesmo que seja uma actividade extra-curricular.

Há cinco anos, Hugo nem conseguia completar um jogo de tabuleiro. Hoje é aluno de 100% a Matemática e a Música
O corpo de Hugo Ferreira está ali sentado mas a cabeça está no xadrez: no programa que vai instalar a casa de um amigo para poderem competir um com o outro. Baloiça-se na cadeira para trás e para a frente e esgaravata o rótulo de uma garrafa de plástico. Não descansa enquanto não lhe retira a última ponta de autocolante. Ao olhá-lo naquela guerra com uma garrafa, que só de olhar cansa, é difícil imaginar como aguenta competições de xadrez que já chegaram a durar quatro horas e 17 minutos.
Aos 11 anos, Hugo ainda pode ser uma criança irrequieta mas o pai, Carlos Ferreira, já não o reconhece. Aos seis, Hugo tinha dificuldade em somar dois mais dois e não conseguia completar um jogo de tabuleiro. Como uma pulga, o seu cérebro saltitava sempre de um lado para o outro. «Num instante estava a jogar, no outro já estava farto», conta o pai. Filho e neto único, «era super-mimado, conflituoso, hiperactivo e não aceitava ”nãos”». O psicólogo deu a receita: uma actividade física para descarregar a energia e uma actividade intelectual para prender a atenção, “como a música”.
Em vez da música, apareceu o xadrez, porque o ATL oferecia a modalidade. Quando o treinador chegou munido de tabuleiros e relógios, os olhos de Hugo fixaram-se como um íman. «Nem sabia o que era o xadrez, só conhecia as cartas, o dominó e as damas, porque o meu avô é campeão», diz Hugo, enquanto enrola o papel desfeito do rótulo como se fizesse bolas com miolo de pão.
Depois da primeira aula, a directora do ATL mandou chamar os pais do Hugo. «Ai, que vem daí bronca», pensaram. «O que é que ele fez agora?» Mas dessa vez não havia queixas. Só um alerta: «Isto pode ser a salvação.» Numa aula de 50 minutos, a criança que antes não conseguia chegar ao fim de um jogo decorou o nome de todas as peças, fixou os movimentos e já queria jogar.
O professor leva-o para o Santoantoniense, clube do Barreiro. Com menos de dois anos de treinos é campeão nacional de sub-8 em semi-rápidas. E quando começa a achar que «queria andar mais rápido mas o Catuto (o treinador de xadrez) não deixava» muda-se para o Ferroviários: um clube cheio de bons mestres, mas votado ao abandono desde que o bar da sede, outrora sempre cheio e maior fonte de receitas, se tornou um lugar moribundo debaixo da ponte. Quando nasceu o comboio na ponte, o Barreiro deixou de ser o centro para quem seguia para o Algarve e a sede do Ferroviários transformou-se num pavilhão-fantasma num sítio semidesértico.
Depois da vitória no campeonato nacional, faltava o campeonato europeu, em Mureck, na Áustria. O ordenado baixo do pai e o desemprego da mãe não davam para pagar inscrições, viagens e estada. Hugo inscreveu-se na rede The Star Tracker. Tiago Forjaz, um dos fundadores da rede global de talentos portugueses, ofereceu 57 milhas do seu cartão da TAP, dois membros ofereceram dinheiro. Chegado à Áustria, depois de andar de «bicicleta só com o pai”» porque «a mãe não sabe mas foi lá dar sorte e arranjar a roupa para dois trapalhões», conquistou o 20º lugar.
A escola soviética
Andrey Ferents é o treinador de Hugo e mestre internacional de xadrez. Licenciado em Psicologia na Ucrânia, chegou a Portugal há sete anos depois de um amigo lhe dizer que o xadrez lhe poderia dar emprego num país em que havia falta de mestres. Se tinha 29 anos e jogava xadrez há 24, “por que não?”. Dá aulas de xadrez no Sporting e é treinador e jogador pelo Ferroviários, onde já formou cinco campeões distritais e dois campeões nacionais. No primeiro ano a ensinar no clube do Barreiro, juntamente com outro mestre ucraniano, levou a equipa a subir à primeira divisão; no ano passado, num campeonato em que «quase metade dos jogadores são estrangeiros pagos para esse efeito», transformou-os em vice-campeões. A escola de Kasparov, explica, «Não acho que seja melhor. Venho é de um país que é uma escola no xadrez. As técnicas de ensino são outras, à moda soviética», justifica o mestre, esmagando as bochechas com os pulsos.
Hugo já jogou com raparigas que «não são mais espertas nem menos espertas» e até já piscou o olho a uma do Porto. Com o pai “já perdeu a piada” porque ganha sempre. Na escola, passou a ser aluno de 100% a Matemática e a Música. «Está menos distraído e já aguenta esperar», afiança o pai. Já sabe esperar até na baliza do Barreirense, quando «antes era uma barata tonta» e «achava muito giro jogar à bola, mas numa lógica de ”a bola é minha”». Na escola, «como ninguém lá sabe o que é isso», diz que “ninguém acredita” que é bom no xadrez. Antes de esborrachar a garrafa, remata: «Devem achar que sou convencido.»
Mais um artigo interessante e revelador das potencialidades do xadrez na escola, seja como actividade extra-curricular ou integrado na estrutura curricular de ensino.
Fazem mais pela divulgação e promoção de xadrez artigos e reportagens como esta do que proclamações de intenções sobre as virtudes e benefícios da modalidade que ninguém percebe porque depois não são propostos ou implementados pelos seus defensores.
Indo mais longe, são, porventura, exemplos com estes, que o ionline apresenta, que permitem depois que certas entidades, com responsabilidades no xadrez federado e não só, encontrem as ‘facilidades’ – muitas das vezes desperdiçadas pela incapacidade ou desinteresse em sustentar projectos que não visem a promoção ou vantagem pessoal ou o lucro imediatos – para que o xadrez apareça como que caído do céu em certas escola e colégios.
Ex-campeão nacional, Fernando Ribeiro assume projecto inovador de xadrez em Mangualde
Thursday, October 21st, 2010
A Obra Social Beatriz Pais Raul Saraiva (OSBP) tem, desde Setembro, o xadrez nas suas actividades de enriquecimento curricular. Teresa Soares, Directora da instituição lembrou que «a ideia surgiu de conversas que há muito tempo vinha tendo com o Fernando Ribeiro, pai de dois utentes da Obra Social Beatriz Pais. Sabia do seu interesse pela modalidade e dos seus êxitos pessoais. Um dia fiz-lhe o desafio. Porque não vir desenvolver a modalidade aos meninos do ATL? Ficou a pensar no assunto e no desafio lançado, até que decorreu em Mangualde o torneio organizado pela Câmara Municipal e Federação, no qual participaram alguns utentes do Beatriz Pais por desafio do Fernando Ribeiro. Foi um êxito!»
Este evento, como conta Teresa Soares, foi «o pontapé de saída para insistir com Fernando Ribeiro sobre a possibilidade de trabalhar com as crianças». Fernando Ribeiro, ex-campeão nacional de xadrez “não resistiu e assumiu” este projecto inovador em Mangualde.
Com a colaboração do Município na cedência de tabuleiros, Fernando Ribeiro começou a dar as primeiras aulas. «Inscreveram-se 18 crianças, sucesso!” diz Teresa Soares, “todos os alunos estão muito motivados e estão a ter um sucesso.»
Além da Educação Musical, Educação Física, Expressão Cultural (HipHop) e Inglês, esta, é mais uma actividade de Enriquecimento Curricular oferecida aos utentes da OSBP.
Fernando Ribeiro, o ex-campeão nacional de xadrez, já representou grandes clubes portugueses, bem como Portugal em torneios da modalidade. O ex-atleta, está radiante por ter a oportunidade de ensinar aos mais novos o desporto que o fez correr mundo, torneio após torneio, vencendo e levando o nome de Mangualde dentro e fora do País.
«É uma oportunidade de poder ensinar os mais novos com uma modalidade não muito popular, mas que me fez correr mundo. Quem sabe não se revelam aqui grandes jogadores», disse.
Fernando Ribeiro está contente com esta iniciativa, «é com iniciativas destas que Mangualde pode marcar a diferença. Penso e tenho a certeza que o jogo de Xadrez vai ajudar e bastante no futuro estes jovens que este ano escolar têm a oportunidade de ter (na Beatriz Pais) o conhecimento do jogo de Xadrez. Hoje é uma realidade Nacional e a nível escolar é uma das modalidades mais praticadas com campeonatos Distritais e Nacionais Escolares».
O ex-campeão nacional congratula também o Desporto Escolar por ter incluído o xadrez na actividade, visto que mexe com crianças e jovens de todo o País, permitindo assim projectar o desporto do “Rei e da Rainha”.
Fernando Ribeiro, lembra que no 1º Torneio Jovem de Mangualde tiveram presentes cerca de 110 jovens vindos de vários distritos e ligados ao desporto escolar, «do distrito de Viseu só tivemos cerca de 10 jogadores a participar, penso que com esta iniciativa no próximo ano teremos certamente muito mais e é provável que apareçam mais iniciativas do género nos concelhos do distrito, o grande problema é a mão de obra, pois pouca gente sabe jogar Xadrez, logo torna-se difícil ensinar o jogo».
O Ex-campeão nacional lembra ainda que «também os jovens terão a vantagem de jogar Campeonatos Federados e poderem representar Portugal nos campeonatos Europeus e Mundiais, logo dando oportunidade aos jovens de viajar muito e no futuro ter um grande conhecimento a todos os níveis pois terão contactos com culturas mundiais, tal como se passou comigo. Vivi experiências fantásticas um pouco por todo mundo e devo isso ao xadrez.»
Lido em Dão TV.


